Correio do Litoral
Notícias do Litoral do Paraná

Uma beleza em Guaraqueçaba

O litoral do Paraná está em plena estação de borboletas! Em nenhum período se vê ali mais espécies do que nos meses de abril e maio. Em doze anos de observação contínua de borboletas no litoral norte, o meu total mensal médio é de 82 espécies para abril e de 61 para maio (excluindo desta contagem as representantes da Hesperiinae, uma subfamília demasiadamente difícil para amadores).

Tem se tornado difícil para mim encontrar alguma espécie de borboleta que nunca tenha visto antes no litoral. Quando isto acontece, esta espécie tende a ser muito especial. Ontem tive a sorte deste tipo de encontro raro!

Estava caminhando com tempo ensolarado. Por volta de meio dia, ao atravessar a ponte sobre o rio Açungui (no km 42,9 da rodovia não asfaltada para Guaraqueçaba, a PR-405) vi na margem do rio, a alguma distância da ponte, um exemplar de cambará, Austroeupatorium inuliifolium, fartamente florida. Sabendo que as flores brancas deste arbusto são muito procuradas pelas borboletas, peguei o binóculo e dei uma espiada. De fato, estavam voando ali algumas mariposas diurnas e borboletas, todas espécies comuns. Mas então… o meu coração disparou! No meio delas descobri uma ilustre desconhecida!

À primeira vista, ela me lembrava de Riodina lycisca e Biblis hyperia, ambas relativamente comuns. Mas a parte inferior das asas posteriores estava coberta de manchas redondas vermelho vivas, nisso lembrando à família Papilionideae. Além disso, a área submarginal da asa posterior e a banda larga cruzando a asa anterior não eram vermelhas, como em Biblis e Riodina, mas azuis!

De volta em casa, consultei o magnífico “Butterflies of the world”, de Lewis e rapidamente encontrei o gênero: tratava-se Lyropteryx, da família Riodinidae e a cor azul indica que o exemplar foi um macho. Logo em seguida consultei a iconografia para esta família produzida por d’Abrera e então vi que há duas possibilidades. Destas, L. apollonia parece ser o mais provável, já que as manchas vermelhas da asa posterior não transparecem para o lado de cima como acontece em L. terpsichore.

Não tirei fotografia, pois a distância era grande demais para a minha câmara e não dava para chegar perto. Assim lhes peço o seguinte: se nos próximos dias algum de vocês passar por ali com teleobjetiva, por favor faça o importante registro!

 

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