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Filme mostra recuperação da floresta em acampamento do MST


Em meio à Mata Atlântica do litoral paranaense, uma área degradada pela produção extensiva de búfalos se transformou em uma experiência premiada por recuperar o meio ambiente pela produção agroflorestal.

Em cerca de 30 minutos, o documentário Agrofloresta é mais conta esta metamorfose protagonizada por 24 famílias integrantes do acampamento José Lutzenberg, no município de Antonina, uma ocupação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

O filme foi lançado oficialmente na quinta-feira (13), em Curitiba, no Fórum Estadual de Combate ao Uso de Agrotóxicos e Controle do Tabaco, promovido pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR).

Na plateia, agricultores integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assistiram à sua própria experiência ser projetada na tela. Jonas Souza, coordenador do acampamento José Lutzenberg e membro do MST, relata que a área foi ocupada em 2004 e, desde então, é cultivada para a recuperação da mata nativa e produção de alimentos para consumo e comercialização. “Hoje nós estamos em um processo que já dá autonomia para os camponeses de produzir para se alimentar de forma saudável e ainda fornecer este alimento para a sociedade”, relata.


Na plateia, agricultores integrantes do MST assistiram à sua própria experiência ser projetada na tela / Luciana Santos

Atualmente essas famílias vivem sob ameaça de despejo. Assim, o documentário integra a campanha “Agrofloresta é a nossa casa”, organizada por dezenas de entidades contrárias à retirada das famílias do território.

O professor da UFRJ e diretor do filme, Beto Novaes, enfatizou a necessidade de utilizar o documentário como instrumento de divulgação do projeto agroflorestal bem-sucedido. “Nós não podemos ficar falando para os mesmos parceiros, nós temos que abrir para o mundo”. Para romper as fronteiras brasileiras, o material foi traduzido para o espanhol, o inglês e o francês, e está sendo distribuído para diversas organizações nacionais e internacionais.

Um grupo de trabalho nacional do Ministério Público sobre agrotóxicos acompanha a experiência da área como um exemplo a ser seguido: “Temos apoiado e incentivado a permanência das famílias naquele espaço por considerar uma iniciativa exitosa no que diz respeito à produção agroecológica, que é mais do que orgânica, e principalmente pela preservação da floresta”, relata Margaret Matos Carvalho, procuradora regional do Trabalho, que acompanha de perto o desenvolvimento da área.

A procuradora reforça a importância da permanência das famílias na área e da difusão das metodologias de trabalho e de produção utilizadas: “Hoje, quando a gente fala de futuro, a ideia é sempre negativa. Mas nós temos esperança e queremos que essa esperança se concretize e através desses exemplos. Espero que as famílias que hoje ocupam aquele espaço, que elas permaneçam naquele lugar, porque preservar e trazer de volta uma floresta demanda muito tempo, e eles já conseguiram isso e ainda tem muita coisa a ser feita. Não podemos perder aquilo que já foi construído e queremos mais, porque agrofloresta é mais”, conclui.

Saint-Claire Honorato Santos, promotor de justiça do Ministério Público do Paraná, conheceu a área antes da ocupação pelas famílias sem-terra. “Conhecia a área quando era uma fazenda de búfalos. Ver hoje aquele local recuperado, regenerado, ver que essas famílias estão trabalhando aquela terra e conseguindo demonstrar que é possível produzir, permanecer e viver harmoniosamente naquele espaço me deixa muito contente”. Para o promotor, a experiência “mostra a todos nós que podemos recuperar o meio ambiente com qualidade e ter também o respeito a todas essas famílias que lá se encontram”.

O filme também foi mostrado na Vigília Lula Livre na sexta-feira (14).

Agroindústria

Uma agroindústria para o beneficiamento dos alimentos será o próximo passo para o desenvolvimento da produção agroflorestal. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Associação Paranaense das Vítimas Expostas ao Amianto e aos Agrotóxicos (APREAA) e o Ministério Público do Trabalho.

A estrutura terá 219 metros quadrados, com atendimento dos critérios de Vigilância Sanitária. Será feito reaproveitamento de energia fotovoltaica e de água. “Nós vamos ter uma agroindústria e vamos produzir a nossa própria energia para tocar a unidade. Vai ser tornar uma referência”, garante Jonas Souza.


Comunidade ganhou o prêmio Juliana Santilli, na categoria ampliação e conservação da agrobiodiversidade / Júlia Rhoden

O filme foi feito em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Paraná, Associação Paranaense das Vítimas Expostas ao Amianto e Agrotóxicos e Ministério Público do Trabalho do Paraná.

Ficha técnica

Direção e Roteiro: Beto Novaes
Argumento: Jonas Aparecido de Souza
Edição e Finalização: Gislaine Lima
Câmeras: Fernando Mamari e Deborah S. R. de Rezende
Trilha Sonora e Finalização de áudio: Bernardo Gebara

Fonte: Brasil de Fato / Ednubia Ghisi / Laís Melo

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