Sem-terra apostam na desapropriação de área na Mina Velha

    Fotos: Juliana Adriano / MST

    O grupo de sem-terra que ocupou uma área em Garuva (SC), próxima a Guaratuba, aposta na desapropriação, além de chamar atenção para a paralisação da reforma Agrária no país.

    A ocupação já tem nome: Acampamento Egídio Brunetto. O MST planeja uma produção diversificada nos mil hectares estimados da propriedade: plantio orgânico de alimentos, criação de gado leiteiro e piscicultura.

    Terra improdutiva?

    A invasão aconteceu no início da manhã de segunda-feira (10). Cerca de 70 pessoas chegaram na propriedade que fica na região Mina Velha, às margens da SC-417, quase na divisa com o Paraná/Guaratuba. De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o acampamento vai abrigar cerca de 600 famílias. O MST informou ao jornal A Notícia, que o grupo de acampados é formado por famílias de Joinville, Jaraguá do Sul, Garuva e Araquari.

    Os sem-terra dizem que a terra está improdutiva há 12 anos e pertenceria a um advogado. O advogado citado pelos sem-terra, Alvaro Carlos Meyer, negou que seja o dono das terras. “Existem contratos de locação e de arrendamento. Para mim, esse pessoal do MST errou o caminho. Tem aviário em reforma, a casa tem energia, tem atividades de mineração. A propriedade não está abandonada”, afirmou, segundo o jornal.

    O site Garuvanet informou que funcionários da Prefeitura de Garuva, Conselho Tutelar o presidente da Câmara de Vereadores, Oziel Mattos, estiveram na ocupação nesta terça-feira (11). “Na próxima quarta-feira (12) deve acontecer uma reunião entre o prefeito e lideranças do movimento, onde serão apresentados os planos do grupo na cidade de Garuva. A reunião deve acontecer durante a manhã na Prefeitura Municipal”, informou o site.

    Juliana Adriano / MST

    Assentamento modelo

    Garuva é conhecida internacionalmente pelo sucesso de um assentamento do MST, a Conquista do Litoral, desapropriado em 1995.

    Conquista do Litoral abriga 13 famílias em 93 hectares, que tem cerca de 80% de sua preservada. Segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) produz cerca de 48 mil quilos de hortifrutigranjeiros por mês. Fornece produtos da merenda escolar para a rede pública de ensino em Santa Catarina e Paraná – e já chegou a vender para Guaratuba.

    Em 2014, o assentamento foi visitado por uma comissão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O trabalho dos assentados foi considerado modelo para o projeto de Fortalecimento dos Programas de Alimentação Escolar, da Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome até 2025.

    Juliana Adriano / MST

     

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