1º comandante do ferry boat recebe a 1ª comenda dos 255 anos de Guaratuba
Seu Janjão recebeu prefeito Mauricio Lense em sua casa, no bairro Caieiras

O prefeito Maurício Lense entregou, nesta quarta-feira (6), a primeira comenda comemorativa dos 255 anos de Guaratuba: o ano da ponte. A honraria foi idealizada como um marco simbólico desse momento histórico e será concedida a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento do município.
O primeiro homenageado foi João James de Oliveira Alves, o “Seu Janjão”, que recebeu ao lado de sua esposa Maria. Natural de São Francisco do Sul (SC), ele chegou a Guaratuba em 1962 para trabalhar no primeiro ferry boat do DER, tornando-se o primeiro comandante da embarcação. O ferry encerrou suas atividades no final da tarde desta terça-feira (5), quatro dias depois da inauguração da ponte sobre a Baía de Guaratuba.
Morador mais antigo da comunidade de Caieiras, Seu Janjão é reconhecido pelo forte envolvimento com a população local. Entre seus feitos, destaca-se a atuação no resgate de moradores durante o desmoronamento da orla em 1968, além de contribuições para melhorias na comunidade, como o incentivo à construção da Escola Máximo Jamur e mobilizações por acesso e infraestrutura.
Devido à idade avançada, Seu Janjão não conseguiu participar do evento de inauguração da ponte e recebeu a comenda nesta quarta-feira em casa. Na ocasião, o prefeito também foi presenteado pelo comandante com uma placa em homenagem ao ferry e à ponte.
Comendas – Ao todo, são 255 comendas comemorativas. As outras 254 serão entregues oportunamente, em eventos ao longo do ano.
Muitas histórias
Durante os mais de 15 anos no comando da travessia, primeiro com o barco Ayrton Cornelsen e depois com as embarcações Iguassu e Tibagi, Janjão viu de tudo um pouco no ferry boat de Guaratuba. Transportou autoridades, como o próprio governador Ney Braga e o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, que se exilou na cidade por dois meses após ser deposto, em 1989. Levou de artistas a pessoas comuns.
Um dos episódios mais marcantes em sua trajetória, porém, foi o afundamento de parte da cidade, onde hoje está localizada a Praça dos Namorados. Na noite de 22 de setembro de 1968, um homem bateu na porta de sua casa. Era o amarrador do ferry boat. “Comandante Janjão, estão chamando o senhor. Guaratuba está caindo. É preciso prestar socorro. O ferry boat já está guarnecido, o condutor está a bordo virando motor. Só precisa da sua presença para fazer a travessia. É urgente”, disse o homem à época.
“Peguei a documentação que tinha, a máquina de tricô da minha esposa, que era de valor, e avisei os vizinhos que estavam aqui, uma meia dúzia. Chamei todos e anunciei que Guaratuba estava caindo. Não tinha estrada e nem luz em Caieiras. Era pela trilha do morro, pelo mato, para chegar no ferry. Foram todos comigo, embarcados no Tibagi”, relembra. Prefeitura, comércio, casas, tudo naquela região desmoronou.
“Iniciamos a travessia trazendo socorristas, médicos, policiais, tudo veio de Paranaguá para prestar socorro aqui. Fizemos esse trabalho até as três horas da manhã, quando a maré iniciou a vazante. Nisso vieram armações de casa, assoalhos, móveis, tudo. Não tinha mais condição de atravessar”, complementa. “Os moradores embarcaram, muitos só com traje íntimo, em caminhões e ônibus, e foram para Garuva, com medo de que Guaratuba caísse toda. Mas não caiu”.

Fontes: PMG e AEN

