Correio do Litoral
Notícias do Litoral do Paraná

Um pouco da história da Ponte do Cubatão

Denise Lopes Silva Gouveia ouviu relatos de moradores nas semanas que antecederam a inauguração

“Com a inauguração da nova ponte sobre o rio Cubatão, estamos escrevendo mais um capítulo de uma história que queremos contar para reviver”. Essa foi a introdução de um relato lido na homenagem aos pioneiros que construíram a primeira ponte e abriram as estradas da região.Tem como fontes a “História de Guaratuba”, de Joaquim da Silva Mafra, pesquisa feita pela doutora Denise Lopes Silva Gouveia, procuradora-geral do Município de Guaratuba, nos textos que leu e nas entrevistas que fez com moradores do Cubatão nas semanas que antecederam a inauguração:

Essa é uma parte da história de uma Guaratuba nascida oficialmente em 1771, a história de uma localidade rural banhada por um rio chamado Cubatão, que em 1912 recebeu um casal vindo dos Estados Unidos, Réo Bennett e Catarine Bennett, tendo adquirido terrenos à beira do rio Cubatãozinho, onde construiu sua moradia, usando de uma lancha pequena para chegar à Fazenda e, desbravando matas, iniciou a plantação de bananeiras, trazendo mudas de Santa Catarina, transportadas num barco cujo nome era Erna.

Milhares de mudas da preciosa banana “caturra” chegaram à Fazenda pelo rio Cubatãozinho, foram plantadas e logo produziram. Mas os elevados custos e dificuldades para transportar sua produção não compensavam o investimento, fazendo com que Réo Bennett desistisse do cultivo de bananas.

Montou então uma indústria extrativa de cana-de-açúcar, instalando um grande engenho movido a vapor, produzindo aguardente e açúcar mascavo, que em 1919 eram vendidos para o comércio de Paranaguá. Conta-se também que conduzia seus produtos aos portos de Santos, São Francisco do Sul, Itajaí e Florianópolis e que chegou a projetar um porto para Guaratuba

Era um engenheiro ligado a grandes firmas americanas e por muitas vezes afastava-se de sua fazenda para trabalhar em outras cidades. Em 1923 voltou à terra natal em visita aos pais, após longa permanência no Brasil, quando retornou de lá, os guaratubanos lhe ofereceram um baile em alegria pelo regresso e ele agradecendo a homenagem falou: “QUANDO QUER VOLTA DO NORTE AMÉRICA, MEUS PAIS PERGUNTAM: PORQUE VOLTA PRA BRASIL? E EU RESPONDE: – PORQUE LÁ DEIXA O MEU GUARATUBA.”

Um visionário, que se apaixonou por Guaratuba e que entre outras tentativas de melhoria da região, se esforçou para que a Companhia Força e Luz de Curitiba fizesse em Guaratuba sua usina, o que somente aconteceu após sua morte. Ele morreu em 1942.

Em 1952 foram iniciados os estudos para a construção da Usina de Guaricana; em 25 de setembro de 1953, a Cia. Força e Luz obteve a concessão do Governo Federal para iniciar as obras e sua inauguração foi em 1957, sendo adquirida pela Copel quando houve a incorporação da Cia. Força e Luz do Paraná., localizando-se na margem esquerda do rio Arraial, no nosso município. Arraial que é um dos afluentes do rio Cubatão.

Estamos aqui a relembrar a história de uma área rural de Guaratuba, que, na década de 50, nosso ilustre Joaquim da Silva Mafra escreveu: “As terras deste Município são por demais conhecidas pela excelência de sua fertilidade e nela desenvolvem-se admiravelmente o arroz, a cana de açúcar e o milho que constituem a sua principal cultura, bem como a mandioca, a batata, o feijão, o café, a laranja, o abacate, a goiaba e a banana. Também a pecuária tem o seu lugar reservado no Município, onde é exercida em pequena escala, sendo muito apropriadas para essa indústria as terras do Cubatão, Rasgado, Cubatãosinho, Limeira, etc.”

E prossegue: “No dia em que esses povoados forem cortados por estradas, teremos nessa pequena região, um celeiro agropecuário, com influências benéficas no desenvolvimento econômico do Estado.”

No dia em que esses povoados forem cortados por estradas!!!

Ah, as nossas estradas… passados 27 anos desde que Guaratuba foi fundada, já se iniciou uma luta para que nosso Município tivesse ligação com Curitiba e com o interior do estado, já que estávamos quase privados de comunicação com o interior. A ponto de ser afirmado em 1855 que “sem essa comunicação direta, ficariam os guaratubanos em estado estacionário e relativamente decadentes”

Em 1907, picaretas começaram a rasgar o caminho, no Governo do Dr. João Cândido. Mas quando o serviço alcançava a Serra do Mar, ele foi afastado do Poder e a estrada parou…

Em 1917 construiu-se um caminho cheio de voltas, chamada estrada do Alboit (nome do empreiteiro que a fez) que vinha de Paranaguá até a baía de Guaratuba, que daí era atravessada de canoa, por duas horas de viagem. Nessa estrada, a cada cinco dias, havia um serviço regular de condução em uma diligência tirada por cavalos.

E assim as tentativas foram sendo feitas, de modo que o Governo do Estado tinha interesse em abrir caminhos por Paranaguá e Morretes, mas devido à dificuldade da travessia da baía, os moradores buscavam apoio para construir uma estrada pelo vale do rio do Melo. Como o governo não dava o apoio necessário, a própria comunidade começou a construir a estrada. Em 1947 a comunidade que estava organizada e construindo a estrada, teve apoio do governo e em 24 de agosto de 1948, o povo de Guaratuba assistiu pela primeira vez em sua história, a chegada, via direta, de um carro governamental, seguido de uma comitiva, sendo que em 27 de maio de 1950 foi inaugurada a estrada pronta, passando por Santa Catarina. E naquele dia, num almoço oferecido ao Governador Moyses Lupion, ele desejou promissor futuro a nossa terra e arrematou, agora podemos dizer: GUARATUBA, LEVANTA-TE E ANDA.

A Ponte

Estamos também a lembrar alguns e a contar para outros, a história de uma família de sobrenome Pabst, que veio de Santa Catarina ali pelo ano de 1974, para o Taquaruvu e que passava como podia pelos caminhos abertos em meio à mata, em puro brejo, atravessando, de carroça ou de camionete Willys F 75 Ford, os rios Araraquara, Pai Paulo, do Melo. Uma família cujo pai, o Sr. Alfredo Pabst levava caminhão de tora extraída da mata para fora, e voltava com pedra para ir despejando no caminho, onde estivesse encalhando mais. As pedras eram as chamadas pedras de mão (aquelas que se consegue carregar com os braços abertos) que eram buscadas na Praia da Pedra da Judite, em Garuva.

Um tempo em que nessas terras havia algumas famílias cujos pais eram Sr. Manoel Português, Ricardo Valente, Seu Neco, Shimitano. Famílias que plantavam aipim, criavam porco, cultivavam banana, tinham engenho de açúcar ou de aguardente e usavam a produção para troca e consumo das próprias famílias. Vivia-se numa situação precária, não havia para quem vender. Trocavam carne de porco por carne de boi. Havia um ou outro comprador, que vinha buscar de Curitiba e que respeitava uma espécie de fila entre os produtores, comprava de um hoje, de outro amanhã, do outro vizinho depois de amanhã e assim por diante…

Além disso, eram muitos os caminhões madeireiros e aquelas estradas moles iam ficando destruídas de tal maneira, que às vezes era preciso conseguir um trator de esteira para ir na frente do caminhão, o que dificultava ainda mais o escoamento de qualquer produto. Reflexo sentido pelo Sr. Alfredo Pabst, quando em 1977 deixou as toras e começou a trabalhar com banana, lutando com dificuldades por conta dos rios e estradas que encareciam e dificultavam o transporte.

Hoje lembramos também da saga vivida pelo Sr. Levino Pabst, que chegou no Cubatão em 1986, onde era tudo pasto, de propriedade do Nego Líli e o Sr. Levino começou a lidar com gado de leite.

Um ano depois, um jovem de nome João Stolf que morava na cidade de Rodeio, Santa Catarina, localizada entre duas montanhas, onde cultivava fumo e arroz irrigado e que havia ouvido umas palestras da Epagri, (a Emater de Santa Catarina), sobre tipos de cultura que se saem melhor em áreas de morro, entre elas a banana. Ele tinha ido de Rodeio a Garuva conhecer o cultivo já consolidado e boa produção de bananas, ficando encantado com a ideia de produzir a fruta, fazendo seu plantio lá em Rodeio. Mais tarde veio ao Cubatão, descobriu suas áreas férteis e planas e comprou 55 hectares do lado de lá do rio Cubatão, lado de lá onde também estava o Sr. Levino.

Lá em Rodeio, o Sr. João Stolf, que era casado e tinha uma filhinha pequena, chamada Elaine, de 4 anos, já possuía uma casa boa, com infraestrutura, já tinham uma carro e tinham resultado na agricultura, mas tudo era muito sacrificado e ele decidiu vir investir nesta terra, com a esperança de mudar de vida: o sonho de realmente viverem bem, uma busca de melhoria efetiva. E eles se desligaram das dificuldades e olharam para o futuro. O incrível é que em meio a essas dificuldades havia um rio, este rio Cubatão, com 50 metros de largura, uma boa correnteza e um volume de água que crescia razoavelmente em épocas de cheia. Mas o Sr. João não viu esse obstáculo, ele viu o seu sonho!!

Na terra recém comprada já havia uma casa, de madeira e com telhas, melhor do que grande parte das casas de mais ou menos umas 100 famílias que moravam na região, que eram de bambu e palha. Mas de qualquer forma, não tinha luz nem água e o banheiro era a privada no quintal. Ficavam 2 semanas em rodeio e 2 semanas no Cubatão, porque aqui precisavam preparar a terra e plantar e lá já havia subsistência. Eram horas de viagem entre as duas propriedades e no caminho passavam no mercado para a compra dos mantimentos, na casa de ferragem, na agropecuária. Elaine, que em Rodeio já estava no pré, trazia conteúdos para estudar aqui durante as duas semanas que ficaria longe da escola…

Ah… mas e o rio? Então, Sr. João além da esposa e filha, veio com o irmão Vicente, e desde o começo, Vicente fez boa amizade com o Elizeu, filho do Sr. Moisés de Souza e a Dona Guilhermina, que moravam em frente ao rio. O Elizeu disponibilizou um espaço, fizeram uma garagem improvisada com plástico e o carro do Sr. João ficava ali estacionado, porque de carro não dava para atravessar, mas atravessavam de trator e de caminhão.

Logo começaram a plantar a banana e um ano e meio depois a primeira colheita. Foram plantando a terra pouco a pouco, começando com uns 5 hectares.

E o rio??? Atravessavam de trator, mas às vezes o rio tava alto… as bananas suavam, batiam umas nas outras, logo preteavam e perdiam o valor. Colocavam as bananas num barco, criaram um sistema de cabo de aço e corda, que fazia o barco atravessar sem precisar remar, apenas puxando com a corda, depois criaram um sistema ainda mais moderno, com dois ou três cabos de aço e roldanas… mas o barco não era bem vedado, às vezes tinha que tirar água com caneca, molhava as bananas… que luta! Do outro lado do rio ficava o caminhão do comprador, já com as caixas, que acomodariam e transportariam as bananas.

Pois é, isso até poderia ficar assim para os fracos! Mas não para os nossos heróis! João e Levino conversaram entre si, desenvolveram a ideia, sofreram um pouco com dúvidas e descrédito, por causa da correnteza do rio. Mas ousaram!!!

Sr. Levino até foi à Prefeitura conversar com o Prefeito da época para pedir ajuda, e aí ouviu do Prefeito uma pergunta: mas o que tem no outro lado do rio? Lá tem muita lavoura, contou! E convidou o prefeito para irem juntos de bateira atravessar e ver os bananais. O Prefeito foi… mas não conseguiu ajudar a fazer a ponte…

Pois é, era o ano de 1990. Um vizinho, Dr. Edson, cedeu uma madeira morta, que já havia sido cortada tempos antes, era tudo tora de peroba, araribá, canela, araçá, ipê. O Sr. Levino retirou e arrastou de trator com um guincho. Levaram para Garuva para serrar; para os mourões usaram só os cernes, plainaram, mandaram fazer de ferro no Rio Bonito as pontas que eram chapeadas e pregaram com prego grande na ponta de cada cerne para serem estaqueados no chão. Foram 38 mourões. As travessas também foram tiradas dessa madeira.

Tentaram alguém que viesse fazer um serviço de bate-estaca e não conseguiram ninguém que quisesse ser contratado para fazer o serviço, porque era na água. O Sr. Valdemar Chaves se dispôs a ajudar e conseguiu um da cidade em Guaratuba, que tava sem motor, jogado num capim. Tinha um peso de 500 kg. Sr. Levino emprestou o motor do Tobata. Improvisaram uma ponte flutuante para apoiar o bate-estaca e ficaram cerca de 7 semanas batendo. Entravam no rio com trator, amarravam com corrente e batiam as estacas. A ponte foi sendo feita em partes. Levaram quase um ano fazendo a ponte, sem pôr em risco suas atividades na lavoura, mas muitas vezes deixando-as só por conta dos empregados.

Então em janeiro de 1991 esses homens conseguiram o feito extraordinário de inaugurar uma ponte sobre o rio Cubatão, com sua própria força, seus próprios recursos, seu tempo, seu amor!

Agora, colocados ao lado da ponte nova do Cubatão, estão três dos 38 mourões usados na estrutura da ponte, o do meio inclusive mantêm um dos grampos e prego que o prendiam à parte de cima. Em cada mourão tem uma placa, uma com o nome dos homens que lutaram para que aquela ponte ficasse pronta, foram eles: Alceu Pabst, Antonio Costa Miranda – Seu Neno (in memorian), Antônio Mattos – Nico Jango, Claudio Freire, Deolindio Alves, Donato Costa, Elizeu Souza Lara (in memorian), Expedito Vitor de Lima, Ivo Spezia, Jaime Marques Pereira, João Costa Miranda – João Navalha – (in memorian), João Marques – Jango Marques, João Stolf, Joel Spezia, José Vitor de Mattos (Zuza), Levino Pabst, Moisés de Souza, Rubens Marques Pereira, Vicente Stolf (in memorian) e Zeni Miranda.

A Estrada

Foto da estiva na construção da Estrada da Limeira – Arquivo dos moradores

Mas para a comunidade a ponte era apenas um dos desafios, havia também uma estrada a ser construída. E aqui vai mais uma parte da nossa história! A abertura da estrada da Limeira, dando acesso até Morretes.

E aqui entra em cena um outro homem que não se deteve diante dos obstáculos, de nome Carlos Pabst, o Sr. Cali!

Em 1997 o Sr. Cali decidiu abrir os valos para drenar os brejos, usando 9 estivas de 9 metros, com um PC Comata 150. O operador era o Bentevi, que sabia operar aquela máquina sobre estiva como ninguém. Pra contratar o serviço, a despesa foi dividida entre 3 produtores. Na hora de abastecer a máquina, o diesel era levado em tambores de 100 ou 200 litros em cima de uma padiola e iam andando sobre o brejo. O irmão do Sr. Cali, o Hermes, dava um apoio puxando as estivas para levá-las à frente da máquina, à medida que as valetas iam sendo abertas.

Eram homens sem muito recurso, mas no vigor de seus 30 ou 40 anos, com sonhos e disposição, lutavam juntos, ainda que lhes custasse a carne dos ombros e a pele das mãos.

Num dos trechos da estrada, chamado Baixo da Farinha, usavam um bambu de 6 metros de comprimento para ver a profundidade da terra podre e ele afundava inteiro como se não tivesse nada embaixo.

Depois de um ano drenando foi que o caminho estava em condição de se tornar uma estrada. Então era a hora de pôr estivas com madeira de toda qualidade, uma pertinho da outra, no sentido horizontal, para tentar preencher ao máximo e deixar o chão firme. Sr. Cali lembra do Samuel da Veiga, e o suporte que ele e sua família deram para a estrada acontecer. Sr. Cali mais uns 4 ou 5 empregados ficaram hospedados por 45 dias sem ir pra casa, na casa do Samuel, cujas meninas iam na estrada levar as marmitas para ali comerem e não deixarem o serviço por nada. Samuel e a família ajudavam a carregar o combustível para a máquina.

Mais tarde, colocadas as estivas, era a hora de colocar o barro e o saibro em cima do estivado.

Enquanto estavam fazendo os valos para a drenagem, a comunidade foi falar com o prefeito, e ele respondeu: façam o dreno que a estrada eu faço, mas não apareceu mais. Em 1999 quando conseguiu passar pela primeira vez, tranquilamente com uma camionete de tração nas 4 rodas na estrada, Sr. Cali foi à Prefeitura e convidou o prefeito para ver o trabalho e ele foi e ficou impressionado com o que viu acontecer sem sua ajuda. Mas depois deu apoio para alguns serviços para manter e melhorar a estrada, inclusive do outro lado do rio.

E esse trabalho de manutenção tem acontecido e a Prefeitura tem sido parceira. Mas a comunidade do Cubatão continua fazendo sua parte de uma maneira espetacular. E o Sr. Cali, Sr. Beto e a Associação continuam firmes, indo onde muitas vezes o poder público sozinho não alcança.

Mas por que então hoje estamos inaugurando a nova ponte? É que nesses 28 anos e meio ela teve que ser reformada 4 vezes por causa das enchentes. Chegaram a tirar toda a prancha de cima e fazer tudo de novo. Em 2004 ou 2005, com um caminhão carregado de saibro, pra ficar pesado, foi amarrado um cabo de aço no caminhão e na parte de cima da ponte, no tabuleiro de madeira e ele foi sendo arrastado para a terra, de modo a sair de cima das estruturas, para ser desmanchado e as pranchas consertadas. Em 11 de março de 2011, a grande enchente levou parte da ponte. Foi o pior estrago. Agora, as travessas estavam apodrecendo, algumas quebradas e o pior, a estrutura já estava danificada.

Sr. Cali contou que chegaram a passar, no seu auge, com caminhão carregado de brita, cujo peso total chegava a 30 toneladas, com carreta carregada de banana, com peso total de 40 toneladas. Sr. João Stolf disse que chegou a passar com carreta carregada de bananas com 45 toneladas e que por agora, já não estava mais resistindo nem um caminhão truck de 24 toneladas. Com isso, precisavam deixar de novo o caminhão na estrada, e dar seis viagens de trator sobre a ponte, para encher o caminhão truck.

Ou seja, as famílias desta terra viam-se voltando ao passado, com extrema dificuldade no escoamento de sua produção de bananas, principal fonte de renda da região.

Uma Nova Ponte

Em 2017, já como Prefeito, Roberto Justus ouvia de muitas pessoas com quem conversava na cidade, um discurso contrário aos benefícios da área rural, dizendo que não valia a pena investir ali, que o povo é desunido, que havia muita reclamação. Foi conhecer realmente de perto as famílias, seu trabalho, seus problemas e se identificou com cada uma dessas pessoas. Viu homens e mulheres guerreiros, povo bom, lugar bonito, estrada boa. Ouviu essas pessoas, se convenceu das necessidades que tinham. Unificou seus pedidos, pensou num projeto maior. Se interessou na produção de cada um.

Havia um pensamento recorrente entre os prefeitos anteriores: “se eu tiver um bom dinheiro para investir, vou investir onde? No sítio ou na cidade? Claro que na cidade, onde muito mais gente vê.” Foi quase 1 milhão e 400 mil!! E Roberto teve a ousadia de investir esse recurso no sítio!

Não foi nada fácil!! Foram muitas críticas, o projeto era adequado às necessidades da população, adequado à demanda e principalmente adequado ao valor que o Governo do Estado poderia dispor.

O que deveria fazer um Prefeito, desculpar-se com a população, dizendo que já que não dava para fazer uma obra faraônica, uma ponte em que coubessem dois caminhões ao mesmo tempo, com guarda-corpo e passarela para pedestres, era melhor não fazer nada? Ou deveria enxergar exatamente aquilo que a população clamava e ansiava e realizar?

Ele realizou, ousou, e justamente aqueles homens que um dia construíram a ponte, foram os que se mantiveram firmes com ele, confiaram! E sofreram juntos!

E junto com o Roberto também, segurando as pontas, brigando por ele e por esta comunidade, convencendo o Governo, desvendando as verbas disponíveis, brigando conosco para não descuidarmos dos prazos, esteve o Deputado Nelson Justus, a ele nossa gratidão!”

Texto: Denise Lopes Silva Gouveia

Hora de reconhecer

Após a leitura, dra. Denise Gouveia conduziu uma série de homenagens. Segue o texto do cerimonial elaborado pela procuradora:

No dia 17 de agosto, quando já descerradas as placas de inauguração e oficialmente inaugurada a ponte pelo Prefeito Roberto Justus, Governador Carlos Massa Ratinho Junior e o Deputado Nelson Justus, a comunidade e tantos convidados se reuniram novamente para o prosseguimento da cerimônia. Fizeram então uso da palavra o Sr. Alaor de Oliveira Miranda, a Sra. Elaine Stolf, o Sr. Marcio Scholz, presidente da ASPAG – Associação Pro-Agricultura Sustentável de Guaratuba e o Sr. Paulo Pinna, Secretário Municipal das Demandas da Área Rural. Então a Dra. Denise Gouveia contou a história que transcrevemos acima.

Após esse momento, em nome do Município e da própria comunidade, ela convidou para ficarem em pé, à frente: o Sr. João Stolf, o Sr. Levino Pabst, o Sr. Carlos Pabst, a Sra. Elisabeth Steuck Costa – cujo marido – Sr. João Miranda Costa, conhecido como João Navalha, faleceu infelizmente, dois meses antes de ver seu sonho completamente realizado, o Sr. Alaor de Oliveira Miranda, cuja força nos fez mais resistentes, o Prefeito Roberto Justus e o Deputado Nelson Justus. Cada um recebeu placas contendo palavras de gratidão e reconhecimento.

Houve também uma demonstração de gratidão aos servidores do Município, os engenheiros e todo o pessoal do urbanismo, os da licitação e do jurídico, todo o pessoal das finanças e do Controle Interno porque pra conseguir recursos é preciso ter certidões negativas e os valorosos servidores de duas Secretarias: Obras e Demandas da Área Rural que seja na última reforma da ponte, no início deste ano ou durante o apoio na construção e nessa fase final foram incansáveis em trabalhar!

A procuradora-geral ainda concluiu: “Senhores, o tempo foi longo, mas não poderia passar em branco tudo o que vimos aqui. Quero ainda dizer que durante as entrevistas que fiz e as minhas vindas ao Cubatão fui ficando emocionada com o valor que vocês têm como pessoas e principalmente como cidadãos. Vocês lutam, não ficam de braços cruzados esperando que as coisas aconteçam. Vão buscar!

Quero ressaltar também com o papel executado pelas mulheres desta terra e quero citar algumas mulheres que peço para virem a frente, à medida que forem citados seus nomes. Me impressionei com: 1) a doçura e a força com que a Áurea Lara nos recebeu, as tentativas que fez para achar as fotos que precisávamos e quando já estávamos indo pro carro ela veio correndo com uma última foto em mãos, falando com dificuldade de coisas do tempo em que o marido era vivo. Fotos que estão no banner e numa das placas da ponte; 2) com uma menininha de 4 anos, mocinha, uma jovem mulher, segura de si, agrônoma formada pela UFSC, que faz tanta diferença nos negócios do seu pai, nos seus próprios negócios e em prol da comunidade – Elaine Stolf. 3) Também me impressionei, sem ao menos conhecer, com a Dona Ruth Pabst, pois quando chegamos para falar com seu marido, apesar de seus 77 anos, ela estava na roça, dando comida às vacas no final da tarde; 4) Com a Neia, ah… o sorriso, a amabilidade e os bolos da Neia! Aquela sede da Secretaria de Demandas, cheia de gente e a Neia sempre pronta, atendendo a todos com gentileza e simpatia! 5) E me impressionei muito, finalmente, com a Sra. Édela Pabst, ouvindo as palavras de seu marido, Sr. Cali: “Quem deu realmente condições para que eu fizesse tudo o que fiz foi a minha esposa. Ela cuidou dos 5 filhos pequenos, do bananal, das vacas, da casa. Fiscalizava e atendia os empregados, pondo a mão na massa o tempo todo, preparava comida a noite, para levar quando a gente estava na estrada. Do começo até a conclusão das estradas foram mais de 2 anos e meio e ela estava ali”.

Por isso convido essas valorosas mulheres a receberem nossa homenagem.

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