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Gaivotão é solto depois de 22 dias de reabilitação

No dia 15 de dezembro a equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR recebeu no Centro de reabilitação de fauna marinha, em Pontal do Paraná, um gaivotão  juvenil com suspeita de intoxicação pela toxina botulínica.

De acordo com os técnicos, este tipo de intoxicação pode ocorrer pelo consumo de alimento contaminado por toxinas produzidas pela bactéria Clostridium botulinum. A toxina bloqueia a comunicação entre os neuroreceptores, levando o animal a apresentar sinais clínicos como: flacidez muscular, asas pendulares, movimentos restritos dos membros pélvicos e da língua (dificultando a deglutição); além dificuldade respiratória, que pode estar associada a pneumonia por infecção secundária.

O gaivotão (Larus dominicanus) chegou com sintomas mais “leves” e, após uma combinação de tratamentos médicos, alimentação adequada e saudável, conforto térmico/sonoro, apresentou melhora significativa. Após a estabilização do quadro de saúde, o animal foi colocado em recinto externo com piscina e foram realizadas sessões de hidroterapia e banho de sol.

Todo este cuidado contribuiu para uma boa e rápida evolução clínica. Durante o decorrer dos dias o gaivotão passou a executar comportamento de higienização, arrumação e impermeabilização das penas, também entrada e saída da piscina de forma voluntária, melhorou o apetite e começou a alçar voos dentro do recinto.

Após apresentar características comportamentais e clínicas de boa condição de saúde a ave recebeu alta médica, sendo então anilhado para identificação na natureza (anilha CEMAVE S28058). Nesta segunda-feira, dia 6 de janeiro, o animal foi transportado para a praia de Pontal do Sul para a primeira tentativa de soltura. Na praia havia um bando da mesma espécie e imediatamente após a soltura, o gaivotão alçou voo e foi acolhido por este grupo.

O Centro de reabilitação, despetrolização e análise de saúde de fauna marinha (CRD) é parte do Centro de Estudos do Mar, Campus Pontal do Paraná da UFPR, e é coordenado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação – LEC. As atividades de monitoramento, resgate e atendimento da fauna são realizadas pelo LEC via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

O PMP-BS é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O Laboratório de Ecologia e Conservação LEC/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba.

Caso você aviste uma tartaruga, golfinho ou ave marinha morta ou debilitada entre em contato com a nossa equipe através do telefone: 0800 642 3341.

Fonte: LEC/UFPR

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