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Assentados que fornecem merenda de Guaratuba, Garuva e Joinville são modelo para a FAO

O assentado Airi Mossi
O assentado Airi Mossi

Fornecedores de parte da merenda de Guaratuba, assim como de Garuva e Joinville, são modelo para projeto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Os agricultores do assentamento Conquista no Litoral, de Garuva, vão receber na próxima semana uma comitiva da FAO com representantes de 15 países. O conhecimento dos assentados servirá de exemplo para o projeto de Fortalecimento dos Programas de Alimentação Escolar, marco da Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome até 2025.

Coletividade e agroecologia

O assentamento Conquista no Litoral é composto por 13 famílias que produzem alimentos de forma coletiva e agroecológica. Boa parte é comercializado na merenda escolar dos três municípios próximos através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

“Sobreviver na agricultura de forma picada, sozinho, é difícil, por isso escolhemos o coletivo”, explica a assentada Eliana Brunetto, hoje responsável pelo refeitório onde todos compartilham as refeições. “Acompanhei o início do assentamento e hoje é bonito ver os frutos, a união das famílias trabalhando. É uma honra fazer parte dessa história e ter todo o nosso hortifruti da merenda vindo daqui”, conta Silvana Mews, nutricionista do município de Garuva.

Aula no campo

De acordo com a Superintendência do Incra em Santa Catarina, os agricultores já têm sido um modelo de consciência ambiental e cooperativismo para escolas de Garuva e Joinville.

“No ano passado, cerca de 40% da alimentação dos mais de 3 mil alunos distribuídos em 12 unidades escolares do município veio deste assentamento e trazemos as crianças aqui para aprender com eles”, revela Adriane Moecke Galando, secretária de educação de Garuva.

Esse aprendizado tem início nos métodos empregados para que o assentamento produza de 150 a 280 caixas de hortaliças por dia utilizando apenas adubo orgânico e preservando 85% da área de Mata Atlântica.

Mas também passa pela conquista da terra através da reforma agrária e pela forma de organização dos assentados, que dividem todo o trabalho e os lucros e são associados à Cooperativa Regional de Industrialização e Comercialização Dolcimar Luis Brunetto (Cooperdotchi).

Exemplo transformador

Alunos da Escola Estadual Giovani Faraco, de Joinville
Alunos da Escola Estadual Giovani Faraco, de Joinville

“Eles tem muito o que ensinar, por isso trabalhamos aqui as disciplinas de biologia, história e sociologia”, explica Marjorry Monteiro, professora que acompanhou a visita ao assentamento de três turmas de ensino médio da Escola Estadual Giovani Faraco, de Joinville.

Karina Zoellner, estudante do 2º ano, revela que a visita transformou seu conceito do que é um assentamento. “Tinha uma visão diferente, pensava nos conflitos por terra que a gente vê na televisão, mas descobri que eles são muito organizados e tem um sistema legal de produção”, conta. Seu colega Lucas Silvério também se revelou transformado com a experiência. “Vim um e volto outro, inspirado a trabalhar em grupo, com os amigos”, destaca.

Com dezoito anos de história, o assentamento Conquista no Litoral dá prova de maturidade, garantindo a qualidade de vida de seus moradores e da população local através de seus alimentos sadios. “Já atingimos a maioridade e continuamos a trabalhar com a vitalidade de sempre”, comemora o assentado Airi Mossi.

Cooperativa de Produção Agropecuária Conquista

Em 2013, os assentados criaram a Cooperativa de Produção Agropecuária Conquista (Cooperconquista), que também reúne agricultores familiares da região.

O assentamento Conquista no Litoral é destaque pela sua elevada produção de frutas, legumes e verduras. Mesmo estando localizado numa área de mata atlântica, o que exige a preservação de 80% dos 93 hectares que compõem o assentamento, as famílias têm uma produção estimada de 1,6 mil quilos de hortifrutigranjeiros por dia, o que representa 48 mil quilos ao mês. Diante da demanda do mercado e dos limites legais para o cultivo no assentamento, os agricultores ainda arrendam duas outras áreas para o cultivo, fator que amplia a renda das famílias.

Entre os objetivos da Cooperativa estão a coordenação da produção agropecuária dos associados e a organização da comercialização de produtos agrícolas ou industrializados por meio de estabelecimentos próprios, mercados institucionais e supermercados e feiras da região.

A Cooperconquista pretende, também, fomentar e investir em atividades econômicas, culturais e ecoturismo, sempre com a finalidade de gerar renda para as famílias associadas, além de investir na formação, capacitação, escolarização e organização dos associados, tendo sempre em vista a cooperação e a racionalização dos meios de produção.

Fonte: Incra-SC
Fotos Vanessa Ibrahim/Incra-SC
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