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Projetos colocam Guaratuba de novo de frente para a baía

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Principal obra, o Terminal Turístico Pesqueiro, obra de quase R$ 900 mil deve ser licitado em dezembro

São Luís de Guaratuba da Marinha nasceu e se desenvolveu às margens da baía. Quando o governador da Província de São Paulo Dom Luís Antônio de Souza Botelho Mourão acatou o lugar escolhido por seu sobrinho e ajudante de ordens Afonso Botelho de San Payo e Souza para erigir a Vila, ao sul da baía em uma enseada já denominada Guaratuba pelos indígenas, escreveu-lhe, em 14 de abril de 1767: “Assim tornará Vmce. a ir ver aquela paragem e examinará fundamentalmente o sítio para se fundar a povoação porquanto me parece muito melhor esse da parte do sul, por muitas vantagens: a 1ª pelo sítio que Vmce aponta ser capaz de conter uma cidade, a 2ª pelo seu porto sossegado e abrigado dos ventos para facilitar o comércio, a 3ª pelo fundo dela (baía de Guaratuba) ser capaz de conter grandes navios e permitir o desembarque junto à praia, a 4ª por ficar virada para o sol”. (Joaquim da Silva Mafra, 1952)

Se reduzirmos os 243 anos do município fundado em 1771 a um único dia para mensurar quanto a baía faz parte da sua história, não faz nem 4 horas que a cidade voltou-se para o mar dos turistas – os banhos de mar começaram na década de 1920, mas só nos anos 70 é que o turismo se tornou uma atividade econômica importante.

É um pouco mais recente o fenômeno de interiorização da cidade, com a criação de bairros e o deslocamento de moradores do centro e a expulsão de boa parte dos pescadores da orla marítima – coisa de 2 horas. Nos últimos três ou quatro anos, ou 20 minutos, várias iniciativas da Prefeitura visam inserir a baía no espaço urbano.

Nos últimos dois meses (1 minuto atrás) terminais e trapiches foram assuntos frequentes na Câmara de Vereadores da cidade. Um novo projeto foi conhecido nesta semana, um trapiche no final da da avenida Sete de Setembro.

O que separa também une

Guaratuba nunca ficou totalmente de costas para sua baía. É por ela que trafegam boa parte dos visitantes e moradores por meio do ferryboat. A baía margeia dois bairros populosos e populares – Piçarras e Mirim – e divide outros dois – Prainha e Cabaraquara – do centro da cidade. Também é fonte de renda e via de acesso para mais de um milhar de pescadores e uns poucos barqueiros. Dependendo da situação, separa ou une comunidades agrícolas e extrativistas afastadas. Também é um atrativo turístico o ano inteiro para os pescadores amadores.

Na vida urbana, a tragédia do desabamento de um trecho de sua margem em 1968 marcou a decadência da baía como centro da cidade. Entre as casas e prédios públicos que ruíram ou foram condenados, ficava a sede da Prefeitura. Ela então mudou-se mais para perto do mar.

Urbanização dos bairros

Uma nova fase de interiorização foi desencadeada pela administração da prefeita Evani Justus, que desde 2011 para cá vem asfaltando de dezenas de quilômetros de ruas e, neste ano, termina a construção de uma unidade básica de saúde e até uma supercreche, ambas do governo federal, “mais para dentro”.

É justamente esta administração que faz as ligações internas que desenvolve três importantes projetos para reinserir a baía na vida urbana. Simultaneamente, estão em andamento os projetos de uma carreira pública de barcos para os pescadores no bairro Piçarras, um Terminal Turístico e Pesqueiro na Praça dos Namorados e uma Base Náutica.

Carreira de Barcos – A carreira fica em um terreno que era usado pela extinta Cooperativa dos Pescadores Artesanais do Litoral do Paraná (Coopescar) e que estava em nome de uma imobiliária. A prefeitura acabou retomando o uso público através de uma concessão dada pela Superintendência do Patrimônio da União no Paraná, órgão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. A empresa ocupante ainda tenta reverter a situação na justiça mas a administração garante que o caso está resolvido. De acordo com a prefeita, as obras da carreira devem começar ainda em 2014.

???base-atualBase Náutica – Outro importante projeto é a construção de uma base náutica turística no lugar do histórico Mercado Municipal, onde moradores das comunidades rurais traziam pela baía seus produtos para comercializar e onde a cidade tinha um importante ponto de encontro.

A base foi anunciada em dezembro de 2012 pela então ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann e faz parte de um programa do Ministério do Turismo que inclui Paranaguá e Pontal do Paraná. Os recursos para o projeto e a obra são de R$ 892.000,00 sendo R$ 802.800,00 de repasse do governo federal e R$ 89.200,00 de contrapartida do município. A supervisão do projeto ficou a cargo do Governo do Paraná por meio da Secretaria de Estado do Turismo, hoje um departamento da Secretaria do Esporte e do Turismo.

O dinheiro já foi depositado em uma conta específica na Caixa Econômica Federal. A obra está em trâmite na EcoParaná, órgãos do governo estadual.

terminal-turistico5terminal-turistico6terminal-turistico4Terminal Turístico Pesqueiro – O terceiro projeto em andamento é o Terminal Turístico Pesqueiro na praça dos Namorados. A obra é fruto de uma emenda do deputado federal Angelo Vanhoni (PT) ao Orçamento do Ministério do Turismo. São R$ 895.408,16, sendo R$ 877.500,00 do governo federal e R$ 17.908,16 de contrapartida da Prefeitura. O repasse também já está depositado em uma conta específica.

A licitação para a obra deverá acontecer em dezembro deste ano.

De acordo com a justificativa do projeto feito em conjunto pelas secretarias municipais de Turismo e Cultura, Meio Ambiente e pelo de Cartografia e Geoprocessamento da atual Secretaria de Governo, Urbanismo e Administração, o terminal terá sanitários, praça de alimentação e vai fornecer informações, serviços de guias e até mesmo serviços de venda de iscas aos turistas que praticam a pesca esportiva. Servirá de apoio a guias de pesca e embarcações de aluguéis. Dentro do terminal haverá um espaço para fomentar o artesanato local.

Trapiches – O mais recente projeto de acesso público à baía foi tornado público na sessão da Câmara desta segunda-feira (18).

Um projeto para construção de um trapiche no enrocamento instalado na baía de Guaratuba na altura da avenida Sete de Setembro foi um dos principais assuntos da sessão da Câmara desta segunda-feira (18).

Respondendo a uma sugestão encaminhada pelo no dia 4 pelo vereador Mauricio Lense à Secretaria de Turismo e Cultura, o líder da prefeita na Câmara, Laudi Carlos de Santi “Tato”, e o presidente Mordecai Magalhães de Oliveira apresentaram um projeto da obra elaborado em abril de 2013 na gestão do ex-secretário Vandir Esmaniotto e da ex-diretora Nilsa Borges, hoje secretária do Bem Estar e Promoção Social.

Tato e Oliveira sugeriram que todos os vereadores busquem apoio dos deputados e candidatos a deputado para conseguirem verbas para a obra. O vereador Raul Chaves comentou que o enrocamento foi construído pelo Iate Clube de Guaratuba, com autorização do município e da União. Sua função, explicou o vereador, é reduzir a força da maré e evitar a erosão na marina do clube.

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