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Moradores de Antonina protestam por falta de atendimento de saúde

10703631_710165495741807_1529647812461704550_n“Crianças estão sendo encaminhadas para Paranaguá. Até o filho do prefeito nasceu em outra cidade no início da semana passada.” – Leia reportagem de Oswaldo Eustáquio, da Gazeta do Povo.

Os moradores de Antonina se reuniram neste domingo (28) e fizeram uma manifestação com o objetivo de pedir melhores condições para a saúde pública da cidade. Cerca de 150 manifestantes participaram de uma caminhada que saiu de frente da antiga maternidade, que fica no caminho do Porto, em direção às novas instalações do Hospital Sílvio Bittencourt de Linhares, que está pronto, mas que ainda não foi aberto ao público por falta de equipamentos.

De acordo com um dos manifestantes, o comerciante Eliseu Trancoso, o município está sem qualquer serviço de pediatria e obstetrícia. “Hoje em Antonina não nasce ninguém. Esta é a primeira manifestação de outras que virão se a saúde não passar por melhorias. Na sexta-feira, uma moça entrou em trabalho de parto e quase passou da hora para a criança nascer. Para ter o bebê, ela precisou ir para Morretes porque o serviço não está mais sendo oferecido aqui”, afirmou.

Uma das manifestantes Tamara Trancoso, de 20 anos, é gestante e está de 40 semanas. O nascimento da sua primeira filha estava previsto para o sábado (27); e a falta do serviço de obstetrícia desde o dia 25, tem a deixado muito preocupada.

“É muita indignação. Liguei para o hospital onde eu venho fazendo o pré-natal e mandaram eu me virar. Para ter minha filha tenho que sair de Antonina. Era para eu ter consulta do pré-natal nesta segunda-feira (29) e agora está tudo incerto. Eu não tenho como sair da cidade e como pagar um parto. Não sei o que fazer. O jeito é orar e pedir a Deus para que a minha filha não nasça sem antes esta situação estar resolvida”, disse ela. Ainda de acordo com Tamara, há um alto índice de gestantes na cidade. “O que mais tem aqui é mulher grávida. Tenho amigas grávidas, minha cunhada é gestante também e não podemos ficar sem o atendimento no nosso município”, disse ela.

A dona de casa Sibelly Caroline, uma das organizadoras do protesto, contou que o atendimento de saúde da cidade está precário. “Não estão mais atendendo crianças no hospital. Hoje, se uma criança ficar doente em Antonina, tem que levar para Paranaguá”, disse. Ela contou que os partos não estão sendo mais realizados na maternidade local. De acordo com Sibelly, na semana passada nenhum antoninense nasceu na cidade, inclusive o filho do prefeito João Domero nasceu em Paranaguá no início dessa semana.

Em 2011 o único hospital da cidade foi demolido sob a promessa da construção de um novo. A partir daí, o atendimento provisório de saúde dos antoninenses tem sido a antiga maternidade, que fica no caminho do Porto, mas de acordo com manifestantes, não há médicos suficientes para o atendimento à população. O novo hospital, que custou quase R$ 4 milhões, já está pronto, mas ainda não foi aberto ao público por falta de equipamentos.

Crise e má gestão na saúde

A empresa terceirizada responsável pelo atendimento médico na cidade rompeu o contrato com o município por falta de pagamento e por esta razão a cidade está sem atendimento nas especialidades de pediatria e obstetrícia há mais de uma semana.

De acordo com informações da Prefeitura de Antonina, a situação chegou a esta situação devido a má gestão realizada neste ano pelo ex-secretário de Saúde do município José Luiz Velozo. Por essa situação, ele e um diretor da secretaria foram afastados do cargo e uma comissão interventora foi nomeada para investigar eventuais gastos desnecessários e irregularidades na gestão da pasta. O relatório deve ficar pronto nesta semana.

A reportagem da Gazeta do Povo tentou contato por telefone com o secretário afastado, mas até o fechamento desta reportagem Velozo não atendeu o telefone celular.

Em comunicado, o site da Prefeitura de Antonina informa que os serviços de obstetrícia e maternidade estão suspensos devido a ausência de condições sanitárias que permitam atendimento adequado. O texto informa que todos os partos estão sendo direcionados para o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá. E que o acompanhamento pré-natal é prestado pelo programa Mais Médicos, nos postos de saúde do município.

Texto: Oswaldo Eustáquio / Gazeta do Povo – http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1502213&tit=Moradores-de-Antonina-protestam-por-falta-de-atendimento-de-saude
Foto: Fala Antonina – https://www.facebook.com/pages/Fala-Antonina/571056312986060
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