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Litoral do Paraná livra papagaio-de-cara-roxa da extinção

O trabalho de proteção do papagaio-de-cara-roxa no Litoral do Paraná acaba de retirar a espécie da lista de ameaçadas de extinção.

A relação foi divulgada no dia 17 de dezembro pelo Ministério do Meio Ambiente e atualiza a lista feita em 2003. São 170 espécies que saem da lista e 720 que entraram, totalizando 1.173 espécies ameaçadas – o motivo principal é o aumento no número de espécies pesquisada, de 1.137 para 12.256. Foram avaliados 100% das aves, mamíferos, anfíbios e répteis brasileiros. O Ministério do Meio Ambiente conseguiu avaliar 100% dos mamíferos ou das aves brasileiras. A situação é diferente em relação ao invertebrados. Apenas 3% dos invertebrados terrestres e 1% dos invertebrados aquáticos foram avaliados.

O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) esteve sob risco de ser extinto menos devido a sua captura do que à destruição de seus habitat e desmatamento onde ocorre o guanandi (Calophyllum brasiliense), árvore por eles utilizada como dormitório e para fazer seus ninhos.

A ave é endêmica da mata atlântica, mas ocorre somente nos estados de São Paulo e Paraná. Mas foi na região de Guaraqueçaba, no Paraná, que ele começou a ser salvo. Em 1998, pesquisadores começaram a monitorar a espécie e em 2003 começaram a colocar ninhos artificiais para facilitar a reprodução segura de filhotes. Ninhos feitos com madeira e PVC. De 872 ninhos, 520 tiveram sucesso.

A população atingiu 6.500 indivíduos e ocorre em uma área de quase 50 unidades de conservação decretadas ou reconhecidas, no caso de RPPNs. Apesar da exclusão da lista oficial, alguns cientistas duvidam de que o resultado seja duradouro.

De acordo, com a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua, presidente da Associação O Eco, a recuperação da espécie “nunca teria ocorrido sem o prévio estabelecimento de numerosas unidades de conservação na região, ou seja, nas costas do Paraná e São Paulo, principalmente as insulares, como o Parque Nacional do Superagui, a Ilha do Mel e do Pinheiro, a Estação Ecológica de Guaraqueçaba, o Parque Estadual da Ilha do Cardoso e a APA de Guaraqueçaba”. Segundo a pesquisadora, “isso é mérito do governo federal e em especial do estadual”.

“O sucesso se deve assim mesmo ao esforço e sacrifício de muitas pessoas, dentre elas a seriedade e o comprometimento de Guadalupe Vivekananda, diretora do Parque Nacional de Superagüi, para quem a defesa do papagaio é uma parte da sua luta incansável para conservar o Parque. E, como sempre, o êxito também se deve aos guarda parques, aos trabalhadores e à crescente participação e consciência ambiental de muitos – embora ainda não de todos os vizinhos das áreas protegidas onde o papagaio vive”, afirma Maria Tereza.

Com informações do Ministério do Meio Ambiente, “O Eco” e Revista Época
Fotos: SPVS
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