Correio do Litoral
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Perguntadores Compulsivos

Por quê?  Por quê? Por quê?

As crianças nos colocam na parede todo o tempo buscando respostas que nos deixam com a sensação de nunca termos pensado naqueles assuntos antes. A enxurrada de questões tão absurdas para nós e tão lógicas na cabeça infantil me fazem acreditar que devemos manter, no nosso dia-a-dia, esta curiosidade ingênua. Meu sobrinho João Henrique me encarou e mandou: – Onde termina o trilho do trem? Dei um turbo no cérebro e simplesmente retruquei: – Você quer ir lá? Já se passaram décadas e nós dois não chegamos no fim do trilho.

Como vale a pena o questionamento. Nada teria sentido se alguém não colocasse a cabeça para funcionar. O que seria da evolução?

Passando essa fase cuti-cuti, muitos adultos continuam com perguntas que definitivamente não nos levam a lugar nenhum. Tem o que faz pergunta idiota para humilhar. Pergunta o óbvio para mostrar que você não sabe se comunicar. Uma coisa sádica e já chorei muito por conta disso. Resolvi que vou devolver como se fosse um bumerangue.

Na praia.

Pergunta: – Chegou quando? Vai embora quando?

Resposta: – Você trabalha no pedágio? Precisa entregar um relatório?

Falta de assunto.

Pergunta: – Oi! Tudo bem? E daí?

Resposta: – E daí que estou sem tempo agora.

Pergunta e responde para si mesmo. Grau máximo de um perguntador compulsivo.

Pergunta: – Oi, tudo bem com você? Puxa que bom que você está bem. E com a saúde tudo bem? Que bom. E a família tudo em ordem? Que bom que está tudo em ordem.

Resposta: – O silêncio de quem está pasma e nada resta a responder.

Não entendo para que serve fazer uma pergunta se não interessa a resposta a ser ouvida. Cada vez que me deparo com esses tipos penso imediatamente em criar um grupo de Perguntadores Compulsivos Anônimos (PCA). Uma grande roda que todos perguntam ao mesmo tempo, afinal ninguém quer minimamente conhecer as respostas. Imaginem o alívio que isto traria nas nossas vidas. Usaria também um sistema de encaminhamento por telefone onde seria garantido o sigilo absoluto da denuncia. Bem simples. Eu mesma ligaria e passaria vários nomes para que fossem conduzidos ao grupo e definitivamente me errassem. Caso típico de solidariedade, oras. Me dá uma vontade enorme de responder tudo nos mínimos detalhes. Como se fosse um relato do meu querido diário. – Acordei às 5 da manhã, passei café e tomei. Liguei o computador e blá, blá, blá. Só terminaria o assunto, lá pela meia noite, quando finalmente desligo o computador. Será que o perguntador teria disposição para ouvir tudo o que faço, incluindo o tanque?

Então, vamos pensar quais as perguntas e respostas que queremos ouvir. Sinto muito, mas o resto é perfumaria e não dá para perder tempo.

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