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Governo não paga diárias e arrisca segurança no Carnaval

Foto: Gustavo Aquino / Correio do Litoral

Bombeiros e policiais militares saíram em passeata na noite deste sábado (7), em Guaratuba, para cobrar as diárias do Governo do Paraná. Foi a segunda manifestação do dia na avenida 29 de Abril – pela manhã foram os professores estaduais – e a primeira da categoria em 21 anos.

O ato foi comandado pelos guarda-vidas e teve a participação de outros bombeiros e policiais militares deslocados de diversas cidades do Estado para a Operação Verão. Eles estão sem receber diárias que deveriam ser pagas no dia 15 de janeiro. A maioria enfrenta dificuldades em pagar hospedagem e até alimentação.

Foi o primeiro ato dos guarda-vidas da Operação Verão desde 1994, quando eles fizeram um protesto apelidado de “dos descamisados”. Na época, eles cobravam a “ajuda de custo” combinada e foram trabalhar na areia sem a camiseta do uniforme. As diárias só foram regulamentadas em 2004 por decreto 3498/04 do governador Roberto Requião.

A última manifestação dos policias militares aconteceu em janeiro de 2012, quando levaram faixas para a tradicional corrida Volta de Guaratuba. Eles cobravam direitos que o governador Beto Richa havia retirado.

 

Vigilância 

O protesto deste sábado aconteceu depois que os representantes da categoria entraram com um pedido de habeas corpus preventivo na Justiça Militar. Eles temiam ser presos. O juiz Davi Pinto de Almeida negou o pedido por “não vislumbrar hipótese de ameaça de violência ou coação à liberdade de locomoção”. Também afirmou que não devem haver “obstáculos à participação em manifestação pacífica” e “perseguições posteriores pelo simples fato de terem participado de atos públicos ordeiros”.

Não houve ameaça de parte dos comandos e do governo, mas, segundo os manifestantes, pelo menos dois policiais do serviço de inteligência acompanharam a movimentação. Um veículo VW Gol branco com placas de Curitiba parado na rua Padre Bento fora da distância mínima da esquina com a av. 29 de Abril foi apontado como a “viatura” dos “espiões”.

 

“Bombeiro na rua, Governo a culpa é sua”

Pacífica e ordeira, e ainda com pequeno número de participantes, a manifestação chamou a atenção das pessoas na principal rua de Guaratuba, ainda cheia neste final de temporada. As palavras de ordem “Bombeiro na rua, Governo a culpa é sua” e “Parou por que, por que parou: porque o Beto não pagou”, hinos dos bombeiros e da Polícia Militar eram entoados em ritmo marcial.

Não faltaram as músicas e falas de motivação usadas pelos militares em corridas e exercícios. Uma manifestação rara na harmonia e no volume de voz. O percurso entre a Praia Central e a Praça Central (praça Cel Alexandre Mafra), em ritmo quase de marcha, foi feito em poucos minutos. O público buzinou, aplaudiu, assoviou e fotografou com câmara e celulares, fez selfies.

 

Corta na semana do Carnaval

Cerca de 500 bombeiros e 300 policiais militares foram deslocados para o Litoral nesta temporada. Eles deveriam permanecer até o dia 22 de fevereiro, no domingo após o Carnaval, como acontece há vários anos. O governo já vinha diminuindo a quantidade de policiais – os números exatos não são revelados – e agora antecipou a final para o dia 18, a Quarta-feira de Cinzas. Quem quiser permanecer ficará como voluntário e poderá dormir e se alimentar nos quartéis.

Segundo um bombeiro ouvido pela reportagem, em Guaratuba, por exemplo, são 116 guarda-vidas distribuídos em 29 postos com dois em cada um dos dois turnos. Com a equipe de apoio, o efetivo atuando é de quase 150 profissionais. Segundo a fonte, os banhistas que vão esticar o feriado de Carnaval na praia não vai poder contar com a segurança de mais do que 30 guarda-vidas.

 

Podem parar no Carnaval?

Os dois líderes da manifestação – soldado Henri Francis Ternes de Oliveira, presidente da União das Praças do Corpo de Bombeiros (UPCB) e sargento Bento Eliseo Aleixo, vice-presidente da Associação dos Militares Estaduais do Paraná (Amep-Vanguarda) – não descartam uma paralisação durante Carnaval, e ressaltam que se vier a ocorrer será em decorrência da situação precária dos profissionais causada pelo Governo do Estado.

Na sexta-feira (6), o secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Fernando Francischini, informou que o governador Beto Richa prometeu fazer os pagamentos até quarta-feira (11).

Os profissionais não têm certeza do cumprimento da promessa, já que as diárias da segunda quinzena de dezembro, que deveriam ser pagas no dia 15 daquele mês acabou sendo adiada por diversas vezes, e acabou sendo depositada só no dia 20 de janeiro. Se houver pagamento, temem que o governo deposite apenas o valor dos 15 dias de janeiro e deixe de pagar os dias de fevereiro. De acordo com a lei, as diárias devem ser pagas no início do período.

 

Risco à segurança

Além de atrasar as diárias, bombeiros e policiais denunciam que muitos não receberam o 1/3 de férias e que há cerca de um ano o governo não cumpre promoções e vantagens legais como o “quinquênio”. Também denunciam que o governo não paga os salários corretos de policiais promovidos. Desta forma, muitos profissionais que receberam graduação de cabo, recebem como soldado. Sargentos estão recebendo como cabos e assim sucessivamente. O governo também tem deixado de promover os mais antigos, denunciam.

Toda esta situação vivida dentro a Polícia Militar está afetando a segurança, consideram os manifestantes.

Ao final da passeata, reunidos em círculo na Praça Central, Henri Francis comentou que a categoria luta por mais do que diárias, “mais do que dinheiro”. “Estamos defendendo um serviço de qualidade e a vida dos policiais e de toda a população”. Ao final rezaram um “Pai Nosso” em homenagem ao policial militar ferido durante a semana em Curitiba. A oração também foi dirigida a todos os policiais a toda população vítima da falta de segurança.

 

 

 

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