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Guaratuba mantém mutirão e comemora encontrar menos lixo da baía

André Oliveira, Ariel Mendonça, Vinicius Acácio Mendes, Gustavo Tauchen e o repórter tiveram de procurar muito para encher um barco de resíduos (Fotos: Gustavo Aquino / Correio do Litoral)

O Instituto Guaju e os demais organizadores do tradicional mutirão apostaram no bom tempo e a limpeza na baía e nas praias de Guaratuba foi mantida na manhã deste sábado (18). Devido à previsão de chuva, o evento, marcado para este Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias foi cancelado em todo o restante do Litoral do Paraná. 

Em um dos pontos da baía, no rio Boguaçu, o barco onde a reportagem do Correio estava enfrentou uma chuva que durou menos de 1 minuto. Sem calor, vento ou frio, foi um dia perfeito para a atividade.

A teimosia dos organizadores e dos cerca de 220 voluntários resultou em 6 toneladas de lixo retiradas da natureza em quatro horas. O número foi comemorado porque, apesar de ampliar a área coberta, o 13° Mutirão de Limpeza da Baía de Guaratuba recolheu menos que na última edição. Em 2019, foram recolhidas 7 toneladas apenas na baía – em 2020 não teve por causa da pandemia. Desta vez, a limpeza também foi feita em 8 pontos da orla marítima, entre Caieiras e a Barra do Saí. 

A divisão dos grupos também ajudou a seguir os protocolos de saúde, a atender a preocupação de espalhar as pessoas e evitar aglomerações, inclusive com a descentralização em diversas embarcações e a concentração do lixo recolhido no barco Marlin, com poucas pessoas embarcadas. 

Parcerias

Na abertura do mutirão, o coordenador do Instituto Guaju, Fabiano Cecílio da Silva, agradeceu o apoio decisivo dos parceiros como a Prefeitura, o Instituto Paranaense de Reciclagem (InPAR) e o Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), que trouxe 48 voluntários de Curitiba. Ele destacou a disposição dos voluntários, entre eles os que emprestaram ou vieram pilotando seus barcos. Foram 20 barcos, além de caiaques e canoas havaianas.

O prefeito Roberto Justus também agradeceu as parcerias e o grande número de pessoas envolvidas na ação, “o que mostra a grandeza do projeto e a importância dele para todos nós da nossa cidade de Guaratuba, pro Litoral, pro planeta”. A secretária municipal do Meio Ambiente, Adriana Fontes, lembrou o trabalho de conscientização que vem sendo feito e da expectativa, confirmada, de haver menos lixo a ser recolhido, o que acabou se confirmando.

No rio afora, mangue adentro

Essa quantidade menor de lixo pode ser confirmada também pela equipe que estava no barco da marina Tauchen e que a reportagem do Correio acompanhou: o mestre Gustavo Tauchen, André Oliveira, Ariel Mendonça e Vinicius Acácio Mendes. O grupo se deslocou até os rios Boguaçu e Boguaçu Mirim e parava em cada margem quando alguém avistava, de longe, qualquer cor que destoasse da paisagem de mangue. 

Foram recolhidos isopor em pedaços pequenos, médios e grandes, peças de vestuários, isqueiros, chinelos, redes, cordas de pesca, sacolas plásticas, garrafas pet, tampas de garrafa, lacres de latinhas e outros objetos. Na ilha do Casqueiro, onde existe um sambaqui, que é um sítio arqueológico que deveria ser preservado, havia uma fogueira montada recentemente rodeada de lixo como bitucas de cigarro, tampas de garrafas e pedaços de plástico e alumínio. 

Apesar da variedade de resíduos que agridem toda esta região que compõe uma Área de Proteção Ambiental, foi preciso percorrer muitos quilômetros de rio e fazer caminhadas mangue adentro para encher o barco, diferente do que este repórter presenciou em anos anteriores.

No final, ficou o sentimento em muitos de ter feito a sua parte e tentar sensibilizar o restante da população residente e as centenas de milhares de pessoas que visitam Guaratuba. 

“Se alguém joga uma bituca num canto e a gente vai lá e recolhe e deixa limpo o lugar, quem sabe, da próxima vez, a pessoa não repita. Mas se a pessoa encontrar um monte de bituca jogada, ela continua jogando”, comentou Gustavo Tauchen, seguido de um coro do restante da equipe do valor simbólico do mutirão para o meio ambiente de Guaratuba. 

Foto: Edgar Fernandez / Instituto Guaju
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