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Tartaruga-verde que ingeriu lixo é solta em Pontal do Sul

A soltura foi realizada nesta segunda-feira (15), na Praia de Pontal do Sul. Fotos: LEC/UFPR

Mais uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) foi devolvida a seu habitat natural nesta segunda-feira (15), no litoral paranaense, após um mês de tratamento. O animal foi resgatado muito debilitado pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidades Federal do Paraná (LEC/UFPR), via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Durante o tratamento, os profissionais responsáveis acharam lixos entre as fezes expelidas pela tartaruga, o que indicava que ela havia ingerido plásticos e outros materiais similares ao se alimentar, causando sua debilitação.

A tartaruga foi resgatada no dia 26 de junho em praia na região do Parque Nacional do Superagui. Ela estava encalhada com o ventre para cima e muito magra.

Num primeiro momento, a equipe de monitoramento do PMP-BS/UFPR acreditou que o animal estivesse morto, mas, ao realizar o resgate, verificou que apresentava sinais de vida. A carapaça da tartaruga estava coberta por epibiontes – algas inofensivas que usam a carapaça dos animais como moradia -, o que indicava que o animal não estava se movimentando de forma frequente, possivelmente por estar debilitado ou doente.

Lixo ingerido e, posteriormente, expelido pela tartaruga-verde juvenil

A ingestão de resíduos sólidos, como plástico rígido e flexível, é perigosa para os animais marinhos, pois pode obstruir o sistema digestivo, causar lesões internas ou infecções e até mesmo levar os animais à morte.

Segundo o médico veterinário Fábio Henrique de Lima, a ingestão de lixo pode acontecer por três principais razões: aparência, cheiro ou mistura na alimentação. “Por vezes, o plástico se confunde com as algas que a tartaruga-verde come. Há casos em que o lixo, no mar, fica envolto por microalgas que exalam o mesmo ‘cheiro’ da alga que é alimento da tartaruga ou que o plástico se mistura nas algas e invertebrados de costões rochosos e é inevitável que o animal consuma o lixo junto com o alimento”, explica o veterinário que acompanhou o caso desde o resgate.

Neste último mês, a tartaruga-verde conseguiu expelir os lixos ingeridos, passou a se alimentar melhor, aumentou seu peso e se reidratou. O animal se recuperou bem e ficou apto para retorno ao mar.

Lixo

Cerca de 70% das tartarugas dessa espécie resgatadas pelo LEC/UFPR via PMP-BS apresentam resíduos de lixo sólido ingerido. Esse dado vem se mantendo constante desde 2015, ano em que o projeto começou a realizar esse monitoramento. Só em 2022, das 22 tartarugas analisadas, 20 apresentavam resíduos sólidos.

O alto índice de plástico encontrado nesses animais é preocupante porque na maioria dos casos são animais juvenis resgatados nessa situação. “Nessa fase, é possível que o lixo ingerido afete o crescimento do animal e a formação de órgãos importantes para a fase adulta”, explica o analista laboratorial Mário Roberto Castro Meira Filho.

Por ser um material sintético, não há decompositores na natureza que possam converter o plástico aos elementos que originalmente o formam. O lixo plástico se fragmenta e perde seu formato original ao longo dos anos, mas continua existindo no ambiente e, em muitos casos, se acumula no oceano.

Projeto de Monitoramento das Praias

Ao encontrar animais marinhos debilitados ou mortos nas praias de Pontal do Paraná é possível acionar a equipe do PMP-BR/Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR pelo 0800 642 33 41 ou pelo Whatsapp (41) 9 9213 8746.

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