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Proliferação de algas pode gerar renda no Litoral do Paraná

Veleiro ECO vai levar projeto às comunidade e também receber estudantes

As mudanças climáticas estão fazendo com que algumas espécies de algas marinhas cresçam desordenadamente, formando florações em determinadas épocas do ano. 

Uma parceria de duas universidades pretende enfrentar este desequilíbrio ecológico com o aproveitamento sustentável da biomassa, gerando uma oportunidade de renda para comunidades tradicionais do Complexo Estuarino de Paranaguá. Principalmente para as mulheres destas comunidades.

O projeto de pesquisa e extensão Igau (alga, em tupi guarani), é uma cooperação entre a Unespar de Paranaguá e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e foi aprovado no edital Camp Ocean da Fundação Boticário e fomentado via Fundação Araucária. O lançamento foi nesta terça-feira (27), no campus da Unespar. 

O projeto utilizará o Veleiro Eco, da UFSC, que apoiará o treinamento das mulheres das comunidades costeiras, sobre os usos potenciais principalmente das espécies Ulva spp. e Gayralia brasiliensis, ambas algas verdes (Chlorophyta). A última foi descrita como nova espécie, em 2013, pela coordenadora do projeto, Franciane Pellizzari.

O veleiro também terá atividades de educação ambiental com as crianças, onde será demonstrada a importância ecológica e econômica das algas, um recurso negligenciado e pouco conhecido no ocidente.

Inicialmente, o Igaú vai trabalhar com as comunidades da Ilha Rasa, Guaraqueçaba, Superagui, Ilha do Teixeira e Ilha dos Valadares, e pretende abranger crianças de escolas locais, e treinar no mínimo algumas dezenas de mulheres de cada comunidade. 

O projeto Igau aborda a conservação de ecossistemas costeiros do Paraná, aliado ao uso sustentável de recursos macroalgas. A biomassa pode ser aproveitada e usada em processos de biorremediação de águas residuais não tratadas e ou contaminadas até a manufatura de diversos produtos. Como na produção de sabonetes e géis corporais, por exemplo. 

De acordo com a professora Franciane Pellizzari, outro potencial a ser explorado pelo projeto, a partir de biomassa de bancos algais de áreas mais preservadas, será o uso comestível. As mulheres receberão treinamento para a coleta sustentável, processamento, e fabricação artesanal de compotas e de frondes secas (em “folhas” comestíveis, similares as folhas usadas para preparar sushi), além de outros usos a serem investigados pelo projeto.

As mulheres das comunidades serão treinadas desde o reconhecimento das espécies de alga no ambiente, até a manufatura destes produtos artesanais e veganos. O projeto tem duração prevista de três anos.

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