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Engorda de Matinhos está na fase de construção de estruturas marítimas

Cena da câmera ao vivo da obra do espigão do Pico de Matinhos na tarde desta terça

O Governo do Estado executa desde julho mais duas das cinco estruturas marítimas previstas no projeto de recuperação da orla de Matinhos. 

Em paralelo ao alargamento da faixa de areia nos balneários do município, estão em andamento obras no espigão do Pico de Matinhos e dos guias-correntes no Canal da Avenida Paraná, na praia de Caiobá. Elas integram o investimento de R$ 314,9 milhões destinado à intervenção.

O projeto executivo do Instituto Água e Terra (IAT) também prevê a construção de guias-correntes no Canal do Rio Matinhos e dois headlands nos balneários Riviera e Flórida. A função do espigão e dos headlands é garantir a estabilidade da areia depositada na praia, oferecendo uma faixa de areia de até 100 metros de extensão. Já os guias-correntes servem para minimizar os impactos das enchentes e alagamentos, especialmente em dias de maior intensidade de chuvas.

As obras do espigão no Pico de Matinhos iniciaram em julho e têm previsão de término até o fim deste ano. Cerca de 40% já foram concluídos. A implantação do espigão é um processo complexo e começa com a construção dos núcleos, que são compostos por tubos de geotêxtil de alta densidade preenchidos com areia.

Após a execução do primeiro trecho do núcleo da estrutura, é construído o talude de rochas. Esta camada, denominada carapaça, é constituída por rochas de diversos tamanhos. 

Na extremidade das estruturas, em que a ação das ondas é maior, serão colocados tetrápodes para compor a camada de carapaça. Já foram feitas escavação e dragagem para que sejam implantadas.

No topo das estruturas será executada uma camada em concreto ciclópico que funcionará como um piso a ser, posteriormente, integrado ao projeto paisagístico de revitalização urbanística da orla.

São realizados, também, serviços de escavação e dragagem para que se atinja a cota de fundo das estruturas. Em seguida serão colocados os tapetes de ancoragem que funcionarão como um embasamento para o núcleo, composto pelo mesmo material dos tubos de geotêxtil.

O preenchimento dos tubos de geotêxtil, logo depois, será feito por meio de uma draga que bombeará uma mistura de água e areia para dentro da estrutura, que se assemelha a uma bolsa. Nesta etapa, além da draga, serão utilizados também treliças metálicas e guindastes para garantir o perfeito posicionamento do núcleo.

GUIAS-CORRENTES – Os guias-correntes são estruturas construídas em “par”, ou seja, possuem os mesmos formatos e materiais dos espigões e headlands, mas não são únicas e sim duas colocadas lado a lado na desembocadura dos canais, permitindo o melhor escoamento da água em direção ao mar e minimizando seus impactos. A do lado Sul possui 207 metros de extensão e a do lado Norte 161 metros.

Entre o par de estruturas, o terreno é aprofundado em cerca de três metros, aumentando a capacidade de escoamento dos canais. Elas complementam as obras de macrodrenagem em andamento no Canal da Avenida Paraná, dentro da cidade e afastado da orla marítima.

As obras no canal já estão 15% concluídas e a previsão é serem finalizadas no próximo ano. Os maiores beneficiados são os moradores, especialmente os do bairro Tabuleiro, que há décadas sofrem com enchentes.

Na orla, a construção dos guias-correntes teve início na última semana de setembro, com as intervenções também na desembocadura dos canais.

POLÊMICA – A construção de headbands é um dos detalhes mais polêmicos da obra. Especialistas da Universidade Federal do Paraná consideram que as estruturas podem reter a areia que mantém o equilíbrio das praias mais ao norte, principalmente em Pontal do Paraná. 

Ao lado do auto-licenciamento da obra, feito pelo próprio orgão que a executa (o IAT) e outros detalhes, esse é um dos argumentos de uma ação civil movida pelo Ministério Público do Paraná e Ministério Público Federal para suspender a obra. O caso está na Justiça, que decidiu liminarmente (temporariamente) pela continuação.

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