Café com Cultura: vamos alimentar a alma?

    Fui honrado com um convite esses dias atrás. Veio de uma amiga especial: Maria Angélica Lobo Leomil, presidente da Fundação Municipal de Cultura de Paranaguá, a Fumcul.

    Nele, a Fundação me convida para ser moderador de uma mesa de debates culturais, mais especificamente da lei que criou em 1968 o Conselho Municipal de Cultura, e a importância daquele ato do então prefeito Nelson de Freitas Barbosa, que a história coloca como um dos mais importantes prefeitos de Paranaguá, por sua visão de um estadista municipal que pensou e teve a visão de uma cidade além de seu tempo.

    A prova disso, é que ele gostou tanto das conversas que teve com Antônio Pereira da Costa, um homem público de uma grandeza que aqueles tempos ainda produziam.

    Voltemos à mesa que serei moderador:
    O evento “Café com Cultura”, promovido pela Fumcul, aberto em 2015 no dia 21 de maio às 4 horas da tarde na Casa Monsenhor Celso, tem como convidados para participar da mesa algumas das figuras atuais que são ícones da memória cultural de Paranaguá: Alceu Maron, Florindo Wistuba Junior, José Maria de Freitas, Alessandro Stanicia e a eterna primeira-dama da cultura da cidade, professora Ivone Elias Marques.

    O peso cultural dessas pessoas por si só deixa minha responsabilidade com pernas bambas, tal é a importância e conhecimento deles sobre a história e formação cultural do nosso litoral, que subiu a Serra do Mar e ajudou a formar o estado do Paraná.

    Parece que a cultura é algo que não agrega nada às nossas vidas não é mesmo?

    Temos contas pra pagar, criar nossos filhos e sustentar nossas famílias e sermos dominados pelo que se chama sociedade de consumo. Não somos máquinas: somos essencialmente seres sociais, com um conjunto de valores, comportamentos, expressões artísticas, linguagem regional, formação e miscigenação étnica, enfim, de história rica acumulada por séculos.

    Nomes de ruas, praças, edifícios, estátuas, bustos, avenidas e escolas…. repetimos e repassamos a terceiros sem parar pra pensar por um segundo. Quem foram essas pessoas que construíram esse patrimônio cultural?

    Quem foi Antônio Moraes Pereira da Costa, que deu o nome à “Avenida

    Antônio Pereira” que sobrepõe a rodovia federal BR-277 no perímetro urbano e termina na portaria principal do Porto de Paranaguá?

    Este ex-funcionário da antiga Alfândega dos Portos Paranaguá e Antonina, teve intensa dedicação na vida social e política da cidade, mas como obra maior, foi sugerir ao então prefeito Nelson de Freitas Barbosa, a criação de um conselho municipal, que reunisse todos aqueles que se interessassem pela cultura, e fosse o órgão que fosse o formulador de políticas e eventos culturais do município de Paranaguá.

    Suas ideias foram inspiradas nas conversas em Curitiba com o Dr. Andrade Muricy, então presidente do Conselho Nacional de Cultura.

    E assim se fez: um decreto do prefeito transformou Paranaguá no primeiro município do Brasil a constituir o seu Conselho Municipal de Cultura. Sabia?

    Daí tudo começou a fluir: a Casa Monsenhor Celso, a Casa Cecy, as produções literárias, palestras, pinturas, artesanatos, danças e as demais expressões artísticas locais, incentivadas por projetos culturais.

    Minha participação neste evento, só pode ser uma conspiração do universo pelas mãos da querida amiga presidente da Fumcul.

    Vejamos as coincidências da vida:

    A Casa Monsenhor Celso é uma homenagem ao ilustre parnanguara Celso Itiberê da Cunha, que após ser ordenado padre, recebe sua primeira paróquia na cidade de Cerro Azul, no Paraná. Era 1873 e por lá ficou por diversos períodos intercalados até 1905.

    Meus bisavós paternos, Joaquim e Laurinda Souza, católicos fervorosos foram fiéis da igreja do jovem padre Celso, cada vez mais famoso por seu carisma e simpatia. Meu avô Arlindo de Souza nasceu e foi batizado na igreja de Cerro Azul, provavelmente pelas mãos padre Celso.

    Passou a ser chamado de “monsenhor” a partir de 1900, quando foi promovido a vigário da Arquidiocese de Curitiba e ainda visitava sua amada primeira paróquia: Cerro Azul.

    O monsenhor Celso faleceu em 11 de julho de 1930, uma comoção no Paraná: Curitiba, Paranaguá e Cerro Azul foram as cidades que mais choraram sua perda, pois significaram muito para o padre e seus seguidores.

    Nos meses seguintes ao luto do monsenhor, ainda em 1930, minha avó Maria José estava grávida de seu primeiro filho e meu pai, que ao nascer recebe o nome de “Celso”.

    Passadas várias gerações, quis o destino me trazer pra Paranaguá, desenvolver uma vida acadêmica, casar com uma mulher da terra, ter uma filha parnanguara, trabalhar no porto e ter a honra de estar numa ilustre mesa do Café com Cultura.

    Obrigado à Fumcul e à presidente Maria Angélica pelo convite. Viram como o universo nos prega umas peças?

    Minha mensagem é: Cultura – alimentemos nossa alma com ela, e a vida passará a fazer sentido a nós e aos que estão à nossa volta.

    É a Minha Opinião.

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