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Carta 166. Ninfas na Mata Atlântica

030916_1950_Carta166Nin1“As pessoas de Antonina (na realidade, todas as pessoas que encontramos no Brasil), eram gentis, extremamente hospitaleiras e educadas; geralmente vivendo com parcimônia, suas aspirações não iam muito além das suas possibilidades. A paisagem montanhosa descortinada do porto de Antonina é alguma coisa de admirável; não vi nenhum outro lugar no mundo mais verdadeiramente grandioso e agradável como aquele. O clima, também, é perfeito e saudável. O único médico do local, quando lá estávamos, usava um velho casaco desgastado, por falta de clientela. Antonina é um porto desejável.

Quando estávamos lá, tínhamos entretenimentos musicais a bordo. Ver a exibição de belos dentes brancos por estes doces cantores brasileiros era bom para a alma de um marinheiro lançado ao mar. Para o benefício do escritor, uma ninfa cantou uma música que fez todos rirem muito. Cantada no idioma nativo, eu não entendia nada, mas é claro que ri com o resto, e eles riram mais ainda; achei então que fosse à minha custa. Apreciei isso também, tanto ou mais do que se os areítos fossem em meu favor.”(1)
(Slocum 2001, p. 22; com correções minhas.)

Como se entende deste fragmento, sob o encanto de uma ninfa antoninense, anônima, Slocum se divertiu com essa ‘gozação’, preferindo isso ao puxa-saquismo.

Slocum não foi o único marinheiro encantado por uma ninfa daquela baía; mais recentemente, cinco ou seis marujos holandeses,
temporariamente engajados em trabalhos de dragagem no porto de Antonina, acabaram dragando sereias, que logo pediram em casamento, antes que elas pudessem escapar em novo mergulho.(a)

Slocum não se casou, pois já tinha esposa, que estava a bordo com ele.

O Carnaval de Antonina, notoriamente o mais autêntico carnaval do litoral paranaense: o que seria sem a presença das ninfas e dos sátiros daquela localidade no fundo da baía?! Digo, sem exagero, que só quem já nasceu encantado pode ser considerado imune aos encantos de Antonina.

Gostei muito o livro de Slocum do qual tirei o fragmento de abertura desta carta: o livro é muito bem escrito e o conteúdo é fascinante. Na minha opinião, a obra merecia ser lido por todos os moradores do litoral brasileiro, particularmente os paranaenses, pois algumas das mais notáveis aventuras relatadas aconteceram nos municípios de Antonina e Guaraqueçaba, como se pode ver na Tabela 1.

Foi em Guaraqueçaba que o navio mercantil de Slocum, o clíper Aquidneck, encalhou num banco de areia e naufragou e onde ele, com a ajuda da sua família (a esposa e dois filhos) e alguns moradores locais, construiu o pequeno veleiro Liberdade, com o qual voltaram aos Estados Unidos, pela rota mostrada na Tabela 2.

Segundo Carneiro 1974, este encalhamento do Aquidneck aconteceu na baía dos Pinheiros, que é a parte da baía situada entre a Ilha de Superagui, o norte da Ilha das Peças e o continente.

Leia a Carta 166 na íntegra (com as tabelas e outros detalhes) no site do autor:
http://www.andredemeijer.net/2016/03/09/carta-166-ninfas-na-mata-atlantica/

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