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Litoral do Paraná segue tendência nacional e reduz desigualdade

Arte: O Estado de S. Paulo
Arte: O Estado de S. Paulo

Seis dos sete municípios do Litoral do Paraná reduziram a desigualdade de renda entre 2000 e 2010. Apenas Morretes ficou na mesma.

Os dados são de um levantamento feito pelos jornalistas José Roberto de Toledo e Amanda Rossi de “O Estado de S. Paulo” publicados neste sábado (3), com base em informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Correio do Litoral corrigiu alguns índices do jornal paulista tendo como base os indicadores publicados pelo Data Sus –http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/ibge/censo/cnv/ginipr.def

Renda dos mais pobres cresceu mais que a dos ricos

De acordo com a reportagem, na década, a desigualdade caiu em 80% dos municípios do Brasil. “O fato é ainda mais relevante porque reverteu uma tendência histórica. Na década anterior, a desigualdade medida pelo índice de Gini aumentara em 58% das cidades brasileiras”, informa a reportagem.

O aumento da renda obtida no trabalho é o protagonista da queda da desigualdade nos municípios entre 2000 e 2010. Ele é responsável por 58% da redução, segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri. Outros 13% podem ser atribuídos ao Bolsa Família. Sem as políticas de transferência de renda, a desigualdade teria caído 36% menos.

De 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Foi um enriquecimento mais intenso do que nos dez anos anteriores, quando o ganho havia sido de 51%.

Isso é importante porque uma forma perversa de reduzir a desigualdade é via empobrecimento geral. Se os ricos perdem mais do que os pobres, a desigualdade também cai. Foi o que aconteceu em grande parte do Brasil nos anos 1980, por causa da recessão.

Nos dez anos seguintes, o alto desemprego comprometeu o salário dos trabalhadores e a renda voltou a se concentrar no topo da pirâmide. O índice de Gini do País cresceu, e a desigualdade aumentou em 58% dos municípios brasileiros.

É o oposto do que aconteceu em 80% dos municípios do Brasil na década passada. Nos anos 2000, houve redistribuição da renda simultânea ao crescimento. O bolo aumentou para todos, mas a fatia dos pobres cresceu mais, em comparação à dos ricos.

Em quase todo lugar, os ricos não ficaram mais pobres. Ao contrário. Mesmo descontando-se a inflação, o rendimento médio dos 10% mais ricos de cada município cresceu 60%, na média de todos os municípios ao longo da década passada.

A desigualdade caiu porque a renda dos 20% mais pobres de cada município cresceu quase quatro vezes mais rápido do que a dos 10% mais ricos: 217%, na média. A distância que separava o topo da base da pirâmide caiu quase um terço. Ainda é absurdamente grande, mas o movimento está no sentido correto na imensa maioria dos municípios: o da diminuição.

Em 2000, a renda dos 20% mais pobres de cada um dos municípios era, na média, de R$ 58 por pessoa. Os 10% mais ricos ganhavam, também na média municipal, R$ 1.484. A diferença era, portanto, de 26 vezes. Em 2010, a renda dos 20% de baixo chegou a R$ 103, enquanto a dos 10% de cima ia a R$ 1.894. Ou seja, os mais ricos ganham, em média, 18 vezes mais.

A redução da desigualdade não foi total. Em 16% dos municípios, a distribuição de renda piorou. Principalmente no Norte”. (N.R. Mas também na cidade mais rica do Brasil: em São Paulo a concentração de renda aumentou de 0,61 para 0,62 no índice Gini).”

Índice Gini

O Índice de Gini aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Ele varia de 0 a 1, sendo que 0 representa a completa igualdade – quando todos têm a mesma renda.

Assim, quanto maior o índice, maior a desigualdade. O índice Gini do Brasil era de 0,59 em 2000 e foi para 0,53 em 2010, melhorando a cada ano. O índice Gini do Paraná em 2010 era de 0,49 e em 2011 já era de 0,46.

Região permanece muito desigual

No Litoral do Paraná, o maior avanço na redução da desigualdade entre 2000 e 2010 aconteceu em Matinhos. Na década, o índice Gini caiu de 0,5612 para 0,4922. Outra melhora significativa aconteceu em Guaraqueçaba, com redução de 0,5434 para 0,4959. O índice do município decorre do fato de a renda dos mais ricos ser menor que nas demais cidades.

Guaratuba também melhorou bastante, mas permanece uma cidade muito desigual: passou de 0,6063 para 0,5583. Só melhor que Antonina, que baixou de 0,5816 para 0,5676.

Pontal do Paraná melhorou de 0,5673 para 0,5124. Paranaguá melhorou de 0,5604 para 0,5235. Morretes permaneceu na mesma situação de acordo com os números aproximados de “O Estado de São Paulo”. No índice mais exato houve uma ligeira piora: de 0,5440 em 2000 foi para 0,5475 em 2010.

Renda per capita

Um outro dado confirma que o índice de desigualdade menor em Guaraqueçaba esconde uma triste realidade naquele município: a pobreza generalizada. A renda per capita de Guaraqueçaba era de R$ 307,80 em 2010. É menos da metade da renda na maioria das cidades da região.

Matinhos novamente apresentava o melhor resultado, com renda per capita de R$ 814,03. Em seguida vinham Guaratuba (R$ 782,92) e Pontal do Paraná (R$ 782,87). Paranaguá apresentava um renda de R$ 765,85 por habitante, Morretes R$ 665,51 e Antonina R$ 572,38.

 

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