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A segurança tem que ser ampla

Segurança é o cuidado com tudo que possa representar perigo. Atualmente, a falta de segurança parece ser a sensação mais comumente sentida pelas pessoas.

Mikhail Gorbachov no livro “Novo Pensamento Politico”, desenvolveu o conceito de “segurança ampla”, como condição básica para a sobrevivência da humanidade. “As ameaças à segurança não incluem apenas questões militares, mas também econômicas e ambientais, especialmente as relacionadas ao ambiente global”, diz. “As tensões ambientais seriam causas de conflitos políticos e militares, portanto motivo de segurança”. Trata-se de conceito relativo, pois envolve não apenas o risco em si, mas também a percepção que se tem de risco futuro.

Engloba a prevenção dos riscos advindos dos impactos negativos sobre o ambiente e os recursos naturais. Mais afirmativamente, à proteção ambiental como garantia para o fornecimento de alimentos, água, saúde e, consequentemente, tranquilidade e bem-estar para as pessoas. Determinado pela estrutura existente no ambiente abrange o potencial de risco para a vida humana, como exemplo, a possibilidade de enchentes e secas, aumento do nível do mar, a quantidade e a qualidade da água, a erosão do solo, os ambientes contaminados suscetíveis à multiplicação de doenças, os desastres climáticos, entre outros. A percepção e o entendimento desses riscos dependem do conhecimento e da sensibilidade das pessoas sobre a dinâmica do seu entorno.

Não é simples mensurar o custo das perdas ambientais, mas sabe-se que é expressivo e crescente. Imprevisível, surge na forma de novas epidemias, mudanças no clima, extinção de espécies, poluição das águas, apontando para um futuro em que os serviços ambientais, não mais estarão facilmente disponíveis e nem serão gratuitos.

Resiliência é um termo usado na Física que significa a capacidade de um sistema em manter sua integridade no decorrer do tempo, face às pressões sofridas do exterior. A característica de um sistema resiliente é a sua flexibilidade e capacidade em criar alternativas para enfrentar situações imprevistas e pressões externas. Muitos não percebem, mas é exatamente o que a Natureza vem tentando fazer.

A realidade dos ecossistemas, dinâmica e incerta, traz surpresas e exige dos seus componentes, principalmente do ser humano, a capacidade em adaptarem-se as novas circunstancias, sejam elas graduais ou extremas. As intervenções do homem no ambiente natural afeta a estrutura dos ecossistemas, influenciando as alternativas que caracterizam a sua resiliência e consequentemente a segurança ambiental.

A insustentabilidade hoje existente só terá solução com ações inovadoras que a resiliência pode trazer. Não obstante, essas ações já serão por si mesmas novos paradigmas ambientais, sociais, econômicos e políticos. E isso se faz necessário.

Politicas públicas devem ter como objetivo a satisfação das necessidades humanas a um custo menor sobre os sistemas naturais. Não sendo assim, certamente eles não mais proverão as necessidades da espécie humana em médio e longo prazo. As pessoas devem, portanto, assumir integralmente a responsabilidade em apoiar e enfrentar as questões ambientais. A vida é uma teia onde tudo está interligado e a própria economia depende de um meio ambiente em equilíbrio. O ambiente equilibrado e harmônico leva o olhar para um futuro com melhor distribuição de renda, inserção e ascensão social das muitas pessoas que atualmente encontram-se excluídas do processo.

A qualidade de vida no futuro estará sujeita ao uso coerente, comedido e menos destrutivo do capital natural. Isso deverá ser feito com criatividade e inovação para criar uma sociedade e um modelo econômico e político integrado efetivamente com a condicionante ambiental.

Há que se olhar segurança amplamente e evitar fragmentá-la em questões pontuais e estanques. Essa visão é fundamental para um município como Itapoá com carências estruturais para acompanhar o acelerado crescimento econômico, sem dúvida, causa de insegurança.

Ao ter um problema, conhecê-lo é meio caminho para a sua solução; o resto depende das decisões tomadas e das ações efetivadas. Itapoá é cidade turística como muitas no litoral. Mas, também é portuária, como poucas em Santa Catarina. Fato inconteste que habilita exigir tratamento diferenciado perante o Estado nas questões de segurança.

Como sugestão, a inclusão na pauta do Conseg – Conselho de Segurança de Itapoá de espaço para discussões e propostas sobre a segurança ambiental da cidade, infelizmente lembrada tão somente após os efeitos dos desastres ambientais.

Itapoá, 2016.

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