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Litoral recebe 700 mil sementes de palmito-juçara dispersadas para restaurar a Mata Atlântica

As sementes são oriundas de coletas próprias do IAT e doações do Instituto Mater Natura, do Instituto Juçara de Agroecologia e do assentamento do MST

Foto: COA-IAT

O Instituto Água e Terra (IAT) promoveu nesta quarta-feira (3) uma ação de restauração ambiental da Mata Atlântica por meio da dispersão aérea de 700 mil sementes de palmeira-juçara (Euterpe edulis) em diferentes pontos do Litoral do Paraná.

A ação acontece paralelamente à 4ª Jornada da Natureza: Semeando Vida, iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que conta com diversos parceiros.

As sementes são oriundas de coletas próprias do IAT e doações realizadas por parceiros como o Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, o Instituto Juçara de Agroecologia e a Associação de Produtores Orgânicos Quedas do Iguaçu Produzindo Vida – do Assentamento Dom Tomás Balduíno, do MST. A iniciativa contou também com o apoio do Distrito 4730 do Rotary Club.

Coordenada pelo Centro de Operações Aéreas do órgão ambiental (COA-IAT), a ação no Litoral ocorreu em quatro Unidades de Conservação de Proteção Integral: Parque Estadual do Rio da Onça (Matinhos), Estação Ecológica de Guaraguaçu (Paranaguá), Parque Estadual do Boguaçu (Guaratuba) e Parque Estadual Pico do Marumbi (Morretes, Piraquara e Quatro Barras).

“Essas áreas foram escolhidas pelos gestores das Unidades de Conservação em coordenadas onde foram registrados crimes ambientais, incluindo a extração ilegal da planta. Não é um lançamento aleatório, ele será monitorado posteriormente para verificar a eficácia da ação”, explica o diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin.

Além de contribuir para a conservação e valorização da planta, considerada uma espécie ameaçada por causa da extração ilegal, a iniciativa tem um propósito educativo, procurando sensibilizar a população para importância ecológica da Mata Atlântica e da conservação das espécies nativas.

“Queremos que as pessoas entendam a importância da preservação dessa espécie, que é fundamental para o ecossistema da Mata Atlântica. Nós temos 19 viveiros espalhados pelo Estado que podem fornecer mudas para a população. Queremos cada vez mais que as pessoas colaborem com o plantio em suas casas para contribuir com a melhoria da qualidade ambiental do Estado”, destaca Bisognin.

“É uma ação que planejamos executar novamente no futuro, uma iniciativa importante para a regeneração do meio ambiente que precisa ser repetida sempre”, complementa o chefe da regional do IAT no Litoral, Altamir Hacke.

CARACTERÍSTICAS – A palmeira Juçara (Euterpe edulis Martius) é típica da Floresta Atlântica do Brasil e áreas subjacentes. Ocorre desde o estado do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Como produtos da planta, além de frutos, dos quais se extrai uma saborosa polpa, está o famoso palmito-juçara, exaustivamente explorado. Devido ao extrativismo predatório de seu palmito, passou a ser considerada oficialmente uma espécie em risco de extinção.

Os frutos planta são muito consumidos por dezenas de espécies de aves e de mamíferos. Tucanos, jacutingas, jacus, sábias e arapongas são os principais dispersores das sementes. Já as cutias, antas, catetos e esquilos, entre outros animais, se alimentam das suas sementes e frutos.

“Buscamos com essa iniciativa o ressurgimento do palmito-juçara no Litoral do Paraná. Isso sim é pensar no meio ambiente, uma visão de futuro para a Mata Atlântica”, diz o governador do Distrito 4730 do Rotary, Marcelo Passos.

A germinação da semente do palmito-juçara é lenta e heterogênea. Por ser uma espécie plenamente adaptada a condições de sub-bosque (vegetação de baixa estatura que cresce em nível abaixo da floresta), forma com facilidade um denso banco de sementes, ficando no aguardo de condições favoráveis de luz e umidade para seu crescimento.

A juçara atinge uma altura de 10 metros a 20 metros e demora por volta de seis anos para chegar ao estágio reprodutivo. Tendo em vista essas características, a dispersão aérea de sementes é uma alternativa viável para intensificar a presença dessa árvore nos remanescentes de Mata Atlântica do Litoral paranaense.

4ª Jornada da Natureza: Semeando a Vida

Foto: Juliana Barbosa / Divulgação MST

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) do Paraná realiza, entre 1º e 6 de junho de 2026, a 4ª Jornada da Natureza. A iniciativa inclui semeadura aérea e distribuição de 30 toneladas de sementes de palmeira juçara para reflorestamento da Mata Atlântica em terras indígenas, quilombolas e assentamentos da reforma agrária, incluindo áreas atingidas por tornado em Rio Bonito do Iguaçu (PR).

Sob o lema “Semeando vida para enfrentar a crise ambiental”, a ação percorre dezenas de municípios paranaenses com programação de oficinas, plantio de mudas, recuperação de áreas degradadas e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs).

“A Jornada da Natureza é a expressão do que já acontece nos territórios, e também impulsiona processos que envolvem as ações ambientais. A cada ano cresce, porque é um compromisso permanente das comunidades”, diz Camila Modena, do setor de produção, cooperação e meio ambiente do MST do PR.

Nas três primeiras edições, foram 25 toneladas de sementes lançadas por helicóptero e outras 10 toneladas plantadas e entregues em comunidades do estado.

Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) integra as atividades de campo que ocorrem no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) de Sementes, Mudas e Materiais Propagativos. Parte é distribuída por helicóptero e também através de mutirões junto às famílias agricultoras para plantio.

O projeto contemplado na ação refere-se à Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vidas, responsável pelo fornecimento do total de sementes do palmito juçara, com um aporte de quase R$ 270 mil. Ao todo são 18 agricultores fornecedores ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que será o recebedor. Além das sementes, os agricultores fornecem a polpa de juçara no âmbito do PAA/CDS, para o combate à insegurança alimentar e nutricional.

A programação inclui a semeadura aérea de palmeira juçara na Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, na Comunidade Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, na Comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu, nas comunidades quilombolas, no Vale do Ribeira e na Comunidade João Surá, em Adrianópolis.

Além das atividades de sobrevoos, há também plantios coletivos, feiras de produtos agroecológicos e conferências. A ação é realizada em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e com escolas locais. No sábado (6) haverá o ato final com uma confraternização quilombola.


Com informações do IAT, Conab, Brasil de Fato e MST

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