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Paraná tem uma das maiores áreas protegidas, mas 78% das unidades não têm conselho gestor

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Com cerca de 10% do território protegido, estado busca avançar na consolidação da gestão ambiental e na efetividade das unidades de conservação

Parque Municipal Lagoa do Parado, com conselho e plano de manejo em fase de montagem e elaboraçao | foto: Maria Wanda Alencar / Arquivo do Correio do Litoral

O Paraná possui 146 Unidades de Conservação (UCs) – entre federais, estaduais e municipais – que somam cerca de 1,8 milhão de hectares de áreas protegidas, segundo dados do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e do Instituto Água e Terra (IAT). Embora o estado figure entre os que concentram maior extensão de áreas protegidas fora da Amazônia, com aproximadamente 10% do território sob proteção, ainda persistem desafios relacionados à consolidação da gestão dessas unidades e à efetiva proteção dos biomas e da biodiversidade.

As unidades de conservação desempenham papel estratégico na preservação da biodiversidade, na proteção de ecossistemas e espécies nativas e na manutenção de paisagens naturais. Essas áreas também viabilizam atividades sustentáveis compatíveis com diferentes categorias de manejo e conservação. No entanto, a simples criação de unidades de conservação não garante, por si só, sua efetividade: para que cumpram plenamente suas funções ecológicas e socioambientais, são fundamentais instrumentos adequados de gestão, planejamento e governança.

O território paranaense concentra cerca de 14% da área protegida da Mata Atlântica e 4,5% das áreas de conservação do Cerrado. Aproximadamente 32% das unidades são de proteção integral, onde a proteção da biodiversidade é o objetivo principal, enquanto 68% pertencem ao grupo das UCs de uso sustentável, que busca conciliar conservação ambiental e atividades econômicas reguladas.

Apenas na esfera estadual, o Paraná possui atualmente 74 unidades de conservação, que juntas somam cerca de 1,2 milhão de hectares protegidos, segundo dados do Instituto Água e Terra (IAT). Desse total, 50 são classificadas como unidades de proteção integral e 17 de uso sustentável.

Apesar da relevância ambiental dessas áreas, os indicadores de gestão ainda representam um desafio. Segundo o sistema que consolida dados sobre as áreas protegidas em todo o país, 78% das unidades de conservação no Paraná não possuem conselho gestor e mais de 76% ainda operam sem plano de manejo. No cenário nacional, os índices também são elevados: 66% das unidades não contam com conselho gestor e 75% não possuem plano de manejo. 

É o caso do Parque Estadual da Ilha do Mel, criado em 2002, cartão-postal paranaense que, mesmo sendo referência como ecossistema rico, ainda não possui plano de manejo e está em etapa de construção de um conselho gestor. Já o Parque Estadual do Pico do Marumbi, criada em 1990, atrai milhares de visitantes que buscam montanhismo e camping, porém não conta nem com plano de manejo nem com conselho gestor, evidenciando os desafios e o potencial de avanço na estruturação desses instrumentos de governança ambiental.

Apesar dos desafios, o Paraná vem intensificando esforços para ampliar a estruturação e atualização dos instrumentos de gestão das unidades estaduais. Segundo o IAT, até 2022 o estado possuía 37 unidades de conservação estaduais com planos de manejo homologados. A partir de 2023, houve aceleração nesse processo, com a contratação de 10 planos de manejo em 2023 e outros cinco em 2024, além da execução direta de um plano pelo próprio instituto. Atualmente, 13 planos estão em fase final de revisão e três já foram homologados recentemente.

“A expectativa é que alcancemos, ainda em 2026, o total de 45 unidades estaduais com planos de manejo, o equivalente a aproximadamente 60% das UCs estaduais. Desde 2019, já foram elaborados ou revisados 18 planos de manejo. Há ainda novos processos em vias de contratação para os parques estaduais Pico do Marumbi, Pico Paraná e Palmito, explica Jean Alex dos Santos, gerente de áreas protegidas do IAT.

Além da revisão dos planos de manejo, o governo estadual afirma que vem fortalecendo outras frentes ligadas à gestão das áreas protegidas, como a consolidação dos conselhos gestores e a ampliação da visitação pública por meio do programa Parques Paraná. Estamos trabalhando para fortalecer as equipes regionais, acelerar as regulamentações de uso público, promoção de programas de voluntariado e melhoria dos instrumentos de monitoramento e gestão territorial, afirma o gestor. 

O estado reúne exemplos bem-sucedidos que demonstram o potencial das unidades de conservação quando associadas a estrutura adequada, planejamento e governança eficiente. Entre os principais casos está o Parque Nacional do Iguaçu, criado em 1939 e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial Natural. A unidade abriga as Cataratas do Iguaçu e protege cerca de 185 mil hectares de Mata Atlântica, consolidando-se como referência em gestão, monitoramento ambiental e ordenamento da visitação pública. O parque recebe, em média, mais de 2 milhões de visitantes por ano, conciliando conservação ambiental, turismo e desenvolvimento regional.

Desafio nacional

No cenário nacional, o Brasil alcançou, em 2026, a marca de 3.421 Unidades de Conservação, sendo 231 criadas entre 2023 e abril de 2026. Esse conjunto abrange cerca de 30% do território sob alguma forma de proteção, em linha com compromissos internacionais como a Agenda 2030. Ainda assim, persistem desafios relevantes, especialmente na diversificação dos ecossistemas protegidos e na efetividade da gestão, um problema que não se restringe ao Paraná, mas se repete em diferentes estados do país.

A fragilidade na governança é um dos principais entraves e atinge a maioria dos entes federados. Atualmente, 66% das unidades de conservação no país não possuem conselho gestor e 75% operam sem plano de manejo – instrumentos essenciais para orientar o uso, a proteção e a fiscalização dessas áreas.

Para Angela Kuczach, diretora da Rede Pró-UC, o momento é de construção e fortalecimento. “O Brasil tem avançado na ampliação das áreas protegidas, e o próximo passo é consolidar a gestão dessas unidades. Isso passa por planejamento, integração entre instituições e valorização da participação social, elementos fundamentais para garantir resultados duradouros”, afirma.

Em Curitiba, encontro nacional vai debater soluções 

Com o objetivo de impulsionar esse avanço e debater os principais desafios e soluções para as áreas protegidas no estado e no país, Curitiba recebe, em junho, a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade (UCBIO), com o lema “Parques Nacionais: conservar para todos o que é de todos”. O evento propõe um espaço de diálogo e construção conjunta entre gestores públicos, especialistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil.

Organizado pela Rede Pró-UC e pela Associação Caatinga, o encontro busca fortalecer a articulação entre diferentes setores e apoiar o desenvolvimento de soluções práticas para a gestão das áreas protegidas, contribuindo diretamente para o aprimoramento das políticas públicas ambientais.

Com uma programação ampla, a conferência reunirá mais de 35 palestrantes nacionais e internacionais, mais de 20 expositores e cerca de 700 participantes por dia, consolidando-se como um importante espaço de troca de experiências e construção de parcerias estratégicas. 

O evento terá como um dos principais destaques a participação do ativista Paul Watson, reconhecido internacionalmente pela defesa da vida marinha e pelo combate à caça ilegal de baleias. A programação também contará com nomes de referência na conservação ambiental, como o professor e cientista John Terborgh e o fundador do Instituto Onçafari e ex-piloto de Fórmula 1 Mario Haberfeld, além de especialistas brasileiros ligados à criação, gestão e fortalecimento de unidades de conservação no país.

A conferência acontece de 7 a 9 de junho, em Curitiba, no Viasoft Experience, e deve fomentar conexões entre governo, academia e sociedade, contribuindo para o fortalecimento da agenda de conservação no Paraná e no Brasil.


Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade (UCBIO)
Data: 7 a 9 de junho de 2026
Local: Viasoft Experience – Curitiba (PR)
Inscrições: https://www.conferencebr.com/registrationmaster/748/BR/
Site: www.ucbio.org.br
Instagram: @ucbiooficial


Fonte: Assessoria de Imprensa UCBIO / Mangue Comunica

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