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Fruto da juçara é alternativa de renda no Litoral do Paraná

Nativa da Mata Atlântica, a palmeira juçara foi explorada durante décadas para a produção de palmito em conserva. Entretanto, a árvore morre ao ser cortada e uma muda leva pelo menos 10 anos para chegar à fase adulta. A derrubada desenfreada da palmeira fez com que ela entrasse na lista de espécies ameaçadas de extinção e desencadeasse desequilíbrios ecológicos, como a dificuldade de sobrevivência da jacutinga, ave que se alimenta do fruto da planta.

É justamente no fruto da juçara que produtores rurais do Paraná veem uma alternativa para obter lucro, contribuindo para a conservação da espécie. A polpa do fruto da palmeira é transformada em sobremesa com cor, sabor e composição semelhantes ao tradicional açaí amazônico, mas com ingredientes da Mata Atlântica. No Rio de Janeiro, empreendedores já criaram a marca Juçaí estão comercializando uma variedade de sobremesas com o fruto.

Foto: Divulgação

“No final da década de 90, toneladas de sementes da palmeira juçara foram lançadas no solo e estimava-se, na época, o nascimento de 2,5 milhões de árvores que nunca foram extraídas devido à proibição do corte pelo risco de extinção da espécie. Abrimos os olhos para essa riqueza enorme e vamos trabalhar com os frutos da árvore, gerando empregos na região e um impacto ambiental positivo”, afirma Rachel Siviero, um dos idealizadores do Içaí, negócio de impacto positivo ao meio ambiente desenvolvido ao longo do Programa Natureza Empreendedora, promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza para articular e capacitar atores e desenvolver negócios inovadores para a região do litoral norte paranaense.

Estudos conduzidos pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) revelam que a polpa do fruto da palmeira juçara tem teores de lipídios, proteínas, vitaminas, ferro, potássio e zinco superiores ao do açaí.

“A juçara é uma espécie ameaçada de extinção e o seu corte para a extração do palmito é proibido por lei. Por isso, encontrar novas formas de gerar renda a partir da planta valoriza a espécie para que os produtores sigam cultivando-a, preservando-a e fortalecendo os ecossistemas onde ela é encontrada”, destaca o coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Guilherme Karam. Na retirada da polpa, sobram as sementes, que podem voltar para a mata gerando novas palmeiras.

Natureza Empreendedora

As propostas desenvolvidas no Natureza Empreendedora visam explorar o potencial econômico da região, capacitar a comunidade local e aumentar a quantidade de negócios com impacto positivo ao meio ambiente. Ao todo, 35 empreendedores de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba estão envolvidos no Natureza Empreendedora, que também conta com o apoio do Sebrae-PR na fase de ideação de propostas.

“Queremos mostrar que desenvolvimento econômico e conservação da natureza conseguem andar lado a lado, gerando benefícios para o meio ambiente e para a comunidade local. É o chamado ‘negócio de impacto’ que gera resultados financeiros positivos de forma sustentável e ainda protege e valoriza o patrimônio natural”, destaca Karam.

Iniciado em 2018, o Natureza Empreendedora foi estruturado a partir da identificação do potencial empreendedor aliado à conservação da Mata Atlântica em alguns municípios da região do Lagamar paranaense. O estudo concluiu que há espaço para inovação, melhoria da qualidade de vida da população e agregação de valor, com impacto socioambiental positivo. A pesquisa também mapeou que os jovens desejam continuar na região, mas não encontram oportunidades, e que existe pouco senso de valorização e identidade da Mata Atlântica.

Foto e fonte principal: Fundação O Boticário
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