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Pós-Graduação da UFPR forma segunda quilombola da Comunidade João Surá

Imagem: UFPR

O Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (PPGE/UFPR), realizou na quinta-feira (28), a banca de defesa de mestrado da segunda quilombola da Turma Pré-Pós Quilombola João Surá (2017). Pela vez uma banca de pós-graduação se realizou em uma comunidade quilombola. 

O Quilombo João Surá fica no município paranaense de Adrianópolis, no Vale do Ribeira. Foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 2005.

Carla Fernanda Galvão Pereira, é egressa do curso de Licenciatura em Educação do Campo Ciência da Natureza. Para a sua defesa, a mestranda escolheu o tema: Infâncias Quilombolas Construindo e Reterritorializando o Território Político e Educativo – Quilombo João Surá. “Esse tema me chama atenção devido aos conflitos territoriais que as crianças enfrentam pela falta de políticas públicas para Infância em minha comunidade e também pela falta do reconhecimento dos territórios quilombolas no Brasil todo”, disse. 

Carla Pereira recebeu orientação da professora Carolina dos Anjos de Borba, que tem experiência na área de Diversidade Étnico-Racial, com ênfase em Comunidades Tradicionais, atuando principalmente nos seguintes temas: quilombos, regularização fundiária, educação escolar quilombola, territorialização étnica, campesinato cabo-verdianos, bem viver e povos tradicionais. Além disso, a professora faz parte do Grupo de Pesquisa e Extensão Joana de Andrade, que tem como tema central as lutas das comunidades quilombolas e é composto por quilombolas.

Carolina Borba comenta como tem sido orientar Carla. “Para mim tem sido uma grande alegria, uma honra e o nome do nosso grupo de Pesquisa e Extensão se chama Joana de Andrade em homenagem a avó da Carla e isso é uma relação muito embicada da academia com a Comunidade João Jurá”. 

Após a pós-gradução, o vínculo com a UFPR continua. Isso porque Carla foi aprovada na seleção de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMade) no início do ano, através da política de cotas para quilombolas. “É um grande sonho que se tornou possível graças às políticas de cotas. O acesso ao doutorado é com certeza uma grande conquista para todos nós quilombolas”, pontuou. Carla é uma das primeiras cotistas quilombolas no PPGMade. 

Para a mestranda, a UFPR é referência. “Faz parte da minha história e da nossa comunidade. Tivemos uma turma da Educação aqui na comunidade quilombola de João Surá, turma itinerante que possibilitou a permanência de muitos quilombolas na universidade para conclusão da graduação”, finalizou. 

O primeiro a se formar no mestrado da Comunidade Quilombola João Surá foi Benedito Florindo de Freitas Júnior,  dia 27 de julho de 2021, também orientado pela professora Carolina dos Anjos de Borba. Para Carla, tudo isso é uma vitória. “É uma grande vitória coletiva, porque cada vez mais estamos acessando a pós graduação e produzindo ciências a partir da nossa vivência no quilombo”. 

Fonte: UFPR

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