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O que é autismo?

Tópicos do pronunciamento da psicóloga Mariá Francisca Monteiro Angulski na Tribuna Livre da Câmara de Vereadores de Guaratuba, no dia 1º de abril.

A última versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos mentais (DSM V), absorveu as subcategorias do autismo:

  • Síndrome de Asperger;
  • Transtorno desintegrativo da infância;
  • Transtorno do desenvolvimento não especificado.

E propõe a classificação de Transtorno do Espectro Autista – TEA em substituição a nomenclatura de Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD).

É um transtorno complexo, de início precoce (antes dos 3 anos – sendo que os primeiros sinais como contato visual pobre e pouca ou nenhuma correspondência às interações de familiares, já podem ser observados antes de 1 ano de idade), que se mantem ao longo da vida, ou seja, não tem cura, mas tem bom prognostico de redução das características do espectro perante estimulações de terapias multiprofissionais, principalmente quando estas estimulações acontecem de maneira precoce, já nos primeiros anos de vida quando são apresentados os primeiros sinais, mesmo que ainda não se tenha um diagnóstico fechado.

Autismo é uma condição que reflete alterações no neurodesenvolvimento de uma pessoa, caracterizado por um conjunto de sinais clínicos, que tem como principal característica grande dificuldade na sociabilidade.

Espectro Autista é um conceito que facilita a compreensão de que o autismo é uma condição muito variável de um caso para outro. Ele compreende desde quadros mais graves, com maior dependência das outras pessoas (autismo de baixo funcionamento) até quadros mais leves, com alterações mais sutis (autismo de auto funcionamento).

Alguns critérios para o diagnóstico do TEA, segundo o DSM V são:

1 – DEFICITS PERSISTENTES NA COMUNICAÇÃO E NAS INTERAÇÕES SOCIAIS;

– Dificuldades com adaptação de comportamento para se ajustar às diversas situações sociais.

2 – PADRõES RESTRITOS E REPETITIVOS DE COMPORTAMENTO, INTERESSES OU ATIVIDADES;

– Aderência excessiva à rotina, com insistência nas mesmas coisas…

– Comportamento sensorial incomum, com reações incomuns aos estímulos do ambiente (hipersensibilidade auditiva e ao toque por exemplo).

4 – OS SINTOMAS CAUSAM LIMITAÇÕES E PREJUÍZO NO FUNCIONAMENTO PARA LIDAR COM AS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA;

Levando em consideração essa descrição de algumas das muitas dificuldades que o autista e sua família podem enfrentar na sua inclusão social, destacamos a importância da prioridade nos atendimentos em estabelecimentos públicos, pois, infelizmente, ainda há muito preconceito e julgamentos perante essas famílias que pensam duas vezes antes de sair de casa com seus filhos, pois, além da preocupação com a forma diferente do autista reagir perante a alteração de rotina, locais não familiares, cheios de gente e barulhos que os incomodam, tem a preocupação com o olhar da sociedade perante tais reações. Primeiro os olhares e críticas de que estão diante uma criança mimada e sem limites.  Se a mãe ignora os comportamentos disfuncionais, conforme muitas vezes orientada por profissionais, a julgam como uma mãe relapsa; se age com tom de voz mais firme, é uma mãe agressiva, e assim vai….. A conscientização da sociedade e o olhar dos nossos governantes sobre a importância de leis e centros de apoio ao autista se tornam emergentes.

Gostaríamos de agradecer o olhar dos vereadores de Guaratuba para os autistas do nosso município e suas famílias. Em especial à vereadora Paulina, mentora do Projeto que prevê carteirinhas de identificação, atendimento prioritário e, consequentemente, cadastro e levantamentos estatísticos em nosso município. E, quem sabe, nossa cidade não seja privilegiada com um avanço na área da saúde em um futuro próximo com um Centro de Atendimento especializado para os nossos Autistas.

Quero também convidar a todos para participarem das palestras que serão proferidas amanhã neste recinto, a partir das 19h, aproveitando o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (02 de abril) e para a Corrida e Mobilização: todos juntos pelo autismo, na Praia Central no domingo dia 07 de abril, a partir das 8h.

Referência bibliográfica:
Avaliação de ingresso dos estudantes das escolas especializadas do Estado do Paraná / organizadores Cláudia Camargo Saldanha et al. – Curitiba: SEED – Pr., 2018 – 200p.

Mariá Francisca Monteiro Angulski, é graduada em Psicologia pela PUC-PR. pós graduada em Neuropsicopedagogia pela Censupeg, pós graduanda em TCC – Terapia Cognitivo Comportamental pelo CBI Of Miami, psicóloga da Apae de Guaratuba.

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