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Matinhos e Pontal entre as cidades mais vulneráveis às mudanças climáticas

Imagem: Google Earth 2016
Imagem: Google Earth 2016

Além do risco já conhecido de aumento do nível dos oceanos, o Litoral tem duas das cidades mais vulneráveis do Paraná às possíveis mudanças climáticas.

Segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as cidades de Pontal do Paraná e Matinhos apresentaram os aumentos de dias seguidos sem chuva – índice chamado de CDD –de até 43% e 40%, respectivamente. Pontal ainda poderá ter redução de 12,4% no volume de chuvas.

Os resultados fazem parte do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, feito em parceria entre a Fiocruz e o Ministério do Meio Ambiente. O estudo começou em 2013 e o resultado completo será divulgado no ano que vem.

Dados sobre os 399 municípios do Paraná foram apresentados nesta terça-feira (11), em Curitiba, no Seminário Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima. Na média dos municípios, o maior CDD é na região sudeste do estado.

As projeções são de aquecimento no Norte do estado, mais chuva em cidades da Região Sul e seca na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral. No Norte, a previsão é de um aumento da temperatura, que poderá subir até 5°C nos próximos 25 anos.

Em Curitiba e Região Metropolitana, a temperatura poderá aumentar mais de 3°C no período de 2041 a 2070. Essa elevação também ocorrerá no número de dias seguidos sem chuva, que pode chegar até 30%. No entanto, a precipitação se mantém quase a mesma ao ser comparada com a atualidade, apresentando um incremento de até 2%. Esse cenário ocorre por causa da concentração do volume de chuvas em espaços curtos de tempo, possibilitando o aumento de eventos extremos de origem meteorológica e doenças associadas ao clima.

O projeto e a metodologia

O Paraná foi o estado escolhido para representar o sul do país no projeto, que também avalia a vulnerabilidade dos municípios à mudança do clima em outros cinco estados: Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Pernambuco.

Para a realização do estudo são consideradas informações sobre a realidade social, econômica, ambiental e de saúde atual dos municípios do estado, que são associadas a dados de previsões para o futuro do clima. A proposta não é avaliar de forma comparativa somente as cidades mais vulneráveis às possíveis alterações climáticas, mas também identificar quais são estas vulnerabilidades. A partir da combinação e análise dessas informações, é possível calcular o Índice Municipal de Vulnerabilidade (IMV).

“A vulnerabilidade é calculada a partir de três elementos: exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa. O primeiro diz respeito ao histórico de eventos climáticos extremos dos municípios, como deslizamentos, secas, granizos e vendavais com a preservação da vegetação nativa. O segundo indica a intensidade com a qual as cidades são suscetíveis aos impactos do clima e o terceiro se relaciona com a capacidade institucional e organização dos municípios em lidar com as mudanças do clima”, enfatiza o coordenador do projeto pela Fiocruz, Ulisses Confalonieri.

Consequências

As previsões feitas na pesquisa indicam impactos diretos nos municípios paranaenses. Dentre eles, está a proliferação de vetores, como o Aedes aegypti e, consequentemente, o aumento no número de doenças por causa da elevação da temperatura.

Outra consequência apontada é a possível diminuição da biodiversidade, em virtude das alterações no ciclo reprodutivo de plantas e animais. Também é importante destacar os efeitos da mudança do clima na agricultura, principalmente nas áreas que, no futuro, estarão mais quentes e com menos chuva.

 

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