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Bigarella, professor em Guaratuba

O geólogo João José Bigarella aceitou o convite para ser professor emérito da Faculdade do Litoral Paranaense – Isepe Guaratuba e passará a ter uma presença mais constante  na cidade.

O convite foi feito na segunda-feira (30) pelos diretores da faculdade, Rosi Mariana Kaminski e Luiz Antonio Michaliszyn Filho. Bigarella já confirmou que virá para a Feira do Livro de Guaratuba, que será realizada no Isepe, de 15 a 27 de outubro, e para o Encontro Ecológico de Guaratuba, que será realizado no mês de novembro. “Ele também se dispôs a vir bimestralmente para realizar palestras e mesas redondas com alunos da faculdade e pessoas da comunidade interessadas em aprofundar seus conhecimentos sobre o meio ambiente de nossa região”, informou o Isepe.

O professor Bigarella veio nesta segunda-feira para a aula magna de início do segundo semestre da faculdade. Sua vinda foi articulada pela diretora de Cultura do município, Rocio Bevervanso.

Estudo e militância

O tema anunciado foi “mudanças climáticas”, mas o professor acabou discorrendo sobre alguns dos diversos estudos que fez no litoral paranaense e especificamente em Guaratuba. Às vésperas de completar 89 anos – no dia 23 de setembro – Bigarella é um dos maiores conhecedores da geologia e da botânica do nosso litoral e de todo o Paraná. É autor de estudos fundamentais sobre o território paranaense e foi um dos precursores do ambientalismo no Estado.

Na aula magna, o professor contou que em 1945 iniciou o estudo da geologia do litoral paranaense identificando jazidas de cimento para o Mineropar, órgão do Governo do Paraná. Em anos seguintes foi autor dos primeiros mapas detalhados da baía de Guaratuba. Em 1968, foi chamado pelo então prefeito Orlando Bevervanso para fazer uma análise das condições das margens da baía após o desmoronamento de diversas casas, conforme lembrou Rocio, que é nora do ex-prefeito.

“Engordar outra coisa”

Mesclando conhecimento técnico com história e militância ambientalista, o professor disse ser contra o atual projeto de engorda da praia de Matinhos, orçado em mais de R$ 20 milhões. Segundo ele, a granulometria da areia que se pretende colocar no local – de bancos de areia – não é adequada e todo o trabalho acabará sendo desfeito pelas correntes marítimas. “Pode engordar outra coisa, não a praia”, declarou.

Autor de um dos estudos sobre uso e ocupação do solo em Matinhos, Bigarella defende há décadas que não devem ser feitas construções numa faixa de pelo menos 200 metros de praia. Ele também vem defendendo a proteção e recuperação da vegetação de restinga e dos mangues. Ao falar de geologia, destacou que o nome correto do morro Cabaraquara é Tabaraquara, como falavam os indígenas e ainda falam alguns caiçaras de Guaratuba.

Livro “Sambaquis”

Autor de mais de uma dezena de livros, Bigarella fez o lançamento em Guaratuba de sua última publicação, “Sambaquis”, que reúne estudos iniciados na década de 1940 no litoral do Paraná e em Santa Catarina.

Sua esposa, a artista plástica Iris Hoehler Bigarella, salienta que a obra é fruto de muito trabalho e traz detalhes técnicos minuciosos. “Tem o detalhe que a gente não vê mais hoje em dia, que temos tanta informação disponível e superficial”, disse. A companheira de décadas foi sua colega de faculdade e casaram jovens. Culta e discreta, dona Íris foi chamada para frente do auditório ao final da aula. Aplaudida, o pouco que falou foi sobre o marido e seus estudos. Fez mais uma intervenção minutos depois para interromper Bigarella, que diante de uma plateia tão embevecida que não quis fazer perguntas, discorria sobre suas viagens aos sete continentes. “Ele é tão apaixonado pelo que faz que se deixar fala a noite toda”, disse, anunciando o lançamento do livro.

O livro tem o preço de R$ 30,00 e está a venda no Isepe. Quem comprar terá a oportunidade de conseguir um autógrafo do professor numa das próximas vindas. Terá a assinatura de um personagem vivo da história paranaense, e momentos únicos com um dos estudiosos mais renomados e um apaixonado pela cultura e pela natureza.

 

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