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Onda Inclusiva lança Centro de Referência Paralímpico do Litoral em Paranaguá

Evento gratuito ocupou o Palco Tutóia com atividades esportivas e recreativas acessíveis e oficializou a implantação do Centro de Referência Paralímpico do Litoral, que terá sede no Complexo Esportivo Caranguejão

Fotos: Wilson Leandro

Centenas de pessoas participaram, neste sábado (31), do Projeto Onda Inclusiva, realizado pela Prefeitura de Paranaguá no Palco Tutóia, na Praça de Eventos do Centro Histórico. Além de moradores da cidade, o evento reuniu famílias vindas de outros municípios do Paraná, como Curitiba, Colombo e Marechal Cândido Rondon, atraídas pela proposta de oferecer esporte, lazer e convivência de forma acessível a pessoas com deficiência e suas famílias.

A iniciativa, gratuita e aberta à população, também marcou o lançamento oficial do Centro de Referência Paralímpico do Litoral, que terá sede no Complexo Esportivo Fernando Charbub Farah, o Caranguejão, consolidando Paranaguá como referência regional em políticas públicas voltadas ao paradesporto.

A programação reuniu atividades esportivas e recreativas adaptadas, como surf adaptado, passeios de banana boat e jet ski, brinquedos infláveis e equipamentos inclusivos, entre eles balanços e gangorras adaptadas, garantindo participação ampla e segura de crianças, adolescentes e adultos com deficiência.

Esporte e lazer como direitos

O prefeito Adriano Ramos destacou que o Onda Inclusiva representa a inclusão colocada em prática e reforçou o esporte como um direito universal. “O esporte é um direito de todos. Fala-se muito em inclusão, mas hoje nós vimos a inclusão acontecendo de verdade. Crianças, jovens e adultos com deficiência puderam participar de atividades que, no passado, eram impossíveis para eles. Isso enche o nosso coração de alegria e mostra o caminho que Paranaguá precisa seguir”, afirmou.

O prefeito também relacionou o evento ao momento vivido pelo município no fortalecimento das políticas esportivas. “Paranaguá é a cidade do esporte. Temos atletas se destacando no Brasil e no mundo, e também no paradesporto. Hoje firmamos parcerias importantes, com o Comitê Paralímpico Brasileiro se instalando aqui. Isso amplia o acesso, revela talentos e transforma vidas”, completou.

Centro de Referência Paralímpico amplia oportunidades no Litoral

O evento também marcou o lançamento do Centro de Referência Paralímpico do Litoral, que integra a política estadual de fortalecimento do paradesporto. Os Centros de Referência Paralímpicos são espaços estratégicos para o desenvolvimento esportivo de pessoas com deficiência, promovendo acesso estruturado, qualificado e inclusivo à prática esportiva, além de contribuir para a inclusão social e a qualidade de vida.

Referência nacional do paradesporto e representante do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mário Sérgio Fontes ressaltou a importância da atuação integrada entre diferentes políticas públicas. “Esse é o paradesporto que queremos e que precisamos: integrado à saúde, à educação, à assistência social e à inclusão. O esporte aqui não é fim, é meio. Meio de reabilitação, de descoberta de talentos e de dignidade”, afirmou.

Segundo ele, o modelo adotado em Paranaguá amplia o acesso desde a base. “Quando o poder público trabalha de forma conjunta, o esporte deixa de ser exceção e passa a ser um direito real”, completou.

Representando o Governo do Estado, Clécio de Marins Prado, diretor de Fomento e Promoção do Esporte da Secretaria Estadual de Esportes, destacou o papel estratégico de Paranaguá. “Paranaguá hoje não é apenas sede de grandes eventos. É modelo de gestão. Com a criação do Fundo Municipal do Esporte e agora com o Centro de Referência Paralímpico, o município entra definitivamente na rota do paradesporto estruturado, da formação de atletas e da inclusão social”, afirmou.

Segundo ele, o Centro do Litoral nasce com a missão de ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer o esporte paralímpico em toda a região.

Instituto LIA reforça o direito ao brincar

Responsável pelos brinquedos inclusivos instalados no espaço do evento, o Instituto LIA Sinergia participou da ação em parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura de Paranaguá. A presidente da entidade, Shirley Ordonio, destacou que o lazer também é um direito fundamental.

“As pessoas com deficiência vivem uma rotina intensa de terapias, medicamentos e cuidados. Mas não podemos esquecer do brincar, do viver, do se divertir. Inclusão não é só permitir a entrada. Inclusão é pensar na pessoa e fazer com que ela faça parte de verdade”, afirmou.

Segundo Shirley, os brinquedos inclusivos ajudam a romper barreiras históricas de acesso aos espaços de lazer. “Aqui, a Prefeitura pensou em todos. Isso é inclusão real, pensada desde o início”, completou.

Famílias relatam emoção e pertencimento

Para as famílias atendidas, o Onda Inclusiva foi além de um evento pontual. Representou acesso, pertencimento e a possibilidade concreta de vivenciar o lazer de forma plena. Márcia Alves da Silva, mãe de Yuri, de 24 anos, que tem mielomeningocele e hidrocefalia, participou pela primeira vez de uma iniciativa do tipo em Paranaguá. Mãe e filho vieram de Curitiba especialmente para o evento.

“Nunca tinha visto algo assim por aqui. Estou amando. Ver meu filho participando desses brinquedos faz toda a diferença na vida dele”, afirmou. Yuri também fez questão de relatar a experiência. “Eu gostei muito. Andei no brinquedo e me diverti bastante”, disse, sorrindo, após participar das atividades.

Também vinda de Curitiba, Maria Selene de Matos Nogueira levou a filha, Paula Regina Nogueira de Matos, de 25 anos, diagnosticada com síndrome de Prader-Willi, autismo nível 1, deficiência visual e imunodeficiência causada por citomegalovírus. Ela destacou as dificuldades enfrentadas ao longo da vida para encontrar espaços de lazer acessíveis.

“Durante 25 anos, os momentos de lazer da nossa família foram poucos. Quando soube desse evento, não pensei duas vezes. Só a viagem de ônibus já foi uma festa para ela. Paula disse que esses foram os dois melhores dias da vida dela”, relatou.

Para Maria Selene, a experiência reforça a importância de ações que saiam do discurso e se concretizem na prática. “A inclusão não pode ficar só no papel. O que aconteceu aqui faz toda a diferença para nós, mães atípicas. Paranaguá está de parabéns”, completou.

Moradora de Paranaguá, Eliane Lima, mãe de Khaleo, de 8 anos, com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), também ressaltou o impacto do evento e a necessidade de continuidade. “É uma iniciativa muito bacana. Meu filho está se divertindo bastante. Falta lazer para eles, e isso aqui faz muita diferença. Espero que aconteça mais vezes”, afirmou.

Saúde, educação e inclusão caminham juntas

O secretário municipal de Educação, Thiago Nascimento, destacou que a integração entre as secretarias amplia o acesso das crianças ao esporte adaptado de forma permanente. “A alegria dessas crianças hoje é algo que marca a história de Paranaguá. Essa união entre as secretarias foi essencial para tudo dar certo. Com o Centro de Referência Paralímpico, nossos alunos da rede municipal poderão participar de modalidades como natação, canoagem e outras práticas esportivas. Investir em educação, saúde e esporte sempre traz um retorno muito maior”, afirmou.

Já o secretário municipal de Saúde, Daniel Fangueiro, ressaltou o esporte como ferramenta complementar no cuidado e na reabilitação. “A Secretaria de Saúde vê esse projeto com muito entusiasmo. A prática esportiva é uma grande aliada no tratamento e na reabilitação de pessoas neurodivergentes e com diferentes necessidades em saúde. Esse evento mostra que a gestão está sendo pensada para todos”, destacou.

Atuação integrada garante acolhimento

A secretária municipal de Inclusão, Camila Naomi, reforçou que o projeto foi pensado para promover pertencimento e convivência. “O Onda Inclusiva mostra, na prática, que o esporte e o lazer são direitos de todos. É um evento pensado para acolher as pessoas com deficiência, mas aberto a toda a comunidade, para que a inclusão aconteça de verdade”, afirmou.

A ação envolveu atuação integrada das secretarias municipais de Inclusão, Esportes e Juventude, Educação e Ensino Integral, Saúde e Segurança, além do apoio do Governo do Estado. Equipes técnicas acompanharam toda a programação, garantindo acessibilidade, segurança e atendimento aos participantes.

Ao final do evento, foi assinada a cooperação técnica entre a Prefeitura de Paranaguá e o Governo do Estado, oficializando a implantação do Centro de Referência Paralímpico do Litoral. A expectativa é que ações como o Onda Inclusiva tenham continuidade e ampliem, de forma permanente, o acesso das pessoas com deficiência ao esporte, ao lazer e aos espaços públicos da cidade.


Fonte: PMP / jornalista: Luiza Rampelotti

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