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Opinião| Apagões, insatisfação e incertezas: o amargo legado da privatização da Copel

Por Arilson Chiorato, deputado estadual e presidente do PT-PR

Apagões frequentes e crescente insatisfação dos consumidores marcam o cenário pós-privatização da Copel, empresa energética do Paraná. A venda da companhia, concretizada em agosto de 2023 sob o comando do governador Ratinho Junior, prometia investimentos e eficiência, mas a realidade se mostra bem diferente.
Apagões em série. Em dezembro de 2023, um apagão afetou mais de 400 mil consumidores em diversas cidades do estado. Três meses depois, em fevereiro, outro apagão atingiu 200 mil pessoas, principalmente na região metropolitana de Curitiba.

Os apagões, além de causar transtornos e prejuízos à população, geram insegurança e questionamentos sobre a capacidade da empresa privada de garantir o fornecimento de energia elétrica. Coloca em xeque os ditos investimentos, uma vez que contradizem com a precarização dos serviços.

Aliás, o foco parece estar na maximização dos lucros, com cortes de custos e redução de pessoal, o que contribui para a decadência dos serviços em tão pouco tempo. Por outro lado, a tarifa de energia não apresentou queda significativa, contrariando outro argumento pró-privatização.

São inúmeros exemplos de fracasso envolvendo a privatização de serviços essenciais. O setor elétrico no Brasil, na década de 1990, foi alvo do marketing entreguista. As vantagens desse modelo ficaram apenas na propaganda. A privatização da Light no Rio de Janeiro, em 1996, foi marcada por sucessivos aumentos de tarifas e problemas na qualidade do serviço. A privatização da energia na Argentina, também nos anos de 1990, levou a apagões generalizados e ao colapso do sistema elétrico.

A privatização da Copel se soma a outros exemplos de privatizações malsucedidos no Brasil. O mais recente apagou a maior cidade brasileira, São Paulo, por dias, evidenciando que essa não é a solução mágica para os problemas. É necessário buscar alternativas que priorizem o interesse público e garantam o acesso à energia de qualidade a preço justo.

A privatização da Copel foi um processo controverso, com forte oposição da sociedade civil e de parte dos parlamentares da Assembleia Legislativa do Paraná, que organizaram audiências públicas em várias regiões do Paraná. Também foi constituída a Frente Parlamentar das Estatais e das Empresas Públicas, que atuou para mostrar as inúmeras falhas contidas no processo e os possíveis danos que seriam gerados aos paranaenses. Nada adiantou, pois os parlamentares que formam a base do Governo é a maioria e aprovou a entrega ao mercado financeiro.

Porém, não podemos nos esquecer os argumentos do governo, dentre eles, que a privatização traria investimentos e eficiência para a Copel. Críticos da privatização alertaram para os riscos de aumento de tarifas, cortes de custos e deterioração da qualidade dos serviços, cenário que ganhou forma em poucos meses após a entrega da estatal ao setor privado.

O futuro da Copel e do setor elétrico no Paraná está em jogo. É fundamental que a sociedade esteja atenta aos impactos das privatizações e cobre dos responsáveis um serviço de qualidade e tarifas justas, conforme massificou a propaganda do governo Ratinho. O Paraná precisa voltar a ser um só, o estado onde os paranaenses vivem, e não a terra imaginária inventada pela propaganda.

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