Correio do Litoral
Notícias do Litoral do Paraná
Matinhos abril 24 Curtiu a Diferença 1070 200 iluminação

Pontal do Sul assiste retorno ao mar de 12 pinguins reabilitados

Fotos: LEC/UFPR

Um grupo de 12 pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) reabilitados retornaram ao mar na última quarta-feira (6). Trata-se do segundo grupo de pinguins soltos em 2023 no Paraná. Mas é o maior  agregado de animais reabilitados e soltos juntos do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no Estado, realizado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e que completou 8 anos em agosto.

A soltura foi feita na praia de Pontal do Sul, no município de Pontal do Paraná, após cerca de dois meses de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde de Fauna Marinha (CReD). do LEC-UFPR. 

Migração

Os pinguins-de-magalhães vivem em diferentes regiões da Argentina e Chile, incluindo a região do Estreito de Magalhães, na Patagônia. Durante o inverno, deixam suas colônias reprodutivas e nadam cerca de 4 mil km até o litoral brasileiro, em busca de alimento. No final da primavera, essas aves marinhas regressam ao extremo sul, em geral com bastante reserva energética para novas fases do ciclo de vida.

No entanto, o deslocamento, principalmente para os juvenis, consome muita energia, fazendo com que alguns fiquem debilitados e encalhem nas praias da região. Os animais mais jovens têm menor reserva energética e, além disso, são menos experientes para competir por alimento e enfrentar os desafios desta jornada.

Reabilitação

Os pinguins-de-magalhães soltos foram resgatados nas praias do litoral paranaense, por meio das atividades diárias de monitoramento e do acionamento da comunidade. A maioria apresentava quadro de desnutrição e saúde debilitada, com presença de parasitas no sistema respiratório e marcas de emalhe em redes de pesca.

Ao chegar ao CReD, os pinguins passam por um processo de isolamento, a fim de evitar a transmissão de potenciais doenças entre aves em reabilitação. Durante esse período, a equipe faz exames clínicos, estabilização, vermifugação e administração de medicamentos. Os animais também recebem soro e alimentação com papa de peixe, até que voltem a se alimentar com peixe inteiro. Já estáveis e sem parasitas, eles são encaminhados para os recintos de reabilitação, onde interagem uns com os outros. A soltura é realizada apenas quando os pinguins formam um grupo e estão saudáveis, com exames dentro do padrão para a espécie.

Soltura

Como os pinguins são animais gregários, a soltura é sempre feita em grupos, a fim de ter maior possibilidade de sucesso. A proteção e busca por alimento durante a jornada tem menor risco quando executados em agregações, e esta estratégia fortalece o grupo na volta para a natureza.

Para o veterinário do LEC/UFPR, responsável técnico via PMP-BS/UFPR, Fábio Henrique de Lima, a soltura é a consolidação do trabalho realizado em prol da conservação: “É um momento em que a gente consegue envolver a sociedade e sensibilizar as pessoas da importância de conservação desses animais, não só para o ecossistema, mas para a manutenção da qualidade do ecossistema, inclusive para a vida humana. Estes momentos nos permitem renovar a esperança, expor a necessidade de manutenção de nosso trabalho e mostrar para as pessoas que, se cuidarmos do planeta, podemos ter uma perspectiva muito melhor em termos de saúde.”

Sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O LEC/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba.

Ao encontrar animais marinhos debilitados ou mortos nas praias paranaenses é possível acionar a equipe do PMP-BS/Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR pelo 0800 642 33 41 ou pelo Whatsapp (41) 9 92138746.

Fonte: Rafaela Moura | PMP-BS/LEC-UFPR

Leia também