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Entrevista com a presidente do Cordrap

A agricultura, pesca e artesanato são atividades presentes no litoral paranaense e muito importantes para a economia local. Porém, muitas vezes esses trabalhos não têm o reconhecimento devido na sociedade e, em alguns casos, entre os próprios representantes que, ao mesmo tempo em que buscam o crescimento profissional e financeiro, desconhecem informações que ajudariam nessa conquista, como, por exemplo, o associativismo.

Acompanhe a entrevista realizada com Jucelma Esser, presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural, Pesqueiro e do Artesanato do Litoral Paranaense (Cordrap), e conheça um pouco mais sobre a realidade dos trabalhadores desses segmentos.

Como a pesca, a agricultura e o artesanato podem contribuir para o desenvolvimento sustentável da região?

Qualquer ação dentro das áreas citadas pode contribuir. A pesca marítima faz parte da história do Paraná. A agricultura é importante, pois é um trabalho local. Caso não existissem agricultores na região, dependeríamos da logística da Região Metropolitana de Curitiba, o que deixaria o produto mais caro. Em relação ao artesanato, vejo que é importante em todas as regiões do país, mas aqui no litoral ele é muito peculiar, por exemplo, as artes feitas com as folhas da bananeira e o couro do peixe. No entanto, para potencializar esses três segmentos, a organização é o ponto-chave para o crescimento dos trabalhadores que atuam nessas áreas.

Há ameaças ou situações que causem insegurança para o exercício da pesca e agricultura familiar no litoral?

Para a pesca a legislação é bem restrita, já na área da agricultura temos tantas reservas e restrições ambientais que também geram um pouco de dificuldade, mas vejo com bons olhos o fato de existirem muitas situações que podem ser trabalhadas para o desenvolvimento dessas duas áreas. Porém, é preciso informação e base para que se possa trabalhar de forma correta.

Qual o principal desafio para o crescimento profissional dos trabalhadores representados pelo Cordrap?

Informação do que pode e do que não pode ser feito. As pessoas pensam que só porque há muitos anos os trabalhos eram realizados de alguma forma específica, que podem continuar executando assim, porém muitos pontos, como as legislações, mudaram e é fundamental que os trabalhadores tenham conhecimento.

A agricultura familiar ainda é forte para as novas gerações ou os jovens buscam outros serviços em diferentes áreas?

A questão dos jovens já foi muito pior. Nós estamos passando por uma situação melhor atualmente. A área rural já está ficando mais interessante para essa parcela da população, uma vez que pode gerar renda em uma pequena propriedade, por exemplo. O uso da tecnologia poderá ser favorável. As pessoas estão pesando outros fatores e vendo as possibilidades que poderão ter na agricultura, principalmente pelo fato que as grandes cidades deixaram de oferecer oportunidades de emprego e renda, por exemplo. Vê-se hoje que muitas vezes o jovem que sai da agricultura não consegue se estabilizar em centros urbanos.

O mesmo acontece com os pescadores e artesãos?

Creio que sim, mas na área pesqueira pode ser mais difícil, já que é necessário mais investimento público do que na área rural para fazer algum tipo de produção diferenciada. Já a grande questão para os artesãos é a qualificação e profissionalização. A partir desse momento, o jovem terá mais interesse, pois para muitos é visto como um hobby. Trabalhamos muito essa questão na associação das mulheres que trabalham com o couro. Temos a matéria-prima, mas não temos qualidade no produto final. Hoje fazemos uma peça feita de couro ou na fibra de bananeira, mas sem um bom acabamento, o que acaba não agregando valor à peça. Em lojas e butiques uma bolsa de couro de peixe custa R$ 1mil. Qual a diferença daquela bolsa para a feita aqui no litoral? Por isso é fundamental buscar a qualificação dentro do artesanato e as parcerias com o governo e instituições que possam dar esta qualificação são importantes.

Durante as escutas realizadas para a elaboração do PDS, temos ouvido sobre a dificuldade dos pescadores, agricultores e artesãos em trabalhar associativamente. Em sua opinião, qual o motivo da falta de cooperação?

Acho que é uma questão cultural que existe na região. Acredito que o associativismo é difícil em qualquer local, pois são ideias e intuitos diferentes. Essa questão no litoral paranaense é mais intensa. É difícil convencer as pessoas a trabalhar em grupo e ter a consciência de que se o grupo ganhar, todos ganharão também.

Quais as suas expectativas em relação aos resultados do PDS_Litoral?

Desde o começo vi a importância do PDS_Litoral, pois não se constrói nada se você não entender a causa do problema. Tudo se resolve a partir do momento em que se entende o que está acontecendo. Por isso é fundamental o Plano que está sendo construído. Se houver uma leitura e todos consigam entender, as soluções irão aparecer. Muitas vezes as pessoas ficam focadas no seu próprio mundo, mas a partir do momento que se vê o todo, começam a ter outro olhar. Por isso, quando o PDS_Litoral começou eu vi a importância eu sabia que precisaríamos ajudar. Acompanho a preocupação que a equipe tem de trazer a situação real do nosso litoral.

Fonte: PDS_Litoral

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