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Pinguins são resgatados nas praias do Paraná e Santa Catarina

Mais de uma centena de pinguins foram parar nas praias do Paraná e de Santa Catarina nesta semana. Dezenas de animais já estavam mortos. As equipes do Programa de Monitoramento das Praias (PMP) dos dois estados tiveram atividade intensa para receber alguns animais debilitados e para orientar a população a como proceder.

Eles são da espécie pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) e vêm de uma vasta região entre Chile, Argentina e Ilhas Malvinas. O movimento migratório da espécie é influenciado pela corrente das Malvinas (Falklands). Essa corrente possui uma força de água fria que atinge a plataforma continental brasileira. As migrações são anuais e sazonais, ocorrendo entre maio e setembro.

De acordo com a Univali (Universidade do Vale do Itajaí), que realiza o PMP em um trecho do litoral catarinense, “a maioria é de indivíduos juvenis e inexperientes, que realizam uma primeira viagem faz parte do processo de seleção natural: os pinguins mais fracos e incapacitados, infelizmente, morrem na primeira experiência”. Somente no trecho a Univali, em um único dia, quarta-feira (17), foram encontrado 25 pinguins, apenas 6 vivos.

O Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná realiza o PMP no Paraná. A equipe do LEC conta que os pinguins se deslocam pelas correntes marítimas em busca de alimento desde as colônias reprodutivas onde vivem. “A grande maioria dos pinguins-de-magalhães que chegam no Paraná estão debilitados, possivelmente por não terem conseguido se alimentar adequadamente durante a migração. Os pinguins, diferentes de focas e lobos marinhos, não vêm a praia para descansar, então quando encalham é porque precisam de cuidados médico-veterinário”, explica o LEC.

“Ao se perder do grupo e da corrente marítima, o indivíduo mais fraco se aproxima da costa e encalha na faixa de areia, tornando-se suscetível à interação com petrechos humanos”, acrescenta a Univali. “Grande parte dos pinguins vivos resgatados pela Univali, chegam magros, caquéticos, desidratados e hipotérmicos”, informa.

De acordo com a experiência na Univali, “o emalhe acidental (ficar preso em rede de pesca) é uma ameaça nessa aventura em busca das águas brasileiras. Observando dados de anos anteriores, podemos afirmar que a captura na rede de pesca pode causar morte por afogamento ou asfixia”.

“Além das redes de pesca, outra interação antrópica (ação humana) importante é a ingestão de lixo. Um pinguim necropsiado pela instituição estava com um canudo e dois pedaços de plástico (semelhantes a papel de bala) no conteúdo estomacal. Assim como os demais animais marinhos afetados pela poluição oceânica, ao ingerir o lixo, o pinguim tem a falsa sensação de saciedade, fator que vai desencadear magreza e, possivelmente, inflamações no tubo digestório”.

🐧 Ao avistar um pinguim debilitado na faixa de areia, acione imediatamente o PMP-BS pelo telefone 0800 642 33 41 (tanto no Paraná quanto em Santa Catarina). A ligação é gratuita e funciona das 8h às 17h30. Informe a praia, o município e um ponto de referência. No Paraná também é possível acessar o telefone-Whatsapp (41) 9 9213 8746

Se você vir um pinguim nadando, sem mostrar debilidade, se afaste e deixe ele seguir seu caminho. Se ele chegar debilitado na praia, tente afastar outras pessoas. Se o resgate for demorar, e não houver risco de você ou o animal se machucar, coloque o pinguim em uma caixa de papelão, o mantenha aquecido com um pano seco e aguarde a chegada da equipe. Não molhe e não ofereça alimento. Essa orientação é válida para pinguins que estejam na faixa de areia sem se mover.

Em Guaratuba – Na quarta-feira (17), um pinguim debilitado foi encontrado na praia de Coroados, em Guaratuba. Como o deslocamento da equipe do LEC, que fica em Pontal do Paraná, seria muito longo e demoraria muito tempo, o pessoal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Guaratuba fez o resgate e levou até o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Marinha (CreD).

Em Guaratuba, além dos telefones do PMP, as pessoas podem entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente, através do whatsapp: (41) 3472-8647.

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