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Comerciantes fazem buzinaço e funcionários do hospital pedem silêncio e ajuda

https://youtu.be/IvI6hVXbmRQ

Um grupo de comerciantes de Guaratuba fez uma carreata para criticar algumas restrições de combate à covid-19. Na frente do Hospital Municipal veículos passaram buzinando e algumas pessoas gritaram palavras de ordem: “fora comunismo”, esbravejou um homem de bicicleta; “tratamento precoce resolve”, gritou uma senhora, de dentro de um carro, defendendo uma medida sem eficácia comprovada e que pode causar danos à saúde.

Enquanto a carreata passava, profissionais do hospital, como enfermeiros, uma médica e o próprio secretário municipal da Saúde, Gabriel Modesto, fizeram uma manifestação silenciosa com cartazes escritos à mão. Um deles, pedia o óbvio: “Silêncio, por favor respeite os pacientes”. Outros explicavam, denunciavam, pediam: “Estamos aqui por vocês”, “A vida é nossa prioridade”, “Fique em casa”, “Todos contra o vírus”, “Estamos aqui pela vida”, “Números têm nome”, “116 óbitos”, “Nos ajudem”, “Misericórdia”. O protesto silencioso virou um vídeo.

A manifestação barulhenta reuniu dezenas de veículos, teve bandeiras do Brasil e contou com apoio da Associação Comercial e Empresarial de Guaratuba (Acig) e de grupos de rede sociais como “Guaratuba Conservadora”.

O presidente da Acig, Bráulio Augusto Pedrotti, proprietário do Bangalô dos Pasteis, afirmou nas redes sociais que o protesto não era “político”, mas que os empresários fizeram pedidos para a Prefeitura flexibilizar as regras vigentes e não foram atendidos. Ele afirmou que a única reivindicação é para todo o comércio poder abrir aos sábados e domingos. Em seguida, acrescentou o pedido para os restaurantes poderem a abrir até as 23h.

O atendimento às duas flexibilizações dependem do governo estadual, que impôs toque de recolher a partir das 20h e proibiu o comércio não essencial aos finais de semana. As regras valem em todo o Paraná. Os prefeitos podem decretar restrições maiores, de acordo com a realidade de cada município, nunca menores das adotadas no Estado.

Na noite de sábado e início de domingo de Páscoa, a divergência continuou nas redes sociais, com a divulgação de mensagens, fotos, vídeos, argumentos e xingamentos. Funcionários públicos eram “acusados” de receber os salários em dia mesmo na pandemia. Empresários, de só pensarem no dinheiro ou na viagem ao exterior que não poderiam fazer neste ano, e por aí vai…

Estas discussões que acontecem em todo o Brasil têm um componente típico de uma cidade de menos de 40 mil habitantes, onde muitos se conhecem e até mesmo são parentes. Uma relação de nomes e empresas divulgada para mostrar quanto apoio havia ao protesto, acabou virando, para outros, uma lista para um movimento de boicote ao comércio.

Polêmicas acirradas à parte, o coordenador da Vigilância Sanitária do Município, Hermínio Molinari, confirmou, nesta manhã, ao Correio do Litoral que a maioria as normas sobre funcionamento das atividades seguem decretos do governo estadual. Também explicou o quadro atual da pandemia em todo a região litorânea:

“É importante frisar que as restrições estão adequadas a uma realidade do Litoral, onde nos encontramos com uma matriz de altíssimo risco. De acordo com as orientações deste grau de risco, deveria estar tudo fechado”, diz Molinari. “Mas a Prefeitura de Guaratuba tem implantado medidas que tentam equilibrar a segurança à vida e a subsistência econômica do comércio”, comentou.

 

Na tarde deste domingo, a Acig compartilhou fotos da carreata. Além das dezenas de carros, dá pra ver a participação de alguns motoboys.

Frases coladas nos veículos faziam paralelos entre as vidas humanas e perdas humanas e os negócios: “Luto” e “Não vamos deixar nosso comércio morrer”. Em uma caminhonete, um tubo de oxigênio ilustrava a faixa que foi muito criticada na redes sociais: “O comércio de Guaratuba pede socorro, já estamos no oxigênio, não vamos deixar nosso comércio morrer”.

 

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