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Guaratuba assiste juri simulado de Dilma

Fotos: Correio do Litoral

Se dependesse do julgamento realizado nesta quinta-feira (30) no plenário da Câmara Municipal de Guaratuba, a presidente Dilma Roussef  já teria perdido seus direitos políticos.

Por cinco votos a dois, Dilma foi considerada culpada pelos “crimes de responsabilidade fiscal e administrativa” – as “pedaladas fiscais” – por ter “informado uma falsa realidade econômica do país”, e ter sido “conivente com os desvios e prejuízos à Petrobras”. Desta forma, a juíza Renata de Souza determinou que fosse exonerada do seu posto de presidente, a condenou a “devolver aos cofres públicos as quantias desviadas” e a tornou inelegível por oito anos.

A rigorosa juíza Renata é uma adolescente que estuda no 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual 29 de Abril. Sua colega de sala “Dilma” na vida real se chama Ana Brunello. As duas participaram de um juri simulado da presidente, que misturou estudo da política, do noticiário e dramaturgia. Numa cena de pura ficção, a ré sentiu-se mal e sua advogada Emely Silva, este é o nome real, interrompeu o promotor de acusação Luis Costa, também nome real, para pedir um recesso. A juíza concedeu cinco minutos. “Dilma” saiu e voltou sob um “zum zum zum” de apoios e críticas.

O “zum zum zum” da plateia durante o julgamento e todo o projeto foi uma criação das professoras Silvia Lipski (Filosofia) e Marcia Regina Chillemi (Português). Desde o início do ano letivo, uma equipe de alunos do 3º ano A da manhã começou a elaborar o juri simulado, que acabou envolvendo todos os colegas da turma e também do 3º Ano B e até do 2º ano, que participaram como figurantes na encenação.

Também formaram a equipe o “juiz Sergio Moro”, personagem do aluno Mateus Tobias que atuou como testemunha da acusação, o “ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União Eduardo Cardozo”, incorporado pelo estudante Manoel Campos, os três seguranças da “presidente”, os jurados, uma equipe de apoio à juíza e duas equipes de reportagem.

Na plateia, houve o cuidado de dividir igualitariamente o número de apoiadores e críticos à presidente. Mais encenação: se fosse a vontade deles, quase todos estariam na fila dos contras. Este repórter pediu aos cerca de 50 alunos que assistiram ao juri que levantasse a mão quem era a favor da presidente. Nem o braço levantado do repórter, que deixou a isenção de lado e tentou influenciar o voto pró-Dilma, ajudou: só quatro levantaram.

A encenação mostrou a grande espontaneidade da atual geração de adolescentes midiáticos.

Além das repórteres (da TV Brasil e da “Rede 25”), o discurso e a linguagem da mídia esteve presente sobretudo nos argumentos e na oratória da acusação, na leitura que os estudantes fazem do momento político e até na reação do “público” em relação à Dilma, quando entrou no “tribunal” – a cena foi realizada e filmada depois do julgamento por uma falha técnica – e nos xingamentos feitos à Dilma. Um retrato do Brasil mostrado na mídia hegemônica, a chamada grande imprensa.

O julgamento real da presidente, no Senado, deve acontecer em agosto. Ficará para a história o julgamento definitivo de Dilma Roussef, seu governo e sua época.

Sem entrar no mérito da sentença, da decisão dos jurados, no argumento das partes, o empenho dos jovens em entender e dar o seu julgamento sobre o Brasil de hoje merece que seja atendido a reivindicação feita por duas alunas no verso dos cartazes de “Fora Dilma” e “Não vai ter golpe”: eles merecem os 4 pontos do trabalho.

 

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