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Atlântico Sul tem maior concentração de plástico nos oceanos

Imagem: National Geographic

Se você está curtindo as férias nas praias do Paraná com tanta tranquilidade que nem se importou com aquela sacola plástica ou garrafa pet que deixou cair no mar, saiba que você está contribuindo para uma triste estatística.

O cientista espanhol Andres Cozar Cabañas liderou estudo para o primeiro mapa do lixo plástico no mundo e observou que a mancha próxima ao Atlântico Sul é uma das mais marcantes.

A equipe encontrou bem menos concentrações de plástico do que previa – e isso não é uma boa notícia. Com o vento, as ondas e o sol, o plástico é quebrado em pedacinhos quase invisíveis a olho nu, o que pode gerar consequências biológicas inestimáveis na cadeia alimentar.

Após expedição de 9 meses, foram analisadas 3.070 amostras de água e observou-se que há uma presença acentuada de fragmentos de plástico até mesmo a milhares de quilômetros de distância dos continentes. O grande motivo de preocupação é que eles foram encontrados no estômago de peixes que são fonte primária de alimento para os peixes explorados comercialmente como o atum, por exemplo.

Os cientistas buscam saber onde mais estão esses fragmentos. Esse estudo preliminar pode ser lido em inglês pelo: bit.ly/EstudoPlásticoOceano

Ecossistema de Plástico

O mapa revela, também, a existência de um novo ecossistema baseado no plástico, batizado pelos cientistas de Platisfera (comunidades microbióticas que se desenvolvem no plástico e no lixo contido no mar). As ilhas de Plástico têm se tornado um novo habitat ecológico para várias bactérias.

Os animais marinhos estão morrendo ou desenvolvendo deficiências, por conta de se alimentarem ou se enroscarem nos resíduos plásticos despejados diariamente nos mares e oceanos.

Em meados de 2013, na Holanda, uma baleia de quase 50 toneladas e 14 metros de comprimento apareceu morta na praia. A necrópsia do cetáceo indicou que a “causa mortis” fora a ingestão de 20 kg de plástico – suficiente para danificar o sistema digestivo e expelir toxinas fatais ao animal.

Além do despejo irregular de lixo terrestre nos oceanos, os navios de turismo, cargueiros e barcos de pesca também despejam lixo em alto-mar. Um grande número de redes de pesca são jogadas no mar justamente por quem deveria proteger a fauna marítima, por ser sua fonte de sustento – os pescadores.

Baleias, tartarugas, focas, pinguins, golfinhos e peixes de todos os tamanhos, aves e até moluscos, estão morrendo por consumir plástico.

O brilho que o plástico reflete, por outro lado, confunde os animais que acabam ingerindo ou se enroscando no lixo flutuante ou submerso nos oceanos – fragmentos de sacolas plásticas, tampinhas de garrafa, isqueiros, copos, garrafas, redes de pesca, lacres de diversos formatos, etc.

O albatroz e o pelicano têm sido grandes vítimas desses materiais. Por se alimentarem de animais marítimos que nadam próximo à superfície, acabam ingerindo material plástico flutuante, confundido com alimento. Além de sofrerem com o consumo desse material, as aves retornam aos seus ninhos e regurgitam alimento plastificado nos filhotes, fazendo com que quase metade morra em decorrência de perfuração do estômago, asfixia ou inanição, pelo plástico não digerido.

Outro caso que tem preocupado biólogos é o das tartarugas. Na Austrália um estudo recente comprovou a drástica e perigosa diminuição da população de tartarugas-verdes, ameaçada de extinção, em consequência da ingestão de restos de produtos plásticos. Além delas, cinco das sete espécies de tartarugas marinhas são consideradas ameaçadas ou em perigo, de acordo com a União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), por ingestão de material plástico.

No Brasil não é diferente. A Gremar – Associação de Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos, recolhe nas praias brasileiras, tartarugas, pinguins, golfinhos e outros animais marinhos, mortos ou debilitados, com copos, sacolas, tampinhas e até brinquedos plásticos, no estômago.

Imagem do estudo
Imagem do estudo
Fontes: National Geographic e Ambiente Legal (Antonio Fernando Pinheiro Pedro)
Imagens: National Geographic e National Academy of Sciences of the United States of America
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