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Paraná S/A.: tirando dinheiro do povo… e o oxigênio, quando?

Alguns meses atrás eu já comentava nas redes sociais e em conversas com meus filhos, coisas que ao ler um breve artigo de um brasileiro que gosto muito, bateu perfeitamente com o que penso:

Reproduzo o pensamento do professor e economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira.

“Há hoje um forte mal-estar entre as elites brasileiras, que perderam a ideia de nação e estão sem qualquer projeto para o Brasil. E eu, que sempre fui um otimista, começo também a perder minhas esperanças.”

Afinal no que o Brasil se transformou? Um ótimo mercado? Lugar bom pra ganhar dinheiro? Etc etc etc….. mas e como Nação?

A conclusão do professor, com a qual comungo, falhamos como “nação”, ou talvez nunca tenhamos chegado a ser.

As pessoas se autodenominam pelo sobrenome herdado como; alemão, japonês, italiano, polonês, português, árabe, e por aí vai. Mas, não falam mais a língua de seus antepassados, foram misturados no tempo, sequer são reconhecidos mais pelas regiões de origem de seus bisavós, tataravós…. não são mais nada.

Então, se nos recusamos a construir uma nação e temos uma elite que deposita mais 20 bilhões de dólares em “apenas” um banco, o HSBC na Suíça pra sonegar impostos e fugir com suas riquezas para fora, o que fazem por aqui? Apenas ganham dinheiro nesse ótimo mercado?

É parece-me que nos tornamos isso: um mercado. Um shopping center, onde a felicidade é sinônimo de capacidade financeira de consumir, de ter um cartão de crédito.

Quando grande parte se recusa a apoiar uma criança pobre com R$ 17,00 por mês, a inclusão social de descendentes de escravos negros e repartição da riqueza nacional para reduzir as desigualdades seculares… sinal que não somos “nação”, pois uma República parte do princípio que os bens comuns são públicos, ou, do povo.

Há uma imensa ignorância sobre isso tudo, o que nos coloca lá embaixo no ranking de países onde as pessoas sabem exatamente que fazem parte de uma nação. Então, novamente: Somos apenas uma grande fazenda, ou um shopping center… ou, um mercado.

Em mercados não há cidadãos, apenas “consumidores”.

Mas afinal, o que tem a ver o título da coluna de hoje Paraná S/A.: tirando o dinheiro do povo: e o oxigênio, quando?

A provocação é o seguinte: o governador do Paraná anuncia pacotaços, tarifaços, aumentos dos impostos estaduais, IPVA dos carros, ICMS sobre o diesel, a água é paga e me pergunto: quando vão cobrar pelo oxigênio que respiramos?

Vários países NÃO COBRAM PELA ÁGUA POTÁVEL! Sim, isso mesmo que você leu… Há uma cota familiar para sua vida normal, pois água é vida! Não se vive sem ela. Não se condena à morte famílias por não ter dinheiro para comprar água potável.

Mas, por aqui no grande MERCADO BRASIL, tudo é capitalismo e lucro alucinado: se ganha dinheiro com concessão pública pra colocar água nas torneiras das pessoas. O Caso da Sabesp em São Paulo, que deixou de investir em captação e reservatórios para distribuir lucros a acionistas inclusive na Bolsa de Nova Iorque, é o coroamento dessa tese. A paranaense Sanepar vai no mesmo caminho, a CAB de Paranaguá, a Samae municipal de Antonina e por aí vai…. tudo por dinheiro, como diz o milionário armênio Senor Abravanel, mais conhecido como Silvio Santos.

O governador do Paraná anuncia: após aumento de 24% de aumento em 2014, a conta de luz dos paranaenses aumentará agora mais 34%! Ou seja, se forma capitalizada, uma conta média de R$ 100,00 em janeiro de 2014, agora custará R$ 166,00. Então, na real, supera 66%…. sem considerar outras armadilhas… afinal, a Copel já deixou de ser pública, do povo, mas uma fábrica de lucros para capitais privados em Wall Street.

Fica a pergunta: o que diriam aqueles visionários dos anos 30, 40 e 50 que semearam as empresas públicas para “servirem ao público”, pois eram os recursos da sua gente que construiu estas infraestruturas para o bem comum.

Tudo está deixando de ser público, para ter uma leitura apenas financista, capitalista, lucro para uma elite endinheirada e para seus vassalos que estão no poder pelo voto “do povo”.

Então, retornando ao pensamento do professor Bresser-Pereira, digo que perdemos a ideia de construir uma nação, tudo está virando um mercado, e o cidadão, um mero consumidor. Vamos ver até quando o oxigênio será gratuito.

Bem-vindo ao shopping da Empresa Paraná S/A. e pague pra viver nele…. se puder!

É a minha opinião!

 

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