Porto de Paranaguá avança na agenda climática com Plano de Descarbonização
Iniciativa envolve a comunidade portuária com meta de emissões zero até 2050

O Plano de Descarbonização da Portos do Paraná foi apresentado à comunidade portuária nesta quarta-feira (11), no Palácio Taguaré, sede administrativa da empresa pública. O documento apresenta uma série de medidas para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e foi elaborado pela Fundación Valenciaport — centro espanhol de inovação vinculado ao Porto de Valência, especializado em transição energética, novas tecnologias e combustíveis renováveis.
“A meta central de descarbonização da Portos do Paraná é a mesma da Organização Marítima Internacional (IMO): estabelecer emissões zero até 2050”, explicou o diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Santana.
A construção do plano começou primeiramente com o Inventário de Gases de Efeito Estufa, também elaborado pela Fundación Valenciaport e concluído no primeiro semestre de 2025. Segundo o gerente de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Thales Trevisan, essa foi uma das etapas mais desafiadoras. “Chamamos empresa por empresa para verificar qual era o nível de cada uma em relação aos seus inventários”, declarou.
Durante o lançamento, especialistas em descarbonização apresentaram o projeto desenvolvido para a Portos do Paraná e as propostas de avanço na Meta Net Zero 2050. Entre as sugestões estão a melhoria na coleta de dados, estudos da demanda energética dos navios atracados e a eletrificação do cais, com a substituição de equipamentos operacionais movidos a combustíveis fósseis.
“A Portos do Paraná é um dos poucos portos latino-americanos que possuem um plano de descarbonização estruturado. Isso demonstra a inovação e o compromisso da administração do porto com a sustentabilidade”, declarou o diretor de Desenvolvimento Internacional da Fundación Valenciaport, Miguel Garín.
União da comunidade portuária
A próxima etapa será a implementação de grupos de trabalho com a comunidade portuária.
“O plano é um documento vivo, que pode ser revisitado e atualizado a qualquer momento”, afirmou o coordenador de Monitoramento e Qualidade da Diretoria de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Vader Zuliane Braga.
Os grupos de trabalho terão como objetivo implementar projetos como a eletrificação de equipamentos, adequações em processos operacionais e novos padrões voltados à redução das emissões de GEE.
A coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da Catallini Terminais, Gabriella Leal, acompanhou o evento e destacou o trabalho da empresa na elaboração do próprio inventário de gases de efeito estufa, iniciado em 2021. “Nossa perspectiva é conseguir executar o nosso plano de descarbonização ainda este ano”, afirmou.
Já a Cotriguaçu iniciou neste ano seu inventário de gases de efeito estufa para subsidiar futuras metas de descarbonização. “A descarbonização é uma demanda do setor portuário e de todo o planeta. Estamos engajados nesse processo, junto com a Portos do Paraná e a Aliança Brasileira para Descarbonização dos Portos”, declarou a analista sênior de ESG da Cotriguaçu, Simone Czarnobai.
Além do público presente, mais de 100 pessoas participaram do evento de forma on-line. Também ocorreram pitches (apresentações curtas e objetivas de soluções ou projetos) e exposições de empresas com soluções sustentáveis na área externa do auditório.
Uma das organizações participantes foi o Grupo Borelli, que apresentou o uso de caminhões movidos a Gás Natural Veicular (GNV) na rota entre o interior do Paraná e Paranaguá. Já a empresa Linck Máquinas, distribuidora oficial da Volvo, apresentou as vantagens da pá carregadeira elétrica e outros equipamentos eletrificados para operações portuárias.
“A melhor forma de incentivar a sustentabilidade no setor é mostrar que a transição energética traz desafios, mas também gera oportunidades e vantagens competitivas”, afirmou o diretor de Transição Energética e Descarbonização da Fundación Valenciaport, Josep Sanz.
Sobre o inventário
O inventário foi elaborado com base na metodologia internacional do GHG Protocol, padrão global utilizado para medir, gerenciar e reportar emissões de gases de efeito estufa, e no Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, publicado por Puertos del Estado.
No período analisado, as atividades de todo o complexo portuário dos portos do Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, distribuídas em três escopos de análise.
O Escopo 1 refere-se às emissões diretas da Autoridade Portuária e representou 2,7% do total.
O Escopo 2, relacionado às emissões indiretas do consumo de energia elétrica, somou 0,1%.
Já o Escopo 3, que inclui emissões indiretas das demais atividades relacionadas às operações portuárias — como terminais, transporte terrestre, serviços de apoio e navios — representou 97,1% das emissões de GEE.

Navios verdes
O estudo revelou que 89,2% das emissões de gases de efeito estufa registradas na região portuária em 2023 tiveram origem nos navios, e não nas atividades operacionais do porto.
Para incentivar práticas mais sustentáveis, a Autoridade Portuária concede prioridade de atracação aos chamados “navios verdes” — embarcações com melhor desempenho ambiental.
A medida está prevista no Regulamento de Programação, Operações e Atracações de Navios – edição 2023, que beneficia navios com matrizes energéticas voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa.
Outras iniciativas sustentáveis da Portos do Paraná
Desde 2019, a Portos do Paraná participa ativamente da COP (Conferência das Partes), evento anual das Nações Unidas voltado às mudanças climáticas, apresentando ações socioambientais realizadas nas comunidades do entorno dos portos paranaenses.
A empresa pública também firmou parceria com o Porto de Rotterdam, na Holanda, para desenvolver projetos de energias renováveis nos portos de Paranaguá e Antonina. O memorando de entendimento, assinado em 2023, integra o programa Green Ports Partnership, com duração de três anos.
Além disso, a Portos do Paraná é o único porto público brasileiro com certificação EcoPorts, referência internacional em gestão ambiental portuária.
Fonte: GCom Portos do Paraná
