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Presença feminina avança no maior terminal portuário do Sul do país

Número de mulheres em cargos operacionais mais que triplicou na TCP nos últimos cinco anos
Jéssica Moraes, berth planner da TCP, atua no planejamento de atracação dos navios no Terminal de Contêineres de Paranaguá. (Foto: Divulgação/TCP)

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, é o maior terminal de contêineres do Sul do Brasil e, nos últimos cinco anos, expandiu sua movimentação em 50%, ultrapassando a marca 1,6 milhão de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés), em 2025. Nesse cenário de recordes, a participação de mulheres em áreas administrativas, operacionais e de liderança tem crescido ano após ano, inclusive em atividades historicamente dominadas por homens.

No início de 2026, as mulheres já ocupavam aproximadamente de 45% dos cargos administrativos da companhia. Nos cargos operacionais, o número triplicou nos últimos cinco anos, e chegou à marca de 180 colaboradoras. O crescimento demonstra um avanço rápido, mas ainda há muito espaço a ser conquistado: apenas 15% dos postos de trabalho nas áreas de execução são ocupados por mulheres.

Entre as áreas operacionais que mais contrataram mulheres nos últimos anos estão os setores de planejamento e controle, que registraram mais de 20 admissões nos últimos dois anos. Nos postos de operadoras de Terminal Tractors (caminhões de terminal), o número de mulheres quase triplicou desde 2021.

“As mulheres são parte fundamental da trajetória de crescimento da TCP. Nossa evolução não se reflete apenas nos números, mas na qualidade, no engajamento e na liderança que essas profissionais demonstram todos os dias”, afirma Felipe de França, gerente de Recursos Humanos da TCP.

No pátio: operação exige precisão e responsabilidade

Onde os contêineres circulam entre navios e pilhas de armazenamento sob protocolos rigorosos de segurança, Marta Ribeiro atua há quatro anos na condução de um Terminal Tractor: cavalo mecânico projetado especificamente para manobrar reboques, carretas e contêineres em curtas distâncias.

Antes de ingressar na operação, trabalhou na área administrativa com faturamento e contabilidade e tinha experiência limitada no transporte de contêineres. Hoje, é responsável por movimentar cargas entre o cais e o pátio, integrando a engrenagem que sustenta a logística do Terminal.

“Nunca imaginei que trabalharia com uma carreta. Achava até difícil. Mas nós, mulheres, mães, sabemos do que somos capazes quando há foco e determinação. Sei que sou uma peça importante nas operações e fico muito feliz de fazer parte desse processo, como uma profissional qualificada”, conta Marta.

Já Vera Lúcia da Silva, de 55 anos, está há quase 12 anos na TCP. Natural de Ivaiporã, possui curso técnico em Portos e ingressou na empresa em 2014 como operadora de Reach Stacker (empilhadeira de contêineres). Em 2020, foi promovida a operadora de RTG, equipamento de grande porte essencial para a movimentação de contêineres no pátio.

“Morei na roça até os 18 anos, terminei o segundo grau depois dos 30 e hoje opero um equipamento de 40 toneladas num dos maiores portos do Brasil”, conta. “Operar RTG não é uma tarefa fácil. Envolve pessoas, caminhões e equipamentos de grande porte, é uma grande responsabilidade e não podemos falhar. Por isso, meu papel não é só um reflexo da minha habilidade técnica, mas a quebra de um estereótipo. A cada dia tenho a chance de mostrar que as mulheres são capazes”, ressalta.

No planejamento: decisões estratégicas moldam a operação

Na área de planejamento, Jéssica Moraes, 25 anos, atua como berth planner na TCP. Formada em Letras e pós-graduada em Gestão de Negócios Portuários e Logística Aduaneira, está há cinco anos na empresa. Iniciou como aprendiz na área de Recursos Humanos, passou por Assistente de Vazios e, em 2023, assumiu o planejamento de atracação dos navios e a organização das operações de cais.

“Minha trajetória acabou me levando para uma área diferente da minha formação, mas encontrei no setor portuário a carreira que sempre sonhei. Ser berth planner é ter uma responsabilidade estratégica dentro da operação e tudo o que planejamos impacta diretamente os resultados do Terminal”, explica a profissional.

Para ela, a trajetória demonstra que competência e dedicação não têm gênero. “Minha história mostra que é possível crescer dentro da empresa com dedicação e vontade de aprender. Não tenha medo de começar e nem de mudar de área”, orienta.

Para a empresa, garantir espaço para mulheres em todas as áreas, do planejamento de navios ao alto dos guindastes, é parte essencial de sua consolidação como um dos maiores terminais do país. “O crescimento da empresa só é possível com diversidade de talentos. As mulheres contribuem diretamente para os resultados que posicionam a TCP como referência nacional”, explica França.

Programação especial marca o mês da Mulher na TCP

Durante todo o mês de março, o Terminal também promove uma programação interna dedicada à valorização e ao desenvolvimento das colaboradoras. Entre as atividades estão palestras online, rodas de conversa sobre maternidade e carreira, encontros sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional e iniciativas voltadas à saúde e ao bem-estar das trabalhadoras. A programação inclui ainda atendimento clínico exclusivo para mulheres no ambulatório do Terminal, com orientações médicas e encaminhamento para especialistas.

Para França, as ações fazem parte de um esforço contínuo da empresa para fortalecer o protagonismo feminino dentro e fora do ambiente de trabalho. “Mais do que uma data simbólica, o mês da Mulher é uma oportunidade para promover reflexão, desenvolvimento e apoio às nossas colaboradoras. Queremos criar um ambiente onde cada profissional possa construir sua trajetória com segurança, reconhecimento e oportunidades de crescimento”, conclui.

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