Correio do Litoral
Notícias do Litoral do Paraná
Matinhos abril 24 Curtiu a Diferença 1170 250 busao

Pré-candidato ao Senado, Zeca Dirceu diz que Lula já tirou país do atoleiro

“Foram seis meses de muito trabalho e serão três anos e meio de mais trabalho ainda. Mas os números e os indicadores mostram que o pior já passou”, diz em entrevista

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Zeca Dirceu (PT), disse nesta segunda-feira, 3, que o presidente Lula (PT), em seis meses, já tirou o país do atoleiro e agora só falta o Banco Central baixar as taxas de juros de 13,75% ao ano. “Foram seis meses de muito trabalho e serão três anos e meio de mais trabalho ainda. Mas os números e os indicadores mostram que o pior já passou. O presidente Lula, de forma muito hábil, implementa medidas nas duas pontas da sociedade tanto com ações na política econômica que atendem o setor produtivo como nas políticas sociais em que o pobre voltou a fazer parte do orçamento do governo”, disse Zeca Dirceu, um dos pré-candidatos do PT a uma possível eleição suplementar ao Senado no Paraná.

Nesta entrevista, Zeca Dirceu destaca o que ele chama de avanços nos seis meses do governo Lula, o trabalho da liderança do PT na Câmara dos Deputados, as principais votações, da retomada de programas como o Bolsa Família, Mais Médicos e Minha Casa Minha Vida e das eleições municipais para 2024, em especial no Paraná, em que o petismo enfrenta resistência no eleitorado. 

Com seis eleições consecutivas – duas de prefeito e quatro para a Câmara dos Deputados –, Zeca Dirceu já teve mais de 482 mil votos e se tornou um player da política paranaense e nacional. “Na medida que tudo volta ao seu lugar, com emprego, renda e crescimento que atendam a todos, principalmente aos mais pobres e vulneráveis, a população vai comparar o que está sendo feito pelo governo do PT com o que foi destruído nos últimos quatro anos e que resultou no aumento da pobreza e da miséria”, aponta.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

O senhor é pré-candidato ao Senado em caso da cassação de Sérgio Moro (União)?
Sem colocar o carro na frente dos bois, as conversas no Congresso Nacional – agora será muito mais com a decisão do TSE pela inelegibilidade do inominável – apontam que o senador terá o mesmo destino que o Deltan Dallagnol, ou seja, a cassação. Com isso será necessária uma nova eleição ao Senado e estou empolgado com o apoio que tenho recebido de lideranças do PT e de outros partidos, do apoio que recebo nas cidades, dos professores, dos estudantes, enfim, dos que nos dão energia na nossa vida política.

Agora, também considero legítimo que outras lideranças do PT se colocam para cumprir esta tarefa. Como acompanho na imprensa, a deputada Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, e o ex-governador Roberto Requião, e o deputado Requião Filho também são pré-candidatos e têm a legitimidade em buscar esta provável vaga pelo partido e disputar o Senado. Diferente de outros partidos, o PT tem democracia interna e vai saber fazer a melhor escolha. Independente desta escolha, estaremos juntos.

Quais são as condições para o senhor assumir esta tarefa pelo PT?
A primeira é a unidade do partido e tenho certeza que o PT não vai se dividir com o resultado da escolha de um candidato na disputa ao Senado. A segunda é o aval e o apoio do presidente Lula.

Como o senhor enfrenta as críticas pelo seu trânsito entre os adversários do petismo como o governador Ratinho Junior (PSD), o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL)?
São duas situações. No Paraná, o governo Lula não vai discriminar qualquer agente público por sua posição política e ideológica. Tanto é que aí estão os repasses para saúde, para as obras de infraestrutura e a atuação da Itaipu Binacional que, por exemplo, vai repassar R$ 17 milhões para comprar mobiliário para 278 colégios estaduais. Procuramos o diálogo e uma relação republicana com o governador e com os prefeitos independente de partidos que pertencem ou, como já disse, das posições políticas e ideológicas. O governo Lula é um governo de todos e o Paraná, além de ser quarta economia do país, tem a atenção devida.

Já no Congresso Nacional, o PT e a base do governo são minorias. Na Câmara, somos 140 deputados. É necessário sempre conversar, dialogar e debater com todas as forças políticas. O presidente da Câmara não é o nosso entrave político, aliás, o que as lideranças do governo acordaram, ele está sendo cumprido. Isso desde a aprovação da PEC da Transição na legislatura passada. Participo do colégio de líderes, onde se definem as pautas de votação, e não vejo qualquer movimentação ou articulação para obstruir este ou aquele projeto do governo. O que se cobra são as demandas acordadas que agora estão ganhando maior celeridade.

Como foram esses seis meses de trabalho na liderança do PT na Câmara dos Deputados?
Foi e está sendo de muito trabalho. Agradeço o apoio e a unidade de 100% da bancada da federação do PT, PV e PCdoB. Estamos trabalhando de forma conjunta em todas as comissões do parlamento, nas CPI’s, nas discussões, debates e votações no plenário. É um trabalho diário que inclui as reuniões do colégio de líderes, as articulações na aprovação das propostas encaminhadas pelo governo – são reuniões que seguem noite adentro, às vezes até de madrugada. E noutro dia cedo, estamos no trabalho novamente.

Mesmo assim, o governo sofreu alguns reveses como a MP da reestruturação ministerial, marco do saneamento MP da Mata Atlântica , marco temporal e a própria instalação das CPIs….
Olha, a primeira vitória foi acabar com o orçamento secreto, hoje é tudo transparente. Nas pautas consideradas importantes, avançamos muito e começou antes mesmo desta legislatura com a aprovação da PEC da Transição, que viabilizou a volta com aumento do valor da Bolsa Família. Nestes seis meses, aprovamos as MPs do Mais Médicos, da Minha Casa Minha Vida, da Bolsa Família e da Reorganização dos Ministérios, aprovamos o novo regime fiscal, e teremos que trabalhar agora pela aprovação da reforma tributária, que não é uma pauta somente do PT ou do governo, mas de todo país, as mudanças no Carf que vai proporcionar pelo menos em R$ 50 bilhões para saúde e educação, por exemplo, e o programa escola integral. Portanto, o trabalho não para e o tensionamento entre as forças políticas acontece em qualquer parlamento do mundo.

Mas e as CPIs?
Temos deputadas e deputados valentes e briosos desmascarando todas as mentiras dos extremistas bolsonaristas que querem transformar as CPIs em um palco para lacração e palhaçada. Os próprios bolsonaristas estão arrependidos da CPI de 8 de janeiro de tanto desgaste que estão tendo. E a CPI do MST, já foi objeto de discussão em outras vezes no parlamento brasileiro. Não podemos criminalizar um movimento que comprovadamente produz alimentos ao país, fundamental na pandemia com as doações de cestas básicas e de marmitas às populações mais impactadas pela covid.

O lançamento do Plano Safra objetivou tirar as diferenças com o agronegócio brasileiro.
Não é isso. O governo, o presidente Lula, o PT não têm qualquer diferença com o agronegócio, muito pelo contrário, consideramos um setor mais do que importante para gerar emprego, renda e riquezas para o país, é o nosso principal ativo nas exportações. Um plano safra de R$ 364,2 bilhões, com aumento de 27% e o maior da história, é justamente esse reconhecimento, da importância dos médios e grandes produtores no país. Na outra ponta, o presidente também lançou um plano safra para agricultura familiar de R$ 77,7 bilhões, também o maior da história, que vai apoiar o pequeno produtor que coloca a comida no prato de cada família brasileira.

Os juros altos atrapalham a vida do brasileiro ou uma medida acertada pelo Banco Central para controlar a inflação e evitar nova crise econômica?
Atrapalham e muito. Primeiro, a redução da taxa Selic não é uma defesa somente do governo e do PT, mas da maioria dos partidos, do setor produtivo, do empresário ao trabalhador. Os juros altos impedem qualquer tipo de investimento, encarecem a produção, o que compromete o custo final no mercado interno e internacional, prejudicam o comércio e a indústria, inibem o crédito, o custo de vida, de alimentos, bens básicos ficam bem mais caros e por vezes inacessíveis a uma boa  parcela da população.

Mesmo com o negacionismo econômico do Banco Central, a inflação baixou 3,4% em junho, o PIB aumentou 1,9% no primeiro trimestre, a taxa de desemprego já baixou dois dígitos e hoje está em 8,3%, o dólar caiu na casa dos R$ 4,8. O vice-presidente Geraldo Alckmin fez um cálculo que aponta essa perniciosa relação entre juros altos à dívida pública e o freio à economia. Para cada 1% da taxa de juro, o custo na dívida pública alcança R$ 38 bilhões, o que representa R$ 180 bilhões que poderiam ser investidos em apoio para a retomada do ciclo virtuoso do país. Manter os juros nos atuais patamares é um crime contra o Brasil.

E o Lula voltou a ser o cara?
Lula é o cara. É o maior líder político que o mundo tem atualmente. Seu pronunciamento e discurso em Paris são emblemáticos. A preservação e a proteção do meio ambiente tem que levar em conta a redução da desigualdade que só aumenta no mundo inteiro. O Brasil voltou a ser uma nação respeitada e também voltou a ser um player mundial com a pauta prioritária de combate à fome e a pobreza e de cobrança justa da participação dos países mais ricos neste enfrentamento da miséria, que não é só brasileira, campeia o mundo inteiro, inclusive os países do primeiro mundo.

No Brasil, em seis meses, Lula tirou o país do atoleiro. Os próximos seis meses serão ainda melhores e em 2024, esperamos decolar. E dizem que o presidente é um cara de sorte. A sorte acompanha quem faz, quem acorda cedo e trabalha. E como diz a música: quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Leia também