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Encalhe de botos-cinza no Paraná é alerta sobre poluição do mar

O Projeto de Monitoramento de Praias registrou, neste mês de junho, o encalhe de 12 carcaças de botos-cinzas nas praias do Paraná. Foram 73 encalhes em um ano. A situação preocupa aos pesquisadores, por se tratar de uma espécie classificada como vulnerável na lista de espécies ameaçadas de extinção na costa brasileira.

O Paraná abriga uma importante população do boto-cinza (Sotalia guianensis), uma espécie de golfinho avistado ao longo de todo o ano nas baías, estuários e área costeira do estado, onde se alimentam, se reproduzem e cuidam de seus filhotes.

De acordo com a equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC/UFPR), estes animais são considerados sentinelas ambientais, ou seja, a saúde e a sobrevivência dos botos-cinzas são indicadores de qualidade do oceano.

O que está ocasionando a perda de saúde dos botos-cinzas?

Segundo artigo publicado pela equipe do LEC/UFPR, em parceria com o Laboratório de Patologia Animal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mostrou que, em 2016, a maioria dos botos-cinza encontrados encalhados apresentavam doenças e lesões corporais características de animais expostos a estresse elevado. 

Esta situação não mudou. Entre 2019 e 2021 a equipe veterinária vinculada ao Projeto de Monitoramento de Praias no Paraná registrou que 70% dos animais encalhados mortos estavam com algum tipo de doença pré-existente, tais como parasitoses no ouvido interno, doenças de pele ou doenças pulmonares crônicas como pneumonia. 

As pesquisas mostram também que a maioria dos botos-cinza que morrem nas redes de pesca apresentaram doenças crônicas. Conforme relatado pelo Andrei Brum, médico-veterinário da equipe, estas doenças indicam que o ambiente onde a população de botos reside não está com boa qualidade. 

 As alterações do ecossistema são, em geral, ocasionadas pelo desenvolvimento urbano desordenado, intenso trânsito de embarcações, obras portuárias, uso de agrotóxicos nas lavouras e outros compostos químicos na indústria, e mesmo algumas atividades pesqueiras irregulares. 

Estas atividades geram poluição e degradação, alterando a saúde do mar, da sua biodiversidade e até mesmo afetando a saúde humana. 

 Projeto de Monitoramento de Praias

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. O Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC/UFPR) é responsável por monitorar e avaliar os encalhes no Trecho 6, abrangendo os municípios de Guaratuba, Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba.

Fonte: LEC/UFPR

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