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Não dá nada

Não sou implicante, mas a expressão “não dá nada”, me irrita profundamente. Escuto e penso: já deu tudo errado. Parece que vivem num mundo paralelo e pensam que com elas nada acontece.

A pandemia deixou tudo isso mais evidente. Aglomerações, máscara no queixo e a recusa de ficar em casa quando possível. Em janeiro, deste ano, resolveram colocar uma barraca iglu em cima da pedra da Praia Brava, em Caiobá. Infelizmente, já assisti dezenas de afogamentos, poucos foram salvos. No mundo paralelo, a maré não sobe, não tem vento. Se cair no mar, não tem correnteza. Enfim, não dá nada. Mesmo com orientação da polícia, a saída da rapaziada foi sob protestos e no meio da gritaria veio o maldito “não dá nada”.

Começou a cair água no poço do elevador, devido a um vazamento de água, em um apartamento. Adivinhem! Veio o sonoro “não dá nada”. Como assim? Desde quando água e eletricidade combinam? E o pior é que acham que é exagero.

Há três semanas, fui ao mercado e comprei pastéis de queijo. Quando fui comer, eram de frango. Imediatamente, tirei fotos dos pastéis, da etiqueta que estava escrito queijo e da nota fiscal. Mandei um e-mail para o SAC, mandei mensagem por whatsapp e tentei ligar para o supermercado, em Caiobá. Nada feito. Criei um roteiro sobre as pessoas lendo minha reclamação.

Abrindo o e-mail – O que? Essa mulher não tem o que fazer e resolveu reclamar dos pastéis. Que coma os de frango, não dá nada. Lendo o whats – Foi mal, mas não dá nada.

Pois bem, na semana passada, estive no supermercado, quis conversar com o gerente e duas moças me disseram que era impossível porque ele circula muito. Ok, resolvi contar para elas e fui nocauteada com uma informação. Na primeira mordida, deveria voltar lá para devolver. Ah…tá! Pagaria 20 reais para reclamar de produtos de 14 reais, fora o tempo de ida e volta, bem na hora do almoço. Argumentei isso e que pedi pastéis de queijo e paguei por eles, a pessoa que me vendeu tem que prestar atenção. Quando estava saindo, uma das moças me abordou e disse que o gerente geral me ligaria no dia seguinte e claro que não aconteceu. No meu roteiro mental, o gerentão também é dessa turma. Não quero outros pastéis, inclusive, são horríveis. 

Queria um pedido de desculpas, um sinto muito e pronto. Paguei pelo o que não comi.

Fico tentando descobrir se é uma hiper valorização ou ignorância. Devem pensar que são super heróis e blindados às dores. Sou uma simples mortal e comigo as coisas dão errado. Não é pessimismo, juro.

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