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Repórter do Estadão acompanha monitoramento de meros no Paraná

Herton Escobar, do blog de Ciência do jornal “O Estado de S. Paulo”, e o fotógrafo Marcio Fernandes estiveram no litoral do Paraná para acompanhar a captura de meros que estão sendo monitorados.

A equipe conta como é Projeto Meros do Brasil e mostra imagens dos peixes gigantes ameaçados de extinção. Tem também um vídeo feito pelos cientistas.

Cientistas monitoram meros ameaçados na costa do Paraná

Equipe do Projeto Meros do Brasil puxa para a lancha um mero de 1,8 metros, na costa do Paraná. Foto: Marcio Fernandes/Estadão
Equipe do Projeto Meros do Brasil puxa para a lancha um mero de 1,8 metros, na costa do Paraná. Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Herton Escobar

Reportagem do Estado acompanhou o trabalho de pesquisadores do Projeto Meros do Brasil, incluindo a captura de um peixe de 1,8 metro e 150 kg. Os meros recebem transmissores acústicos que permitem monitorar seus movimentos ao longo da costa, para melhor protegê-los. Espécie está criticamente ameaçada de extinção.

Em uma tarde ensolarada de fim de verão, ao largo da costa do Paraná, três pesquisadores e um mergulhador profissional se debruçam sobre o corpo de um peixe do tamanho de um jogador de basquete, estendido no convés da lancha. Com 1 metro e 83 centímetros, o mero é maior do que qualquer um dos seres humanos a sua volta, apressados em tirar medidas, fazer implantes e coletar amostras de sua pele, antes de devolvê-lo ao mar.

Foram necessárias três pessoas, fazendo muita força, para içar o animal de sua toca, no fundo do mar, brigando como um touro na ponta da linha. Os pesquisadores estimam que ele pese cerca de 150 kg. “O maior que já capturamos aqui tinha 220 kg”, conta Matheus Freitas, biólogo marinho e presidente do Instituto Meros do Brasil, que coordena os esforços de pesquisa e monitoramento da espécie na região.

O peixe não está doente, mas a cena de pronto-socorro no barco se justifica. Sua espécie, a Epinephelus itajara, está criticamente ameaçada de extinção no Brasil, segundo a nova “lista vermelha” do Ministério do Meio Ambiente, publicada no fim de 2014.

A costa do Paraná é um dos últimos lugares onde essas garoupas gigantes ainda podem ser encontradas com alguma abundância em águas brasileiras, depois de terem sido quase exterminadas nas décadas de 1980 e 1990. A espécie é protegida por uma moratória federal desde 2002, mas sua recuperação é lenta. Assim, todo cuidado é pouco.

Para não morrer sufocado na superfície, o mero é mantido “entubado”, com uma mangueira bombeando água fresca do mar sobre suas guelras. Uma toalha branca umedecida é colocada sobre seus olhos, para mantê-lo calmo – afinal, um peixe de 150 quilos e 10 espinhos no dorso se debatendo dentro da lancha não seria boa ideia.

O biólogo Leonardo Bueno faz uma incisão na barriga do peixe para implantar um transmissor acústico, do tamanho de uma pilha, que será usado para monitorar seus movimentos. ID 29.227, será o nome de batismo científico deste mero daqui para frente. Sempre que ele passar em um raio de 500 metros de uma rede de sondas submarinas espalhadas pelo litoral paranaense, sua presença será registrada.

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O objetivo é conhecer os padrões de deslocamento da espécie. “Para proteger os meros, precisamos primeiro saber onde eles estão”, explica Freitas. Este é o 12.º mero a receber um transmissor desde dezembro de 2013. Os dados já coletados indicam que a espécie se concentra na costa do Paraná durante o verão. Depois, “desaparece”.

“Estamos vendo quando os peixes entram e saem daqui. Para onde eles vão no resto do ano, não sabemos”, diz Freitas. É possível que eles estejam migrando para outras regiões ou para águas mais profundas. Para saber será necessário ampliar a rede de sondas, hoje restrita a quatro aparelhos.

Recifes artificiais

A resiliência dos meros no Paraná é beneficiada por uma combinação de fatores ambientais e humanos. Um deles é a concentração de manguezais na costa do Estado, que servem de berçário e “jardins de infância” para a espécie. “O mero adulto se reproduz no mar, mas os jovens crescem e se desenvolvem no mangue”, explica Freitas.

Outro fator são os recifes artificiais de concreto instalados pela Associação Mar Brasil em frente ao Pontal do Paraná, além de duas balsas afundadas próximas dali, que ampliaram o “mercado imobiliário” disponível para a espécie, numa região dominada por fundos de areia.

“Os meros no mundo todo têm uma atração por estruturas artificiais. É um bicho grande, que precisa de toca grande”, diz o biólogo Leonardo Bueno, pesquisador do Projeto Meros do Brasil e do Instituto Comar, uma ONG de conservação marinha de Santa Catarina.

A comodidade é tanta que uma das áreas onde os recifes artificiais foram instalados há quase 20 anos é hoje conhecida como Parque dos Meros, próximo ao Arquipélago de Currais. Foi lá que encontramos o mero ID 29227, repousando dentro de um grande bloco de concreto vazado, como se fosse uma casinha de cachorro, a 15 metros de profundidade.

Localizar os meros mergulhando é fácil: eles não temem o homem e são até bastante curiosos – um dos motivos pelos quais estão ameaçados, pois são presa fácil para caçadores. Capturá-los para estudo, porém, é bem mais difícil.

Por algum motivo, os meros do Paraná não mordem iscas, nem quando são colocadas na sua frente. Bueno, então, teve de inovar. Ele criou um apetrecho de pesca com um anzol acoplado à ponta de uma vara, que usa para fisgar o peixe manualmente debaixo d’água – enfiando o anzol na boca dele.

Veja abaixo um vídeo da captura do mero, utilizando esse apetrecho:

A captura acompanhada pelo Estado, no final de fevereiro, foi a última do projeto neste ano, por causa das condições de mar e visibilidade da água (que pioram muito no outono e inverno). Os cientistas ainda tem 17 transmissores para instalar, mas falta capturar mais meros e mais recursos financeiros para dar continuidade ao trabalho, até agora patrocinado pela Petrobras. Uma proposta de renovação foi submetida à empresa há cerca de um ano, mas até agora não houve resposta.

Leia a reportagem completa em: http://ciencia.estadao.com.br/blogs/herton-escobar/cientistas-monitoram-meros-ameacados-na-costa-do-parana/
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