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Lobo-marinho precisou ser salvo da curiosidade em Guaratuba

Policiais florestais e bombeiros de Guaratuba tiveram de retirar uma fêmea de lobo-marinho da Praia Central, neste domingo (11) à tarde, para protegê-la da curiosidade excessiva dos banhistas. Se as pessoas não perturbassem tanto o animal, o indicado seria deixá-lo descansar da longa jornada.

O animal estava pelo menos desde sexta-feira descansando nas areias da praia mais movimentada de Guaratuba. De acordo com relatos de banhistas, ele chegou a voltar para o mar, mas retornou.

A reportagem foi ao local no domingo depois de uma leitora pedir a intervenção do Correio para que as autoridades retirassem do local. A Polícia Florestal informou que esteve no local diversas vezes, inclusive com biólogos do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná, localizado em Pontal do Paraná. Os técnicos informaram aos policiais que o animal estava saudável e que apenas necessitava descansar. A orientação dos especialistas foi para não removê-lo.

Banhistas ouvidos pela reportagem confirmam que, no sábado e no domingo, os policiais orientaram as pessoas a não se aproximarem. Segundo testemunhas, o pequeno lobo-marinho foi alvo de brincadeiras e de perturbação. Pelo menos uma criança tentou tocá-lo e por pouco não foi mordida. Durante a madrugada, jovens teriam jogado cerveja no animal.

Atendendo solicitação do Correio e de diversas pessoas que telefonavam para os números de emergência da PM e do Corpo de Bombeiros, os policiais florestais voltaram ao local no domingo à tarde e constataram a perturbação ao animal. Algumas pessoas jogavam água no animal numa tentativa de refrescá-lo. Outros chegavam bem perto para fazer fotos. Um homem tentou acariciá-lo e quase foi mordido. Outro chegou bem perto para “fazer uma sombra” e tentar amenizar o forte
calor.

Diante da situação, os policiais florestais acabaram decidindo levar o lobo-marinho para uma praia mais tranquila, longe da curiosidade humana. As pessoas não se afastaram nem mesmo durante o transporte até a caminhonete do Corpo de Bombeiros. A reportagem pode constatar que a operação foi bastante cuidadosa, sem provocar nenhum ferimento ou stress ao animal.

Fêmea jovem

O Correio entrou em contato com um dos membros da equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação do CEM, Gilberto Ougo. O estudante do último ano do curso de Oceanografia confirmou que a equipe esteve no sábado para conferir as condições do lobo marinho. De acordo com Ougo, trata-se de uma fêmea juvenil da espécie Arctocephalus australis (lobo-marinho-sul-americano) com aproximadamente 90 centímetros de comprimento – a fêmea adulta chega a medir 1 metro e 40 centímetros.

Pelo exame visual da respiração foi verificado que o animal estava saudável, não estava magro, fraco, nem apresentava marcas de ferimentos ou contaminação com óleo. Gilberto Ougo explicou que a espécie habita os mares do Uruguai e da Argentina e é a espécie mais comum de ser encontrada nas praias do Brasil. O estudante confirma que, nos casos em que os animais estão em boas condições aparentes de saúde, o indicado e deixar que ele permaneça na praia para descansar até que ele decida voltar ao mar. Quando as pessoas perturbam os animais, eles acabam não conseguindo descansar.

Lobo-marinho-sul-americano

Também é chamado de lobo-marinho-do-sul, o Arctophoca australis é um mamífero carnívoro com ampla distribuição geográfica no hemisfério sul, sendo encontrado tanto na costa do Oceano Atlântico quanto do Pacífico.

Na costa Atlântica da América do Sul, ocorre desde o extremo sul da Argentina e ilhas vizinhas (Ilha dos Estados e Ilhas Falklands) até a costa do Uruguai, onde existe a maior colônia reprodutiva da espécie na Ilha dos Lobos, com mais de 150.000 indivíduos. A reprodução acontece nestas colônias nos meses de outubro a dezembro.

Como ajudar em casos de encalhe ou de animal descansando na praia:
– Entre em contato com as instituições responsáveis
– Não alimente o animal
– Não tente devolver o animal para a água
– Ajude a isolar a área mantendo pessoas e animais domésticos afastados
– Faça fotografias do animal, possibilitando a identificação da espécie e documentação do caso
– Colabore com a sensibilização e a conscientização da comunidade

Proteja a sua saúde:
-Os animais encalhados podem transmitir doenças aos seres humanos. Evite respirar o ar expirado pelos animais
– Não se aproxime. São animais grandes em situação de debilidade física, que podem se tornar ariscos com a aproximação de outros indivíduos e causar ferimentos.

Telefones:
Laboratório de Ecologia e Conservação do CEM (Pontal do Paraná): 3511-8671 ou 9854-3710
Polícia Militar: 190
Denúncia Ambiental: 0800 643 0304

Matéria do CorreiodoLitoral recuperada no Correio Atlântico 

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