Polícia Ambiental do Litoral ganha 5 novos pontos de apoio com recursos de indenização da Petrobras
Programa Biodiversidade Litoral do Paraná destina recursos para instalação de pontos fixos em Paranaguá, Guaratuba, Guaraqueçaba, Antonina e Tijucas do Sul

A 1ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPAmb), sediada em Paranaguá e responsável por todo o Litoral, recebeu R$ 1 milhão em equipamentos por meio do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). A iniciativa promove a conservação, a pesquisa e o uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação (UC) do litoral paranaense. A origem dos recursos é o acordo judicial com a Petrobras após o vazamento de óleo diesel na Serra do Mar, ocorrido em 2001,
O investimento permitiu a aquisição de embarcações, drones, equipamentos de georreferenciamento, materiais de proteção individual e itens logísticos que fortalecem a atuação diária das equipes em campo. Para 2026, já está aprovado um novo aporte, também de R$ 1 milhão, para instalação de pontos de apoio fixo em cinco municípios: Paranaguá, Guaratuba, Guaraqueçaba, Antonina e Tijucas do Sul (Represa de Vossoroca)s. O apoio responde a uma carência histórica da corporação, que há anos não recebia recursos exclusivos de reequipamento.
Segundo a capitã Maria Cecilia M. N. T. Rodrigues, comandante da 1ª Cia do BPMA à época do projeto e que acompanhou de perto a aplicação dos recursos do BLP nesse processo de reestruturação, todos os itens já foram entregues, incluindo barcos, drones, GPS, coletes infláveis para patrulhamento aquático, coletes salva-vidas e carretas para a movimentação das embarcações. As bases operacionais também foram reequipadas com itens básicos, como cadeiras, fogões e geladeiras para o trabalho em turnos longos e em áreas remotas. “Aumenta consideravelmente o nosso poder de resposta na fiscalização e no atendimento de denúncias ambientais. Quando a gente pensa na questão aquática, precisa de uma forma de se locomover nesse meio. Então, os barcos vieram suprir essa necessidade da Companhia, principalmente na fiscalização de pesca. Na parte de materiais de uso diário, como computadores e cadeiras, melhora a capacidade operativa, os processos de auto de infração e a própria qualidade de trabalho do policial militar”, afirma.
Crimes ambientais são recorrentes
Ainda de acordo com a capitã Maria Cecília, a região do litoral paranaense é palco de crimes ambientais recorrentes e o reforço estrutural tende a ampliar a capacidade de enfrentamento. O desmatamento lidera as ocorrências, frequentemente associado à extração ilegal do palmito-juçara, espécie ameaçada de extinção. A caça nas áreas protegidas aparece em seguida, geralmente vinculada às mesmas regiões de desmate. A pesca irregular completa o ranking de infrações mais comuns, além de casos frequentes de tráfico e captura ilegal de animais silvestres. Só em setembro deste ano, durante a 9ª edição da Operação Mata Atlântica em Pé, foram aplicadas mais de R$ 19 milhões em multas, lavrados 108 autos de infração e identificados 836 hectares desmatados, equivalente a 1.100 campos de futebol.
A capitã reforça que a participação da população é indispensável para o sucesso das investigações e operações. “Muitas vezes, a informação passada pela comunidade é a peça que falta no nosso quebra-cabeça. Mesmo algo aparentemente simples pode ser determinante”, afirma. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 181 ou presencialmente nas quatro bases da Polícia Ambiental no litoral.
Educação ambiental
Além das ações de fiscalização, os novos equipamentos fornecidos por meio do BLP, fortalecem o trabalho de educação ambiental realizado pela corporação, especialmente em comunidades tradicionais, ilhas, escolas e regiões de difícil acesso. O contato frequente com os moradores permite combater práticas culturais que ainda persistem. “Ainda existe uma cultura forte relacionada à caça que hoje não se justifica mais. Quando conseguimos estar presentes nas comunidades longínquas, conseguimos trazer a educação ambiental e, aos poucos, a cultura vai mudando. A ideia da preservação e da conservação aumenta cada vez mais naquela localidade”, afirma a capitã.
Maria Cecília destaca que o apoio recebido está alinhado à missão do Batalhão e deve ampliar o alcance das ações de conservação em longo prazo. “O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná vai ao encontro do propósito do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, que é a conservação e o patrulhamento nessas áreas, principalmente por ser ainda um remanescente grande da Mata Atlântica. A iniciativa veio para somar e a gente espera que ela se perpetue”.
Sobre o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná
Criado em 2021, o programa Biodiversidade Litoral do Paraná promove a conservação, a pesquisa e o uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense. Financiado pelo Termo de Acordo Judicial (TAJ) firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, o Programa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: serão mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.
A governança do programa é compartilhada entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino superior e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), supervisionados pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Paraná. A gestão financeira e operacional do Programa é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Para saber mais, acesse www.biodiversidadelitoralpr.com.br.
