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Ilhas dos Currais: natureza preservada, mergulho e memória no litoral do Paraná

No horizonte de Pontal do Paraná – e de Matinhos –, um conjunto de ilhas rochosas rompe a linha do mar e revela um dos cenários mais expressivos do litoral paranaense
Fotos: Clovis Santos / PMPPR

O arquipélago das Ilhas dos Currais, formado pelas ilhas Grapirá, Três Picos e Filhote, compõe uma das áreas marinhas mais relevantes do Paraná. Inserido no Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, o território reúne biodiversidade, abriga importantes colônias de aves marinhas e guarda vestígios da relação ancestral entre o ambiente costeiro e os povos originários, atraindo visitantes interessados em experiências ligadas à natureza, ao mergulho recreativo e à observação de aves.

Durante expedição técnica ao arquipélago, a equipe da Prefeitura de Pontal do Paraná, com a presença do prefeito Rudão Gimenes e do secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Jackson Cesar Bassfeld, esteve acompanhada por técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A atividade contou com a orientação de Márcio Ferla, chefe e analista ambiental do ICMBio em Matinhos, e de Rodrigo Torres, também analista ambiental do instituto, além do instrutor de mergulho Roberto Baracho, da Scubasul Cursos de Mergulho, que prestou suporte técnico às atividades subaquáticas.

O objetivo foi acompanhar ações de gestão, monitoramento ambiental e diretrizes relacionadas ao uso ordenado da área protegida.

Para o prefeito Rudão Gimenes, a participação do município em atividades técnicas contribui para o alinhamento das ações locais com a gestão da unidade de conservação. “As Ilhas dos Currais integram o patrimônio natural do município. A presença da Prefeitura em atividades de acompanhamento junto ao ICMBio permite compreender melhor a dinâmica do parque e colaborar com políticas públicas voltadas ao uso responsável do litoral”, afirmou.

Formado por ilhas rochosas cercadas por águas claras e rica vida marinha, o arquipélago integra uma das áreas protegidas mais singulares do litoral do Paraná. Sob gestão do ICMBio, o parque nacional marinho opera com regras específicas de uso, voltadas à preservação dos ecossistemas marinhos e terrestres.

São permitidas atividades como pesquisa científica, mediante autorização do órgão gestor, ações de educação ambiental, visitas guiadas, observação da natureza, contemplação da paisagem, ecoturismo e recreação em contato com a natureza, sempre de acordo com as normas da unidade de conservação.

As Ilhas dos Currais figuram entre os principais sítios reprodutivos de fragatas no Sul do Brasil. De grande envergadura, essas aves utilizam as correntes de ar para longos deslocamentos sobre o oceano e encontram no arquipélago condições adequadas para reprodução. Pesquisas realizadas há cerca de duas décadas já indicavam a relevância da área para a avifauna.

Segundo o analista ambiental Fábio Moreira Correia, responsável pela área de Proteção e Ordenamento Territorial do ICMBio em Matinhos, além das fragatas, é possível observar gaivotões, atobás, espécies de trinta-réis em períodos específicos do ano, além de garças e socós.

A presença de aves consideradas terrestres, como bem-te-vi, tico-tico, urubu-preto e gavião-carcará, reflete a adaptação dessas espécies ao ambiente insular.

Para a gestão ambiental do município, a existência do parque tem impacto direto no equilíbrio dos ecossistemas costeiros.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, as Ilhas dos Currais exercem papel relevante na manutenção da fauna marinha e das aves que utilizam o litoral como área de alimentação e reprodução.

O parque conta com um Conselho Consultivo, e entre as demandas atuais estão melhorias na sinalização da unidade de conservação e a elaboração do plano de manejo.

A atividade pesqueira é permitida exclusivamente a pescadores artesanais, conforme regras acordadas entre as comunidades tradicionais e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As normas buscam conciliar a conservação da fauna marinha com os modos de vida tradicionais, garantindo o uso responsável dos recursos naturais e a continuidade da pesca artesanal na região.

O acesso às ilhas é controlado. O desembarque é autorizado apenas pelo ICMBio, de acordo com a finalidade da visita. Em contrapartida, a navegação, o banho de mar e o mergulho recreativo são permitidos e fazem da região um dos pontos mais procurados por praticantes da atividade no litoral paranaense.

Segundo orientação do ICMBio, tanto o mergulho em apneia quanto o realizado com equipamento autônomo são liberados, desde que adotadas boas práticas, como sinalização adequada da atividade e cuidados para evitar qualquer interferência no ambiente marinho.

Os visitantes podem conhecer o arquipélago por meio de passeios organizados por agências de turismo e empresas especializadas, que atuam de forma orientada e alinhada às normas ambientais do parque. Entre as opções estão a agência Sambaqui Turismo e as empresas Deep Sub Travel & Dive – Cursos de Mergulho, Viagens e Serviços Subaquáticos, além da Scubasul Cursos de Mergulho.

As atividades incluem mergulho autônomo (SCUBA) e snorkeling, voltado à observação da vida marinha a partir da superfície.

Imagem: Roberto Barach

Sobre esse potencial, a secretária municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Luciana Goldschmidt Costa, ressalta a importância da organização da visitação. “A visitação às Ilhas dos Currais precisa ser planejada e orientada, respeitando as normas ambientais e valorizando experiências ligadas à natureza. O trabalho conjunto com o ICMBio e com os operadores locais contribui para oferecer atividades seguras e alinhadas à preservação do parque”, destacou.

A poucos metros abaixo da superfície, outro ponto chama a atenção dos mergulhadores: o Parque dos Meros. Implantado há mais de duas décadas, o conjunto de recifes artificiais abriga peixes de grande porte, incluindo meros que podem alcançar quase três metros de comprimento. A orientação aos visitantes é manter distância mínima de cinco metros dos animais, evitando qualquer interferência em seu comportamento.

Antes mesmo do reconhecimento como área protegida, o arquipélago dos Currais já possuía significado para os povos originários do litoral. O nome da maior ilha, Grapirá, tem origem indígena e faz referência direta à fragata, ave que ainda hoje domina o céu da região, mantendo viva a memória da relação entre território, fauna e paisagem.


Fonte: Prefeitura de Pontal do Paraná

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