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Imprensa denuncia manobras da direção da Itaipu após eleições

Reportagens da Folha de S. Paulo e da CNN Brasil publicadas no mesmo dia (terça, 24) informam que a atual direção brasileira da Itaipu Binacional, nomeada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, firma convênios e antecipa nomeações às vésperas da mudança de direção que deverá ser feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Correio do Litoral também apurou que o diretor-geral vice-almirante Anatalício Risden Junior, e o diretor técnico da usina, David Rodrigues Krug, – este também nomeado no governo Bolsonaro – pretendem escolher a pessoa que ocupará um importante cargo na futura gestão.

Em documento oficial emitido em janeiro, os dois nomearam o próximo superintendente de Operação na Diretoria Técnica, ainda que o atual ocupante do cargo só se aposente no próximo mês de em março. A nomeação pode ser revertida pela nova direção que será nomeada por Lula.

Enio Verri – Entre os nomes cogitados para ocupar o cargo de diretor brasileito da Itaipu, o nome do deputado federal Enio Verri (PT-PR) subiu nas casas de apostas. O Correio conversou com o parlamentar se ele teria, inclusive, decidido renunciar ao mandato – condição para assumir a Itaipu – conforme informações que circulam na imprensa.

“Até o momento, são apenas algumas especulações da mídia”, disse Enio Verri, na noite desta segunda-feira (23), ao repórter Gustavo Aquino.

Folha e CNN

Conforme destaca a jornalista Alexa Salomão, da Sucursal de Brasília, da Folha, “o diretor-geral de Itaipu da gestão bolsonarista, vice-almirante Anatalício Risden Junior, tem sido ativo no encerramento de sua gestão, na avaliação de quem acompanha a estatal”.

Segundo revela a reportagem, “ele tem assinado novas parcerias e alterado o escopo de alguns contratos já vigentes, ampliando prazos ou valores”.

“Há quem argumente que o período eleitoral afetou a liberação de recursos, e Risden precisa concluir parcerias já acertadas com vários municípios. No entanto, a avaliação de outros é que ele deveria ser mais comedido, pois está formando uma herança de última hora para os próximos gestores, dentro de uma conta que não para de crescer e é paga pelos consumidores de energia do Brasil”, dia a reportagem.

“Essas parcerias compõem os chamados programas de responsabilidade socioambiental de Itaipu. Boa parte financia obras. Um levantamento realizado pela consultoria PSR, uma das mais conceituadas do Brasil na área de energia, identificou que esses gastos passaram de US$ 88,5 milhões (R$ 459,5 milhões) em 2013 para US$ 316,1 milhões (R$ 1,6 bilhão) em 2022”, informa a jornalista.

De acordo com levantamento da Folha na página da Itaipu, nos meses de novembro e dezembro do ano passado, após as eleições, Risden firmou ou alterou 31 convênios ou acordos. “Novos convênios e acordos oficializados nos dois últimos meses de 2022, somados aos realizados nas duas primeiras semanas de janeiro, totalizam o empenho futuro de mais de R$ 40 milhões”, informa a matéria.

Já a reportagem de Caio Junqueira para a CNN, em texto e vídeo, faz uma lista e demonstra que “a tentativa de manutenção da influência militar ocorre de diversas maneiras”:

Distribuição de recursos da companhia para a região mediante a assinatura de aditivos contratuais e convênios;

Aprovação de regras que estabelecem benefícios internos e dificuldades de promoção;

Nomeações de nomes alinhados a cúpula para novos cargos;

Reinauguração do escritório de Brasília em um dos endereços mais caros da capital federal;

Indicação do Conselho Fiscal do fundo de pensão da empresa.

Confira a íntegra das matérias da Folha e da CNN

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