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Projeto inicia nova fase em comunidades Guarani do Oeste e Litoral do Paraná

Com ações voltadas à segurança alimentar, à gestão da água e ao fortalecimento comunitário, projeto Opaná nasceu do diálogo com lideranças indígenas para responder a demandas concretas das comunidades
Iniciativa teve impacto importante no cotidiano da comunidade | foto: Fábio Conterno

Depois de dois anos de trabalho contínuo nas comunidades Guarani da região oeste e do litoral do Paraná, o projeto Opaná: Chão Indígena chega ao fim de sua primeira etapa com resultados que demonstram melhoria das condições de vida, fortalecimento comunitário e valorização dos saberes tradicionais indígenas. Ao mesmo tempo em que encerra esse ciclo, uma nova fase já começa a ser preparada para dar continuidade às ações e ampliar os impactos alcançados.

Desenvolvido pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD) em parceria com a Itaipu Binacional, o projeto foi pensado para apoiar iniciativas comunitárias que articulam sustentabilidade, autonomia e cuidado com o território. A proposta nasceu do diálogo com lideranças indígenas e buscou responder a demandas concretas das comunidades, combinando conhecimentos tradicionais com soluções práticas para o cotidiano.

Segurança alimentar é uma das preocupações do Projeto Opaná | foto: Fábio Conterno

Para Selma Cipriano, cacica e cuidadora de um quintal produtivo no tekoha Porã, em Guaíra, o projeto Opaná teve um impacto importante no cotidiano da comunidade. “Eu achei muito bom, porque ajudou a comunidade aqui no tekoha. Antes a gente tinha mais dificuldade, e depois que o Opaná começou a trabalhar na aldeia, melhorou bastante”, afirma.

Ela também destaca o vínculo construído com a equipe do projeto e o sentimento de continuidade deixado nas famílias. “A gente comentou entre as mulheres que vai sentir falta da equipe que trabalhou conosco. Todo mundo gostou muito, principalmente quem cuida do quintal e do roçado”, relata. Segundo a cacica, o acompanhamento técnico e a presença constante da equipe fizeram diferença no dia a dia da comunidade. “Eles ajudaram bastante aqui no Porã, tanto no roçado quanto nas outras atividades. Foi um trabalho importante para nós”, completa.

Proposta nasceu do diálogo com lideranças indígenas | foto: Ana Paula Soukef

Um dos eixos centrais do projeto foi o fortalecimento dos conhecimentos tradicionais e das práticas de cuidado com o território. As atividades tiveram como base a construção de Planos Comunitários, metodologia na qual as próprias comunidades debatem e definem suas prioridades e necessidades. A partir desse processo, buscou-se reconhecer e valorizar a relação histórica que o povo Guarani mantém com a terra, a floresta e a água. Nesse contexto, foram realizadas mais de quatro mil visitas técnicas e encontros, incluindo oficinas e momentos de formação, reuniões comunitárias e ações voltadas ao manejo sustentável, sempre respeitando os modos de vida e as formas próprias de organização das comunidades.

Outro eixo importante do projeto foi a promoção de iniciativas de educação antirracista voltadas ao público não indígena. Por meio de encontros, atividades formativas e espaços de diálogo, as ações buscaram ampliar a compreensão sobre a história, os direitos e os modos de vida dos povos indígenas, contribuindo para enfrentar estereótipos e preconceitos ainda presentes na sociedade brasileira. O projeto também estimulou reflexões sobre o racismo estrutural e sobre a importância de reconhecer as pessoas indígenas como sujeitas de direitos, protagonistas na defesa de seus territórios e portadoras de conhecimentos fundamentais para o cuidado com a terra e a biodiversidade.

Criação de peixes em tanques-rede | foto: Fábio Conterno

Além dos resultados materiais, um dos principais legados do projeto Opaná está no fortalecimento das redes comunitárias e na ampliação do diálogo entre comunidades indígenas, organizações da sociedade civil e instituições públicas. As atividades formativas e os encontros comunitários criaram espaços de troca de experiências, onde lideranças, jovens e famílias puderam compartilhar conhecimentos e construir soluções coletivas.

Atividades com protagonismo indígena

Ao longo desses dois anos, diversas ações foram implementadas em comunidades Guarani do Paraná. Entre elas, destacam-se iniciativas voltadas à segurança hídrica, como a instalação de sistemas de captação e armazenamento de água da chuva, que ajudam a garantir água para uso em atividades produtivas. Oficinas comunitárias também promoveram a construção coletiva de calhas e reservatórios, fortalecendo o protagonismo das próprias comunidades no manejo e na manutenção das estruturas.

Valorização dos saberes tradicionais indígenas | foto: Ana Paula Soukef

O projeto também incentivou práticas de cuidado com a terra e com a biodiversidade, incluindo atividades de manejo sustentável, proteção de nascentes e fortalecimento de sistemas produtivos ligados à cultura Guarani. A valorização de conhecimentos tradicionais foi um elemento central em todas as etapas, reconhecendo o papel das comunidades como guardiãs de saberes fundamentais para a preservação ambiental.

A implementação de Sistemas Indígenas de Produção Agroecológica (Sipas), com roçados organizados em consórcio de diferentes variedades e quintais produtivos, contribuiu para fortalecer a segurança e a sustentabilidade alimentar nas comunidades. A iniciativa também incluiu a instalação de tanques elevados para a criação de peixes e a construção coletiva de chiqueiros, em sistema de mutirão, para a criação de suínos no modelo de Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre (Siscal). Nesse sistema, os animais são mantidos em piquetes, priorizando o bem-estar animal e promovendo uma produção mais equilibrada, que amplia e diversifica a alimentação das famílias.

Comunidade tem acompanhamento técnico da equipe | foto: Fábio Conterno

Para as comunidades envolvidas, o projeto representou mais do que a implementação de estruturas ou oficinas pontuais. Ele contribuiu para reforçar a autonomia local, ampliar e diversificar a dieta alimentar nas comunidades e para fortalecer práticas culturais que fazem parte do modo de vida Guarani, sempre em relação direta com o território, a água e a floresta.

Natalino de Almeida Peres, cacique da aldeia Aty Miri, em Itaipulândia, destaca que o projeto representa uma conquista importante para a comunidade, especialmente pelo reconhecimento e apoio em um contexto de retomada territorial. “O Opaná, para nós, é uma conquista. Antes, a comunidade não tinha muita atenção, principalmente por estar em área de retomada. E com o projeto vieram benefícios importantes, como o apoio ao plantio, orientação técnica e o fortalecimento da produção. A gente aprendeu mais sobre o cuidado com os animais, com os peixes, com os porcos e também sobre o manejo da terra de forma orgânica”, afirma.

Segundo ele, além dos resultados práticos, o projeto também deixou aprendizados e experiências que permanecem. “Mesmo quando a gente não estiver mais diretamente no projeto, esse conhecimento fica. É um legado importante para a comunidade, que hoje tem mais plantio, como mandioca, milho e feijão, e também mais possibilidades de gerar renda”, ressalta.

Natalino de Almeida Peres, cacique da aldeia Aty Miri | foto: Fábio Conterno

O cacique reforça o impacto positivo da iniciativa. “No geral, é uma grande vitória para nós. O projeto trouxe conhecimento, fortaleceu a comunidade e deixou um caminho para seguir. Com trabalho e cuidado, sempre tem retorno para a comunidade”, conclui.

Carlos Benites, do tekoha Guarani em Guaíra, aponta a criação de suínos como uma das ações que mais contribuem para a segurança alimentar e a geração de renda nas comunidades. Segundo ele, a atividade fortalece tanto o sustento das famílias quanto as relações de troca e solidariedade dentro da aldeia. “A carne é muito importante para a nossa alimentação. Podemos trocar por outras necessidades e compartilhar com a família da aldeia”, afirma. A prática, incentivada pelo projeto, amplia as possibilidades de autonomia econômica e reforça dinâmicas comunitárias baseadas na cooperação.

Com o encerramento desta primeira etapa, uma nova iniciativa já começa a tomar forma, buscando aprofundar e ampliar os resultados alcançados. O novo projeto pretende dar continuidade às ações voltadas à gestão da água, ao fortalecimento da produção sustentável e à valorização dos conhecimentos tradicionais, além de abrir novas frentes de trabalho voltadas à formação, ao artesanato e ao protagonismo das comunidades.

A continuidade das ações sinaliza o reconhecimento da importância de processos de longo prazo quando se trata do fortalecimento de comunidades indígenas e da proteção de seus territórios.


Fonte: Assessoria de Comunicação FLD / Divulgação: Itaipu

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