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Recém-nascido de toninha encalha vivo em Superagüi, mas não sobrevive

Foto: Evanise Nunes LEC-UFPR

Um filhote de toninha (Pontoporia blainvillei), o golfinho mais ameaçado do oceano Atlântico Sul Ocidental, foi encontrado com vida na manhã da última terça-feira (5) na Ilha de Superagüi, em Guaraqueçaba.

Com menos de 60cm de comprimento total, a fêmea recém-nascida foi resgatada pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), que realiza o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no Estado. O atendimento veterinário começou ainda na praia, mas o animal seguiu para atendimento especializado no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD) da UFPR, em Pontal do Paraná.

Infelizmente, mesmo após todos os procedimentos para estabilização do animal, a toninha morreu. A avaliação agora segue para que durante a necropsia sejam colhidas amostras que permitam compreender a causa da morte do animal.

De acordo com o médico-veterinário e responsável técnico do LEC, Fábio Henrique de Lima, a toninha apresentava lesões pelo corpo e dificuldades para respirar, além de quadros de convulsão. A equipe do LEC contou com apoio de uma rede internacional de especialistas para que o atendimento fosse realizado com o melhor conhecimento sobre resgate de recém-nascidos da espécie. As etapas de atendimento e os resultados das análises realizadas vão somar ao conhecimento desta rede para que, ao menos, todos possam ter melhores informações que auxiliem em atendimentos futuros.

Ameaçadas de extinção

As toninhas são a espécie de pequeno cetáceo (grupo que engloba os golfinhos e baleias) mais ameaçada de extinção na América do Sul. No Brasil a espécie é classificada como “criticamente ameaçada de extinção”.

O comportamento discreto dos animais traz dificuldades para a observação na natureza e para que seja conhecida pela população em geral. No entanto, assim como outras espécies marinhas, a sobrevivência da toninha está ameaçada pela perda e degradação de seu habitat, poluição do oceano e principalmente devido às inúmeras interações com as atividades pesqueiras, incluindo o alto número de animais capturados acidentalmente em redes da pesca de emalhe. 

Com até 1,8m de comprimento total, mas com filhotes menores do que 80cm,  as toninhas habitam as águas costeiras desde o Espírito Santo até a região central da Argentina. Como sentinelas ambientais, seu estudo pode revelar informações importantes sobre a saúde de outras espécies marinhas e sobre a qualidade dos ambientes costeiros-oceânicos, assim como sobre os recursos pesqueiros.

A dra. Camila Domit, bióloga e coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, explica que a sobrevivência da toninha depende de ações coletivas e de um processo mais intenso de governança oceânica. O ordenamento territorial e de práticas pesqueiras é essencial para que os ambientes e alimentos de importância para as toninhas tenham saúde e qualidade. 

Toninhas no Paraná

O litoral do Paraná é uma importante área de reprodução, alimentação e desenvolvimento para as toninhas e o registro de um recém-nascido encalhado vivo é um aviso para que todos cuidem do litoral e da biodiversidade que depende dos mares. Somente em 2023 foram quase 30 toninhas encontradas mortas encalhadas apenas no litoral do Paraná pela equipe de monitoramento das praias. 

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, essa condicionante é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

Ao encontrar animais marinhos debilitados ou mortos nas praias paranaenses,  acione a equipe do PMP-BS/Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pelo 0800 642 33 41.

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