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Requião de volta a Brasília em tempos revoltos

Por Samuel Gomes

Imagem: Marcos Siríaco Martins (com a ajuda da IA)

5 de março de 1941. A Segunda Guerra avança na Europa e África. As manchetes dos jornais internacionais do Ocidente pululam fatos que ficariam para história. “Corte de Relações com a Bulgária”: Londres rompe com a Bulgária porque o país permitiu a entrada de tropas alemãs.” O Reich avança para a Grécia”: O exército de Hitler fustiga a Iugoslávia e a Grécia, com o exército de Hitler ocupando posições estratégicas na fronteira búlgara. “Vitórias Britânicas na África”: os aliados ocupam de posições italianas na Somália e avançam na Etiópia.

Na Ásia, as manchetes registram: “Japoneses deixam as Índias” (Indochina) e “Grã-Bretanha e China: perguntado sobre pacto militar, ministro britânico responde: ‘Isso é um absurdo’”

No Brasil, o maior presidente dos tempos passados (e dos vindouros?), defende os interesses do Brasil com coragem, paciência e determinação, como as manchetes da época registram. O Empréstimo para a Siderurgia Nacional”, destacando o progresso nas negociações com o banco americano Eximbank para a construção da Usina de Volta Redonda (CSN), que seria (como foi) a “espinha dorsal” da indústria brasileira. “Atos do Presidente Getúlio Vargas”: decretos sobre a organização do recém-criado Ministério da Aeronáutica e a estruturação da defesa nacional. “A Carestia da Vida”: o governo impunha controle de preços de alimentos e combustíveis para afastar a exploração oportunística da economia popular devido às restrições de importação impostas pela guerra.

Em Curitiba, um parto. O primogênito de uma família que viria a ter quatro filhos veio ao mundo com o nome de Roberto. Herdeiro das virtudes das famílias Requião e Mello e Silva (https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Requi%C3%A3o) traçou seu percurso neste chão fazendo caminho ao caminhar, como no poema Cantares do espanhol Antonio Machado. E ao caminhar fazendo caminho esculpiu a si mesmo, fazendo eco a um poema, Roteiro, do português Sidónio Muralha, que viria a ser o seu bordão na longa e robusta vida política: “Parar não paro, esquecer não esqueço. Se caráter custa caro, pago o preço. Pago embora seja raro. Mas homem não tem avesso e o peso da pedra eu comparo à força do arremesso.”

E de tanto pagar o caro preço do caráter e arremessar enormes pedras tidas por impossíveis de serem arremessadas por um só homem, Requião veio construindo uma biografia. E o que é o homem senão a sua biografia?

Um estadista se constrói de atos e fatos. Atos e fatos fizeram do menino, cuja voz se ouviu por primeira vez numa maternidade curitibana, um dos maiores tribunos que o Brasil já teve e um dos seus mais determinados e probos administradores. Um realizador. Um estadista.

Requião, para o bem do Brasil, está vivo e bem vivo! E para que não reste dúvida aos seus amigos e admiradores (e aos seus equivocados inimigos), lépido e fagueiro trilha sua volta ao Congresso Nacional, de onde foi retirado em 1918 por um esquema vil, precisamente registrado por Jorge Bahia (“Por que a Lava-Jato agiu nas sombras para tirar Requião do Senado – https://disparada.com.br/lava-jato-requiao-senado-banestado/).

Requião, que nasceu nos tempos quentes da Segunda Guerra, há ser uma voz de coragem e sabedoria no comando da Nação nestes tempos revoltos em que nos é dado navegar. De volta ao leito natural do trabalhismo dos teus antepassados, vida longa, velho marinheiro!


Artigo publicado originalmente em Movimento Paraíso Brasil

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