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Prevenir ou remediar

werney-colunaUma doença, descoberta no início é fácil ser curada, o difícil é percebê-la. Mais tarde é fácil ser percebida, o difícil é curá-la. Assim ensinou Nicolau Maquiavel¹ em “O Príncipe”, livro dedicado ao magnífico Lourenço, filho de Pedro de Médici.

Quando os problemas são identificados com antecedência – segundo Maquiavel, privilégio dos homens prudentes –, eles serão rapidamente resolvidos. Ignorados ou postergados, não haverá remédio que os resolva.

O ensinamento permanece atual e serve para os ‘príncipes’ modernos – políticos, gestores e líderes – que deveriam estar atentos às questões latentes, sejam elas econômicas, sociais ou culturais, pois podem transformar-se em sérios problemas.

No cotidiano é importante distinguir as questões que poderão causar algum prejuízo no futuro. As que parecem ter pouca importância podem revelar-se em uma grande perda e aí, não haverá mais solução.

Demandas sociais, cujos movimentos têm gerado comoções em todo mundo, servem como exemplo: manifestações de desempregados; invasões de sem-terra; greves de funcionários; protestos de comunidades tradicionais reivindicando direitos; cidadãos revoltados com a saúde pública; consumidores indignados; entre outros, são sintomas de que as coisas não estão correspondendo com as necessidades. Na atividade empresarial, não identificar demandas futuras, comprometem empreendimentos promissores e exemplos existem às centenas.

Acontecimento previsível poderá acontecer com o principal empreendimento econômico de Itapoá. O terminal portuário será ampliado significativamente. Sabe-se que o licenciamento ambiental obriga o investidor destinar recursos como ‘compensação ambiental’. Dado ao porte do investimento, os valores deverão ser expressivos e, se aplicados no município, contribuirão efetivamente para o encaminhamento dos ajustes ambientais necessários em Itapoá.

A legislação é clara ao determinar que os recursos oriundos das compensações, sejam aplicados, prioritariamente, em Unidades de Conservação e preferencialmente públicas. Itapoá, exceção feita ao pequeno Parque Natural Municipal e a uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, não as tem. Também não tem politica ambiental municipal definida e que contemple Sistemas de Unidades de Conservação.

Há muito que se propõe a criação de política ambiental municipal que normatize e estimule a criação de Unidades de Conservação, públicas e privadas. Quando da implantação do terminal portuário, os recursos da compensação ambiental, substanciais na época, foram redirecionados para outros municípios que, ao contrário de Itapoá, possuíam em seus territórios Unidades de Conservação públicas.

Não há mais espaço para omitir a relevância ambiental de Itapoá, detentora dos últimos remanescentes florestais das planícies costeiras. Há que se ter visão e discernimento para perceber o que realmente é fundamental para um desenvolvimento equilibrado, que contemple o aspecto econômico, social e ambiental.

Tendências latentes, às vezes ocultas, são mais significativas do que as que se manifestam aparentemente na superfície. Assim são as questões difusas que precisam ser discutidas participativamente com a sociedade.

As pessoas em geral, tem demonstrado disposição para articulações com os que têm poder de decisão sobre a coisa pública, mas, também, em exercer efetivo controle social sobre elas. Cabe ao dirigente liderar as ações equalizando os diferentes interesses, priorizando o bem público e coletivo. Postergar ou omitir atos necessários pode trazer consequências danosas e imprevisíveis.

Maquiavel, sabiamente ensinou que nos ‘principados’, “todo o Príncipe prudente deve não só remediar o presente, mas prever os casos futuros e preveni-los com toda a perícia, de forma que ele possa facilmente levar o corretivo e não deixar que se aproximem os acontecimentos, pois deste modo o remédio não chega a tempo, tendo-se tornado incurável a moléstia”.

¹Nicolau Maquiavel (em italiano: Niccolò di Bernardi dei Machiavelli; Florença, 3 de maio de 1469 — Florença, 21 de junho de 1527) foi historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser.

Itapoá (outono), 14 de junho de 2014.

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